segunda-feira, 23 de abril de 2012

ENSINANDO O DIFERENTE EM UMA IGUALDADE

TRABALHANDO COM DEFICIENTES INTELECTUAIS

Muitos professores da Educação Infantil ensinam que, o diferente em um conjunto é aquele elemento totalmente contrário ao grupo.  Nestes casos, os diferentes são tão flagrantes que todos o descobrem.

 

É um bom exercício inicial, mas, não pode ficar somente nisto. Observar as diferenças entre os objetos requer uma habilidade de percepção mais apurada. Habilidade de perceber detalhes, como os de forma, de cor, de tamanho, direção e posição. Habilidade que é importante adquirir tanto para os deficientes, como para os não deficientes.

No caso de crianças com deficiência intelectual é necessário que esta habilidade seja muito bem trabalhada, uma a uma, até que as dominem com segurança, pois uma das grande faltas está justamente na capacidade de perceber os detalhes.    Percepção esta que é fundamental para a alfabetização e sem a qual não conseguem notar os sutis detalhes de letras e números.

Vão aqui algumas sugestões e algumas dicas:

1- Comece com os detalhes de forma, como as figuras acima. Eles podem circular,marcar um X ou apontar dependendo das condições de cada criança.

2- Em seguida, os de cor. Elementos iguais podem ter cores diferentes.


3- Depois, pode inserir a ideía de direção: para cima, para baixo, inclinado, use figuras grandes e bem coloridas para chamar a atenção deles e poderem se concentrar mais facilmente. 


  


 
Trabalha-se aqui as posições e direções

Aqui inclui tudo: cor, forma, posição, direção e detalhes internos (ir acrescentando à medida que respondem coerentemente).


LEMBREM-SE:

REPETIR UM CONCEITO NÃO PRECISA SER SEMPRE DO MESMO JEITO. CRIE E  RECRIE VELHAS FORMAS  E INVENTE OUTRAS NOVAS.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

COMO FAZER UM LÁPIS EM ORIGAMI

OLÁ, MINHA GENTE!

Tem muita gente por aí dizendo que não saber fazer origami. Vejam como é fácil!


Aproveite a ideia e explore bastante esta atividade que é muito rica.

sábado, 14 de abril de 2012

AMINOACIDOPATIAS



A palavra amonoácidopatia é a junção de “aminoácido” (uma molécula existente nos alimentos) com “patia” (que significa doença). Dessa maneira, as aminoacidopatias são doenças que dizem respeito aos aminoácidos.

Falar e entender sobre os aminoácidos não é uma tarefa fácil porque exige um bom conhecimento de bioquímica. Mas, vou tentar facilitar as coisas para que todos possam entender o assunto.

Nosso corpo é formado de células. E há bilhões delas. Mas, para sobreviverem, elas  precisam de proteínas. Algumas células produzem suas próprias proteínas. Porém, outras não as produzem. Neste caso, as proteínas precisam vir do exterior do corpo, mais exatamente, dos alimentos que ingerimos. Ocorre que essas proteínas são grandes demais para entrarem nas células. Por causa disso, precisam ser quebradas, liberando substâncias contidas em seu interior. E, para isso, precisam dos aminoácidos.

Os aminoácidos são moléculas formadas, basicamente, por quatro elementos-chaves: o carbono (C), o hidrogênio (H), o nitrogênio (N) e o oxigênio (O). Estes elementos se juntam formando uma estrutura denominada “cadeia aminoácida”.

A esta cadeia podem-se juntar outras moléculas. Frente a uma proteína, essa cadeia ataca e a quebra provocando, como reação, a liberação de substâncias importantes. As cadeias aminoácidas possuem estruturas variáveis, o que concorre para inúmeras possibilidades de combinações.

  

Mas, durante a divisão celular no início da formação do embrião, um erro pode acontecer. Pode enfraquecer as proteínas fazendo com que sua quebra seja facilitada quando não devia, ou torna-las tão fortes e resistentes, que fica impossível de serem quebradas pelos aminoácidos. Quando há esse erro metabólico, os aminoácidos produzem um efeito tóxico cuja conseqüência principal é um déficit funcional. isto significa que pode haver um acúmulo ou falta das proteínas necessárias.

O sistema nervoso é o primeiro a receber os efeitos dessa toxidade e a sofrer com ela. Fato que pode provocar encefalopatias leves, moderadas e graves. Outras vezes, essa toxidade é progressiva, manifestando seus efeitos bem mais tarde, meses ou anos depois do nascimento.

Vamos conhecer alguns desses distúrbios:
A TIROSINEMIA é um erro genético do metabolismo que afeta a tirosina, responsável pela fabricação da uréia, uma substância tóxica para o organismo. A uréia é filtrada pelos rins, compõe a urina e é expelida por ela. Quando a tirosina  não libera a uréia, ela fica concentrada, degenerando os rins e o fígado onde é produzida.

A tirosinemia tem três tipos:

A TIROSINEMIA tipo I
 
A tirosinemia é a mais comuns. Seu erro metabólico ocorre no cromossomo 15q23-25 e mais de 34 mutações diferentes puderam ser detectadas e mapeadas. Sua incidência é de 22 casos a cada 1846 nascimentos e as  famílias franco-canadenses e seus descendentes são os mais atingidos.

Ela é causada por uma mutação genética e hereditária que faz com que haja uma deficiência de fumarilacetoacetato hidrolase (FAH) na parte final da quebra da tirosina. A ausência dessa substãncia faz com que outra substância, a maleilacetoacetato, se acumule no organismo provocando um grande efeito tóxico que atinge o fígado. 

O diagnóstico pode ser realizado ainda no período pré- natal, através do exame do líquido amniótico. Mas, quando esse diagnóstico não se realiza nessa época, nos primeiros meses após o nascimento, o bebê apresenta vômitos, icterícia, problemas no fígado, hipoglicemia, ascite, sangramento, anorexia e irritabilidade. Quanto mais tarde o diagnóstico é realizado, mais complicam-se os efeitos comprometendo o fígado de tal modo que há necessidade de transplante. As alterações neurológicas são definitivas e observáveis.


TIROSINEMIA do tipo II

Ao contrário da tirosinemia do tipo I, as funções do fígado, dos rins e as concentrações de outros aminoácidos são normais. Porém, ao longo do crescimento vão aparecendo lesões nas córneas e na pele. Muitas dessas lesões podem ser cancerígenas.


TIROSINEMIA do tipo III

Este tipo foi descoberto recentemente e, por enquanto, poucas pessoas foram diagnosticadas com este tipo.  Relatos afirmam que os pacientes não apresentaram sintomas. Fígado e rins apresentam funções normais. Porém, disfunções neurológicas foram detectadas e relatados, tais como: atrasos do desenvolvimento, convulsões, ataxia intermitente e comportamentos autodestrutivos.

Uma dieta alimentar pobre em tirosina, fenilalanina e metionina é recomendada como tratamento em todos os tipos de tirosinemia. Esse tratamento e a dieta duram a vida toda.  Embora não cure, amenizam os efeitos e o retardo mental pode ser evitado.

fontes:

NORA JJ, Fraser FC. GENÉTICA MÉDICA. 3ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.
NUSSBAUM RL, MCINNES RR, Willard HF. THOMPSOM e THOMPSOM: GENÉTICA MÉDICA. 6ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

POR QUE EVITAMOS OS CONTOS DE FADAS?



Nas últimas décadas, os pais e os professores têm evitado falar, ler e contar os Contos de Fadas. As emissoras televisivas também deixaram de apresentar desenhos e flimes que falam sobre eles. Alguns autores infantis têm tentado mostrar o lado inverso desses contos e os novos autores desse tipo de literatura têm tratado de temas do cotidiano e dos problemas sociais. E há uma razão para isso.

Vivemos num mundo complexo. O corre-corre diário para ganhar o sustento da família, na conquista das novas tecnologias e a mídia, mais consumista que nunca, nos ínsita ao consumos dos novos produtos anunciados. É, portanto, em meio a  esse complexo contexto de preocupações reais que desejamos que nossas crianças estejam, cada vez mais, envolvidas com a realidade. E esse desejo nos faz temer que, fascinadas pelas fantasias, não sejam capazes de compreender e lidar com o mundo real. Por isto, deixamos de contar os antigos Contos de Fadas.

O temor dos adultos acentua quando a criança pergunta se o conto é verdade ou se acontece realmente. Pais e professores vêem nessa pergunta um sinal de que a criança está preocupada em saber se os Contos de Fadas são verdadeiros ou falsos.

Segundo Bethelheim, não é essa a verdadeira preocupação infantil. Mas, a de saber se os contos podem ajudá-las a resolver suas dúvidas e anseios. Mas, tomados de surpresa, os adultos ficam em dúvida sobre como devem responder a essa questão. E tomam a decisão:  o melhor é evitar falar sobre eles.

É preciso saber que os Contos que começam com “Era uma vez”, “Há muito tempo atrás”, “Numa terra muito distante”, “Na Terra da Fantasia” e muitas outras, deixam claro, para a criança, que a história não trata de assuntos atuais.

Quanto ao medo de que possam se tornar pessoas fantasiosas, é preciso estar consciente de que á medida que crescem e amadurecem, deixam de lado as fantasias e se preocupam com a realidade de uma forma mais saudável.  Agora me respondam: como é possível impedir que uma criança fantasie se isso faz parte da vida e do desenvolvimento infantil?

Fonte:
BETHELHEIM, Bruno. A psicanálise dos Contos de Fadas. Ed. Paz e Terra

sexta-feira, 6 de abril de 2012

PÁSCOA


Tempo de reflexão, de fé, de amor e de solidariedade.

Ha história contada há 2012 anos, um homem doou a própria vida para salvar toda a humanidade. Depois, ressuscitou e subiu aos céus. Depois disso, muitos ainda acreditam que tudo não passou de uma lenda. Mas, quem de nós não fica tocado com tal história?

Quem de nós, na primeira dificuldade, não grita seu Nome? Quem não pede a Ele por ajuda e implora para que tudo tenha uma solução rápida?

E o que damos a Ele em troca de tal sacrfício? Guerras, conflitos, violência, drogas, desamor, incompreensão,  inversão de valores. Que fazemos do amor ao próximo que Ele nos ensinou? Trocamos pelo amor a nós mesmos? Será nos achamos tão perfeitos, tão completos que só encontramos defeitos nos outros? E por isso mesmo, nos tornamos egoístas, egocêntricos, mimados e orgulhosos. Mas, orgulhosos de que? Da soberba?, Da maldade? Da intolerância? Da empáfia? Da autodestruição pelas drogas e outros vícios?

Que esta Páscoa traga a todos muita paz, compreensão da vida na fé, do outro e de si mesmo. Que as bênçãos de Deus caia sobre todos iluminando o caminho para uma vida mais feliz.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

REVENDO OS CONCEITOS BÁSICOS

ALFABETIZAÇÃO DOS DEFICIENTES INTELECTUAIS


Nem sempre um deficiente chega a idade escolar dominando todos os conceitos básicos. Por isso, antes de se pensar em ensinar as letras e os números é preciso verificar se possuem esses conceitos, se os dominam e corrigir as falhas, se não os  tiverem dominado.

Conceitos como: igual e diferente, maior e menor (ou grande e pequeno), grosso e fino, áspero e liso, comprido e curto são essenciais tanto para a alfabetização como para a vida. Muitas vezes, elas dominam um, mas não dominam o outro. Portanto, é preciso verificá-los.

Para esse trabalho, utilize figuras das mais variadas. O colorido prende a atenção e a criança passa maior tempo concentrada no trabalho. Por serem rápidos, é preciso ter um bom estoque de atividades.

TRABALHANDO O IGUAL

A primeira sugestão foi fazer os pareamentos com caixas de fósforos ou as tampinhas coloridas. Mas, as professoras da Educação Infantil possuem uma boa quantidade de gravuras para colorir e modelos de atividades que podem ser utilizados. Vejam algumas sugestões:

Neste, a criança deve ligar  as figuras iguais. Colorido numa unica tonalidade  serve para trabalhar também a cor zaul. mesmo que não se fale nela, A criança observa e intui o conceito.

Neste outro, pode-se trabalhar o conceito de igual, mas também o sensorial, quando as peças que formam os quadrados são de texturas diferentes. Neste exercício, ela intui as cores e a forma. Uma variação deste exercício é o uso dos quadrados sem o suporte. Misture tudo e peça que separe os iguais, ou ainda, que empilhe os da mesma cor (coordenação motora).


Este exercício trabalha a cor e a correspondência. Ele é composto de uma prancha pontilhada regularmente. Os elementos são círculos de  color set ou EVA e tampinhas de refrigerante e na quantidade dos pontinhos. Trabalha-se primeiro o tom escuro, depois o claro. Quando  colocarem cada elemento sobre o ponto, mistura-se os elementos. Deixe que coloque onde quiser, formando uma composição criativa. 

Depois, trabalhe a colocação alternada, como a da foto. Os tons claro e escuro fazem o destaque e a criança intui que o azul pode ter tonalidades diferentes. Repita com o vermelho e o amarelo, modificando o formato do suporte e dos elementos para triangulo ou círculo. Alterne formas, suportes e cores. Ex: suporte circular, forma triangular e elementos vermelhos. Assim, com um único material você terá uma série de exercícios diferentes.

LEMBRE-SE: Como os deficientes intelectuais possuem um funcionamento cerebral mais lento, demoram um pouco a aprender e a dominar os conceitos. Por isso, necessitam que cada conceito seja repetido várias vezes. mas, não precisa ser sempre o mesmo. Alterne jogos práticos e sensoriais com os de papel (se conseguem segurar o lápis.

Se, depois de dois ou três exercícios e você notar que ela domina o conceito, passe para o seguinte. Se há domínio, não há necessidade de se perca tempo. Passe para o conceito seguinte. 

Você ainda pode criar outros jogos e exercícios com palitos de churrasco,  de sorvete, garfinhos ou colheres de plástico coloridos. Encape os palitos de churrasco com durex colorido ou pinte com guache os palitos de sorvete nas cores primárias. As crianças podem separá-los por cor (igual), 

NÃO ESQUEÇA: Seja qual for o resultado dos exercícios, elogie o esforço, a dedicação mostrada pela criança. Elogie com mais veemencia quando acertar. Este gesto melhora a auto-estima e a autoconfiança da criança deficiente.

domingo, 1 de abril de 2012

ACIDÚRIA GLUTÁRICA TIPO 1


ERROS INATOS DO METABOLISMO (cont).


A acidúria glutárica tipo 1(AGI) foi descrita pela primeira vez em 1975. Trata-se de um distúrbio do metabolismo da lisina, hidroxilisina e triptofano causado pela deficiência da glutaril-CoA

Caracteriza-se pelo aparecimento repentino na infância, com distúrbios nos movimentos de origem extrapiramidais devido a uma ação neurológica degenetativa e crises convulsivas. Esses sintomas estão, geralmente, associados a macrocrania. Exames clínicos mostram uma elevação dos ácidos glutárico e glutacônico  na excreção urinária, alterações sugestivas do cranio em  tomografia computatorizada ou na ressonância nuclear magnética. Essas alterações decorrem por atrofia fronto-temporal bilateral e/ou lesões nos gânglios da base. Geralmente, os sintomas iniciais surgem ainda no primeiro ano de vida e evoluem rapidamente e variam de uma pessoa para outra. Pode estar presente em várias pessoas da mesma família, senso que uns podem ser sintomáticos e outros assintomáticos..

Em algumas crianças com macrocrania e crises convulsivas, os sintomas não aparecem de imediato. Em outros, porém, podem apresentar um atraso do desenvolvimento sem episódios agudos de descompensação.

Em pacientes que apresentam crescimento e desenvolvimento normais até que os primeiros sintomas apareçam, a deterioração é rápida, progressiva e aguda fazendo lembrar uma encefalite. Em poucos dias evoluem para quadros mais graves e com seqüelas de dupla hemiplegia extrapiramidal (paralisia num dos lados do corpo) que os deixa acamados.
Outros pacientes apresentam quadros convulsivos logo após o nascimento ou nos meses seguintes e podem evoluir normalmente. Outros, podem apresentar desenvolvimento cognitivo normal, mas com tremores nas mãos, e distúrbios leves do movimentos (coreoatetóides).

OBS: (A coréia é um distúrbio do apresenta movimentos irregulares e involunt´rios e etá relacionada com contrações musculares provenientes de estado depressivos, perturbações mentais ou irritabilidade anormal).

Tudo isto porque esse erro inato do metabolismo afeta o Sistema Nervoso Central e pode apresentar variadas conseqüências que vão desde os casos assintomáticos a até a quadriplegia espástica e movimentos involuntários, ocasionando desde um atraso no desenvolvimento a deficiência intelectual, além de distrubios motores dos mais diversos.

Fonte:
Artigo  médico da equipe do Instituto da Criança do Hospital das Clínica (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de SãoPaulo (FMUSP):