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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A FEBRE AMARELA


No ano passado ficamos inquietos com a possibilidade de contrairmos essa doença. Boa parte da população foi vacinada, porém outra parcela, não se vacinou. É verdade que a imunização começou nas áreas próximas às matas que circundam a cidade e o próprio Governo pediu que, as pessoas das regiões mais urbanas, esperassem um pouco mais, para evitar as enormes filas que se formavam nos postos de saúde. Mas é verdade também que, depois dessas áreas, a imunização foi e continua aberta para aqueles que não foram imunizados. E a partir deste ponto, a responsabilidade é inteiramente nossa. É a esta parcela que de pessoas a quem me dirijo, neste momento.

Estamos na primavera e é hora e tempo de ficarmos protegidos dessa doença. Logo virá o verão e as coisas se complicam. O tempo fica mais quente, as chuvas são mais intensas e os mosquitos se proliferam com mais rapidez.

Este ano já houve casos de contaminação de febre amarela em nosso Estado e contraídas aqui. Não foram pessoas que viajaram para regiões onde a incidência e maior e lá, contraíram a febre amarela. Os casos registrados são de pessoas que contraíram AQUI MESMO NA CIDADE, sinal que o vírus ainda circula por aqui.

Vírus da febre amarela

A febre amarela é uma doença causada por um vírus. Os sintomas são dores no corpo, mal-estar, náuseas, vômitos e febre alta que dura em média três dias. Em alguns pacientes, o vírus ataca o fígado causando complicações hepáticas que deixam as pessoas com um tom amarelado na pele, razão pela qual recebeu o nome de “febre amarela”.


Embora os sintomas durem apenas 3 dias, não se deve confiar. É preciso procurar um médico logo nos primeiros sintomas, porque a febre amarela pode levar a pessoa ao óbito, caso não seja diagnosticada em tempo. Segundo o Ministério da Saúde, 30% das pessoas que contraem a doença morrem porque esperaram muito tempo e houve sérias complicações.

A febre amarela não é transmitida de pessoa para pessoa. Por isso, uma pessoa de sua casa pode ter essa doença e as demais não a terem.

mosquito sabethes picando alguém


Quando o mosquito vai em busca de alimento (sangue humano ou de um animal) ele pica e deixa lá o vírus. A picada causa uma pequena irritação na pele e provoca uma “coceira”. Instintivamente, coçamos. Porém, ao fazermos isso, machucamos a nossa pele e abrimos uma porta para o vírus entrar. Esse vírus é tão pequeno que não podemos vê-lo.
mosquito haemagogus

                            mosquito sabethes                         

Uma outra coisa importante é que, nas matas, os mosquitos responsáveis pela transmissão da febre amarela são os mosquitos silvestres “HAEMAGOGUS” e o “SABETHES”, que costumam picar uma certa espécie de macaco. O macaco fica doente e morre, mas NÃO TRANSMITE a febre amarela nem para outros macacos, nem para os humanos.

As mortes desses macacos na  natureza SERVEM DE AVISO, isto é, alertam os agentes de saúde de que o vírus da febre amarela está circulando por ali. O que quero deixar claro é que os macacos são tão vítimas quanto os humanos. Por isso, NÃO DEVEM SER MORTOS, porque nossa fauna e nós (humanos) precisamos deles. E se queremos eliminar alguém, é o mosquito.

mosquito "aedes aegypti"

Já nas áreas urbanas, a contaminação é feita pelo mosquito “aedes aegypti”, o mesmo mosquito que transmite a dengue, a chicungunya e a zika. Isto porque, o vírus da febre amarela provocado pelos mosquitos “haemagogus” e “sabethes chegou nas matas que circundam as cidades.

O mosquito “aedes aegypti” pica um macaco contaminado e vai espalhando a doença em animais e em humanos. Isto porque o vírus se hospedou no mosquito “aedes aegypti”, contaminando-o. Ao procurar alimento (sangue humano) vai contaminando as pessoas.

Lembrem-se que esses mosquitos não trazem uma placa avisando que estão hospedando o vírus indiscriminadamente, principalmente, no verão. Por isso, as únicas formas de nos livrar desse mosquito ´são: eliminar o mosquito e a vacinação.

vacina da febre amarela

A vacinação é muito bem aceita pela Organização Mundial de Saúde (OMS). E pode ser feita de duas maneiras: a) tomando a dose padrão-integral; b) tomando a dose-fracionada. Ambas fazem a imunização. A primeira toma-se apenas 1 dose. A segunda, fracionada tem validade de 8 anos e exige a segunda dose para imunizar totalmente.

O ministério da saúde explica que a dose fracionada foi aderida para imunizar rapidamente a maioria da população (ou seja, 21 milhões de pessoas) para evitar uma epidemia, para deixar a dose integral para as pessoas que tinham viagem marcada para lugares onde a incidência da doença era maior ou para pessoas cujo destino era fora do país. Esta vacina não causa reação na maioria das pessoas. Para algumas, apenas o surgimento de uma febre que passa logo.

Podem tomar a vacina todas as pessoas saudáveis a partir dos 9 meses de idade. Crianças com doenças graves só podem tomar a vacina após os 2 anos de idade.

Os idosos e pessoas com doenças imunológicas ou com alterações hematológicas NÃO PODEM tomar a vacina, por isso, precisam adotar outros tipos de prevenção. Para se proteger da febre amarela sem a vacina devemos cuidar das águas paradas em casa e do uso de repelentes.

Quem já tomou a dose-integral há 10 anos ou mais, não precisa tomar a segunda dose.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

HPV? O que é isso?

HPV é a sigla inglesa do vírus “papiloma humano”, uma das vacinas que está sendo negligenciada por muitos pais. Um vírus que atinge a pele e as mucosas do útero formando verrugas ou lesões que podem dar origem ao câncer de colo de útero, pênis, garganta, ânus ou em outras partes do corpo também.

vírus papiloma humano

O que sabe sobre esse vírus é ele tem mais de 200 tipos e, apenas 150 tipos foram identificados. Dos tipos identificados, 14 tipos podem causar lesões que se transformam em câncer.

lesões do papiloma

Esse vírus é considerado uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) por ter uma infestação nas primeiras práticas sexuais. Estatisticamente, entre 80 a 90% da população já entrou em contato com o vírus HPV em algum momento da vida, mesmo que não tenham tido sintomas ou desenvolvido lesões.  Embora a maioria tenha se livrado do vírus e dos seus efeitos espontaneamente, 10% não consegue se livrar dele e vê suas lesões transformar-se em “CÂNCER”.

Você poderá estar pensando que 10% e pouco.  Porém, se considerarmos a população mundial que é de quase 7,5 bilhões de pessoas, 10% corresponde a 750 milhões de pessoas. Um número bastante significativo, não acham?

A transmissão do vírus papiloma humano se dá pelo contato da pele com pele nas relações sexuais. E como as práticas sexuais estão começando cada vez mais cedo do que em tempos atrás, rapazes e moças podem entrar em contato com papiloma humano mais cedo do que em outras épocas.

Toda verruga que aparece no corpo é preocupante e incômoda. Porém, quando elas aparecem nas áreas genitais de rapazes e moças (porque o vírus não tem preferência com relação ao sexo que irá infectar) é ainda mais preocupante e incomodo, porque pode ser causado pelo papiloma. Ou se aparecerem manchas brancas ou acastanhadas e que coçam muito, é preciso de um tratamento rápido.

                           
                            As verrugas (pontos escuros) no colo do útero, nas trompas e nos ovários

Nos rapazes, as verrugas de pênis ou manchas são logo observáveis, pois se localizam na parte externa do corpo. No entanto, nas mocinhas, nem sempre podem ser vistas porque elas ocorrem mais internamente, embora possam também aparecer na vulva ou nos lábios genitais. Outro lugar que não podem ser observadas é quando aparecem na garganta ou na parte interna do ânus. Nestes casos, só com os exames clínicos de colposcopia, vulvoscopia e peniscopia podem ser detectadas.


Para saber se as manchas ou as verrugas que surgem nas áreas genitais são ou não são cancerígenas, é preciso fazer outros exames: o PCR (sigla da Reação em Cadeias da Polimarese), um exame genético que investiga o tipo e a carga viral e o TCH (teste de captura híbrida) que detectam a presença do cãncer. São exames caros, cujo preço pode variar entre 700 a 1500 reais. E a resposta desses exames costumam sair em 5 dias.

Mas não é apenas pelas práticas sexuais que o vírus é transmitido de pessoa a pessoa, embora seja a forma mais comum. Correm risco de contaminação quando as pessoas costumam compartilhar roupas íntimas ou toalhas de banho de outras pessoas. Esta forma é rara, mas pode acontecer.

Uma outra forma é se relacionar sexualmente com uma pessoa que não sabe que está infectada. Mas como não saber?

Existem duas maneiras de uma pessoa não saber que tem o HPV: a) os sintomas só começam a aparecer de 2 a 8 meses após a contaminação; b) em algumas pessoas, o vírus fica “encubado” por até 20 anos. Isto significa que o vírus está no corpo, mas ele não produz os sintomas. Em ambos os casos, fica difícil da pessoa saber, não é mesmo?
                                                      transmissão vertical

A “transmissão vertical”, como é chamada quando a mãe passa o vírus para o filho no momento do parto, é uma outra forma de contaminação.

Para todas as pessoas que possuem uma atividade sexual ativa, o fator de risco de contrair HPV é muito grande. Principalmente, para as pessoas que começam precocemente a vida sexual, se relacionam sem proteção (não usam camisinhas), possuem múltiplos parceiros, não fazem exames de rotina, são imunodepressoras (que apresentam queda no sistema imunológico), as que apresentam outras DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), as que tem múltiplas gestações, usam contraceptivos orais de dosagens altas e por muito tempo, ter soro positivo do HIV (AIDs), ter herpes simples ou clamídia, fumantes e quem faz uso de drogas.


A complicação maior é não ligar e deixar que as lesões se transforme em câncer. Neste caso, os procedimentos serão outros. No mais, o HPV é tratável e após um ano e meio ou dois anos de tratamento o paciente tem alta, principalmente se o paciente for jovem. Para os pacientes adultos ou mais idosos o tratamento é um pouco mais longo, envolvendo também o cônjuge com quem se relaciona seja para avaliação ou para tratamento.

Nos homens, o vírus do HPV pode afetar sua capacidade de fecundação (esterilidade) ou o deslocamento dos espermatozoides. Em ambos os sexos, as lesões na boca, amigdalas, palato e nariz podem afetar o sistema respiratório.

Qualquer pessoa pode ter HPV, mas as pessoas que fazem tratamentos com quimioterapia, radioterapia ou com imunossupressores, o risco é ainda maior.
O câncer é sempre um problema sério por ser uma doença silenciosa, que não traz sintomas imediatos. Enquanto isso, o vírus vai fazendo seus estragos no interior do corpo.

Para se proteger desse vírus existem três maneiras: usar “camisinha” em todas as formas de se relacionar sexualmente (oral, anal e da forma convencional); fazer exames regulares e tomar a vacina ainda na infância (aos 9 anos) ou no início da puberdade (dos 11 aos 13 anos).

vacina contra o HPV

O governo brasileiro oferece estas vacinas gratuitamente nos Postos de Saúde para meninos e meninas para que fiquem imunizados antes de iniciarem as práticas sexuais. A vacina é composta apenas de duas doses.

No caso de perceber os sintomas ou ter suspeitas ou dúvidas sobre o HPV basta procurar um infectologista, ginecologista, urologista, o clínico geral ou o dermatologista. O tratamento pode ser breve ou prolongado dependendo dos sintomas (manchas ou verrugas), do grau e da localização das lesões. Geralmente, os médicos indicam cremes e ácidos para colocar sobre as manchas se forem visíveis, cauterização a laser (se forem internas) para retirar as lesões.

Infelizmente, não há como eliminar o vírus por meio de medicamentos ou procedimentos médicos. A única forma de eliminá-los é pelo sistema imunológico da pessoa, mas que pode ser acompanhado clinicamente com exames periódico. A manutenção dos cuidados básicos de saúde é importante para ajudar e fortalecer o sistema imunológico.

FONTES:
Ministério da Saúde
Clínica Mayo

segunda-feira, 25 de junho de 2018

DOWN E A COORDENAÇÃO MOTORA FINA (II)

Como prometi na postagem passada, trouxe mais alguns exercícios de coordenação motora fina que podem ser usados não só por Down, mas com outras síndromes também, inclusive por autistas.


O primeiro exercício é a Caixa de Areia. Muito útil, porque serve para a criança
fazer exercícios de coordenação, como também para treinar o traçado das letras e números. Podem usar o dedinho, o lado contrário de um lápis ou caneta, bolinhas de gude, palitos, enfim, uma variedade enorme de objetos. Com a areia podemos trabalhar ainda as texturas e fazer atividades artísticas. 
È um material barato e que pode ser acondicionado em caixas de papelão ou em potes plásticos desde que seja grande.

Em segundo, um material alternativo que pode ser feito com um ou mais rolos de papel higiênico. É só forrar e fazer furos em dois lados de forma que um palito passe por eles. Este exercício obriga a criança a olhar para o que está fazendo. Vi um semelhante feito com garrafa pet. Para os palitos, aqueles de churrasco, pintados em cores vibrantes.
Este outro, sugestão encontrada nos livros de pano, faz com que as crianças usem a mão auxiliar para abrir as alças por onde passam um fio (de barbante no comprimento do caminho), fita larga ou corda. Além de trabalhar a coordenação motora, trabalha a textura do feltro, obriga a criança olhar para o que está fazendo e ensina a traçar no meio de duas linhas (como nos costumeiros exercícios de levar, como por exemplo, o patinho até a Dona Pata, ou a abelhinha até a flor etc.
Este outro, é feito de papelão coberto com feltro, também inspirado nos livros de pano. São tampinhas (de refrigerante, de leite ou do que quiser) coladas sobre a base com cola quente. Se a criança tiver muita dificuldade motora, as tampinhas devem ser mais altas e pode-se usar até copos plásticos mais resistentes. Num dos cantos fica preso um fio de barbante (ou outro de sua preferência) de uns 2 ou 2,5 metros, mais ou menos para que possam dar muitas voltas. 
O exercício consiste em passar o fio todo por entre os espaços ou enrolar o fio nos obstáculos. Trabalha-se o uso das duas mãos, ensina a criança a olhar para o que faz, ensina habilidades em ambas as mãos, a textura do fio, a preensão, ensina a trabalhar com fios longos e a noção de comprido e curto ao final, a seguir caminhos e desenvolve a criatividade, pois ela pode descobrir um outro jeito de passar o fio.

Este outro, é formado por uma pista retangular (tirada da internet) colada sobre a base de feltro com cola branca comum. As casinhas são de papelão não muito grosso e coladas com cola quente. Mas podem ser prédios, árvores ou outra coisa que desejar. Você irá precisar também de um carrinho. 
O exercício consiste em fazer o carrinho andar pela pista. Para quem conhece semáforo, podemos pedir que pare no vermelho e passe no verde. Mas como o Gael não conhece isso, ele passa direto. Mas não tem importância, porque o que quero trabalhar está mantido, que é olhar para o que esta fazendo, erguer o braço quando o carrinho passa atrás das casas que estão à sua frente, a textura do carrinho, a  criar saídas para não desmanchar as casas entre outras coisas, como criar uma história.

Quem tiver bonecos pequenos (de plastico, feitos com tecidos ou colados em papelão também podem usá-los como sendo pessoas que devem atravessar a pista para chegar em casa, por exemplo. Tudo o que vocês colocarem é bem-vindo e ajuda a criança a tomar decisões. Eu vou trabalhar mais um pouco assim como está e aos poucos vou colocando outros detalhes. Desta forma, a criança manterá o interesse por esta atividade. Estou preparando outros exercícios, e logo mostro a vocês.

Esta outra atividade que Gael adora fazer. Você só precisa de um pedaço de isopor e palitos de dente. O exercício é de preensão, de atenção e força, coisa que os Down tem pouca. O exercício é fincar os palitos no isopor mantendo-os em pé. Este exercício também trabalha a organização. Se Gael colocar todos os palitos nas da laterais do isopor e o meio ficar livre, quando ele colocar os palitos ali, com certeza os palitos espetarão a mão ou o braço. Com o tempo, vai aprendendo a começar de trás para a frente.

 Leva tempo para que perceba isto? Quem sabe? Tudo depende das vivências e experiências que a criança teve na infância. Se essas experiências forem frequentes e boas, com certeza logo descobrirá. Se não teve, terá que aprender aos poucos. Mas não importa o tempo que demore, sei que um dia, ele entenderá.

sexta-feira, 2 de março de 2018

PARALISIA CEREBRAL E JOGOS DE CONSTRUÇÃO


Muita gente pensa que as pessoas com Paralisia Cerebral não podem brincar ou jogar. Mas, novamente, estão enganados. Eles podem e devem ser estimulados a realizar todas as atividades possíveis de acordo com suas possibilidades. E desde muito cedo.

O PC em questão já é um jovem. E um jovem que não foi estimulado a realizar qualquer atividade. No início, repetia o que eu mostrava.

 



Depois, aos poucos, fui mostrando a ele outros jogos. Mostrava como fazer, desmanchava e deixava que fizesse sozinho.

 


E o brilho de seus olhos valeu a espera. Brincou bastante com o "trenzinho" que montou. De repente, sentiu-se sem graça, como se fosse coisa de criança e não quis mais brincar. Respeitei esse momento. Dei um tempo, e no final do atendimento conversamos sobre o assunto. No final, sentia-se feliz novamente.

Alguns atendimentos mais tarde apresentei outro jogo. Um jogo chamado "Engenheiro", que serve para construir casas, pontes, ou outra coisa qualquer.

No início, ficou meio atrapalhado com tantas peças. Montei uma casa simples. E como anteriormente, desmanchei tudo e deixei que ele fizesse. E ele fez. Porém, num espasmo, um pequeno toque destruiu o que tinha feito. 


Ele pensou em desistir, mas logo reiniciei outra e deixei que ele fizesse o restante. E o resultado está aqui.



O que se trabalhou com estes jogos? Muita coisa. Na Coordenação Motora Fina, a preensão, a delicadeza do gesto (apesar da hipertonia (musculatura rígida) e dos espasmos), o contato com texturas diferentes e o equilíbrio. 

Nos Conteúdos: uma revisão das formas geométricas simples e sua utilidade. Na arte, a sequencia de passos, a organização do trabalho final e o desenvolvimento da criatividade. 

Mas, o mais importante, não se vê, nem se pode mostrar: a melhora da autoestima e da auto-confiança, o prazer em apresentar o trabalho para a foto, para os pais e para este blog, com a certeza de que ele está ajudando outros professores e outros pais a fazerem o mesmo com outras crianças ou jovens que, tanto quanto ele, precisam disto.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

FAZENDO ARTE II

RECORTE COM AS MÃOS

Esta é uma atividade difícil para quem tem problemas motores  Isto porque exige que as duas mãos trabalhem em conjunto, mas em sentido contrário. Mas não é impossível de ser feita. 

A tendencia é que puxem o papel até que ele se parta. Mas com jeito, muita vezes pegando na mão do aprendiz, ele entende o que deve ser feito e realiza a atividade. 

 




RECORTE COM TESOURA

Depois de trabalhar bastante deste jeito para adquirir habilidade, pode-se passar para o uso de instrumento, ou seja, da tesoura.

O primeiro passo é cortar aleatoriamente para aprender a usar a tesoura. Repete-se até que domine esse instrumento.

O segundo passo, é o recorte de linhas retas. Para isso, traça-se linhas num folha. Assim:

A partir deste momento, podemos ir complicando aos poucos. Como este, por exemplo:



Aguarde mais novidades.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

FAZENDO ARTE COM PARALISIA CEREBRAL

Muitas pessoas acreditam que alguém que tenha paralisia cerebral não pode fazer nada. Na verdade, só não conseguem fazer algo se, desde crianças, os adultos fizerem tudo por ele, para ele e no lugar. Dessa maneira, essa pessoa se sentira realmente incapaz.

A nossa tarefa como profissionais da Pedagogia: mostrar a todo momento que eles não são, nem nunca foram, o que pensavam ser, ou melhor, o que outros fizeram com que eles pensassem dessa maneira.

Então, qual o caminho para fazê-mudar seu modo de pensar a vida e de si mesmo? A resposta é simples: com ATIVIDADES ARTÍSTICAS. Mas é preciso respeitar suas dificuldades indo do simples para o complexo aos poucos e constantemente.

Mostro aqui o que tenho feito com o PC que atendo. Um jovem que possui pouca criatividade porque nunca desenhou, nem qualquer outra atividade deste tipo. Estas atividades não se destinam somente aos PCs, mas as crianças e jovens com deficiência intelectual também.

COLAGENS

As primeiras colagens foram semi-pronta, ou seja, partes coladas, pontinhos marcando os lugares onde colar. O objetivo: mostrar as possibilidades. 


A partir daí, nas próximas colagens, já dizia a ele para colar onde quisesse. E ia dando sugestões quando percebia que ele colava muito separado ou colar sobre outra forma quando não havia muito espaço. E ele fez uma porção deste tipo.


Fui percebendo que ele só colocava  uma peça sobre outra se eu o lembrasse. Calculei que ele não havia desenvolvido a criatividade e para que isso acontecesse, era preciso agir de outra forma. E passei a usar um apoio visual, para isso, usei formas geométricas. Assim, bastava que ele encontrasse a forma adequada para cada espaço. O resultado foi este robô, que mais tarde serviu para uma produção de texto oral. 



Após trabalhar outros desenhos como as do robô, passei a usar uma espécie de legenda: pequenos círculos para as flores.  O restante estava pronto. Trabalhei aqui, a percepção dos pequenos círculos devido a baixa visão.

 
(Natal de 2016)

Numa segunda etapa, a legenda contava com três etapas: linhas grandes (para os cabos), traços pequenos (folhas) e pequenos círculos (flores). Aproveitei este trabalho para mostrar a ele as diferentes texturas dos materiais utilizados. Várias outras do esmo tipo foram realizadas.


Como terceira etapa, além da legenda, procurei trabalhar a sequência de colagem num motivo mais elaborado. O objetivo mostrar que tudo o que está por baixo, deve ser feito primeiro. Por meio de questionamentos como "o que acontece se colocarmos as flores primeiro"? E a resposta foi clara: - As flores caem. 

Depois disso, baseados nas atividades anteriores, ele já foi dizendo e apontado as linhas pequenas: - Aqui vão as folhas e apontando os pequenos círculos: - Aqui as flores. E assim foi feito.


Com a proximidade do natal de 2017, coloquei sobre a mesa o vaso e a árvore. Na folha havia apenas uma linha pontilhada. Mostrei a ele que a colagem deveria começar dali. Pedi que colocasse ali a figura a ser montada. O objetivo era o de avaliar os conhecimentos básicos que havia ensinado. mais que depressa ele pegou o "vaso" e depois, a "árvore" sem colar. Pronto: aprendizagem realizada. 

A colagem foi realizada em seguida. E para dar um ar mais festivo, colou bolinhas de papel crepom, trabalhando mais uma vez a preensão indicador-polegar e nova textura.



Aguarde outras formas artísticas que foram 
trabalhadas, na próxima postagem.

sábado, 6 de janeiro de 2018

EFEITOS DA PARALISIA CEREBRAL

A Paralisia Cerebral é diagnosticada pelos efeitos que ela causa nos indivíduos. Sendo assim, o diagnóstico pode ser feito pela observação das disfunções (problemas) motoras características da região piramidal, da região extrapiramidal ou pela topografia dos prejuízos que os indivíduos apresentam.

1- AS DISFUNÇÕES MOTORAS NA REGIÃO EXTRAPIRAMIDAL

Entende-se por disfunção o mau funcionamento dos músculos que atuam nos movimentos provocados por uma lesão. Essa disfunção depende do tamanho da lesão (grande ou pequena). Motora, porque se referem aos movimentos. Logo, por serem provocados pela lesão variam, os movimentos são anormais e involuntários. A maioria desses movimentos não provocam dores como muitas pessoas acreditam. 

Como já vimos, a região extrapiramidal são os caminhos antes e depois de sua junção, chamada de “pirâmide”. São eles:

a) as atetoses – que são movimentos lentos, contorcidos e com tremor nos dedos. Podem acontecer nas mãos e/ou nos pés. Em alguns casos, pode-se perceber esses movimentos também nos braços, pernas, pescoço e língua.


b) as ataxias – é a falta de coordenação dos movimentos voluntários e do equilíbrio que influencia no desempenho funcional. Este movimento aparece em 88% dos casos da PC.
c)  coreia  ou choreia – é um movimento desordenados e rápidos assemelhando-se a uma dança. 

d)  os espasmos, espásticos ou hipertônicos – causam um aumento do tono muscular, ou seja, ficam enrijecidos.

e) os mistos – Qualquer um desses tipos de movimentos pode aparecer em conjunto com outro.

f) os distônicos – são os movimentos que sofrem contrações involuntárias e são repetitivos. Apenas os movimentos distônicos podem produzir dores em certas partes do corpo, pois obriga o indivíduo a certas torsões ou posturas inadequadas.
Estes movimentos perduram pela vida a fora.


2- TOPOGRAFIA DOS PREJUÍZOS NA PESSOA

A localização exata da lesão é chamada de topografia. Como já vimos, a localização da lesão pode estar antes ou depois da “pirâmide”; dentro dela, no cerebelo ou no SNC (Sistema Nervoso Central. Dependendo dessa identificação, é preciso conhecer a extensão da lesão e a(s) área(s) afetada(s).  Por prejuízos entende-se os membros e órgãos afetados, ou seja, paralizados. Esses prejuízos podem ser:

a) a hemiplegia - é a paralisação dos membros, sendo os mais comuns o dos membros superiores. A hemiplegia sempre vem acompanhada de movimentos espásticos (espasmos) e da hiperreflexia (exaltação ou exagero nos movimentos). Essa reação é involuntária e revela que a lesão se encontra antes da região piramidal.
pés equinovara

Na hemiplegia, os membros superiores e os inferiores ficam semiflexionados. As pernas podem ficar hiperestendidas, os pés assumem a postura equinovara (pés voltados para dentro e dedos muito flexionados em arco) e pode aparecer um reflexo, no qual os dedos do pé se estendem e se abrem em forma de leque. Este reflexo é conhecido como Reflexo ou Sinal de Babinski.

O Reflexo de Babinski é um reflexo plantar (da sola do pé) que indica lesão na medula espinhal (nos cordões nervosos que formam o Sistema Nervoso SNC. Suas causas podem ser: anemia perniciosa, anestesias, ataxia de Friedrich, acidente vascular cerebral (AVC); encefalopatia hepática, esclerose lateral amiotrófica (ELA), hipóxia. meningite, traumatismo craniano, poliomielite dentre outras.

b) a hemiplegia bilateral – é a paralização que ocorrer com os membros do mesmo lado do corpo, ou seja, com o braço e a perna do lado direito ou do lado esquerdo.

c) A quantidade de membros paralisados recebe a seguinte classificação:
·         monoplegia - um só membro (superior ou inferior)
·         diplegia – dois membros, podendo ser os dois braços, duas pernas ou um braço e uma das pernas. Ocorre em 10 a 30 % dos pacientes, sendo a mais comum em prematuros.
·         triplegia – três membros afetados podendo ser os dois braços e uma perna ou as duas pernas e um dos braços. 
·         tetraplegia ou quadriplegia – os 4 membros são afetados. Ocorre de 9 a 43% dos pacientes. A lesão é difusa e bilateral no sistema piramidal, com tetraparesia espastica com intensa semiflexão


Dependendo do tamanho da lesão, outras áreas podem ser afeitadas e é o que chamamos de comorbidades:

BOCA – o indivíduo pode ter os movimentos da boca afetados, causando a:
·     Dificuldade com a fala – a fala fica comprometida quando os músculos da boca estão afetados. Os problemas com a linguagem vão desde a dificuldade de pronunciar certas letras, ou palavras até a dificuldade completa da comunicação (afasia).

·    Disfagia, ou seja,  dificuldade em mastigar e engolir. É um obstáculo físico à passagem dos alimentos pela região orofaríngea porque os músculos ficam paralisados. Acrescenta-se ainda a dificuldade de cerrar os lábios e de controlar a saliva.

FARINGE – ocorre o atraso ou a inexistência dos movimentos que levam o alimento até o estômago. É conhecido como parésia dos músculos faríngeos. O termo parésia vem do termo paralisia.

ESTÔMAGO – ocorre a dificuldade encontrada nos músculos do estômago. É conhecida como parésia dos músculos estomacais.

OLHOS -  ocorre quando a lesão alcança a região dos olhos e é muito comum na paralisia cerebral. Pode causar desde a baixa visão, a perda do campo visual num dos lados do corpo contrário ao da lesão de um ou nos dois olhos, devido a um dano na artéria cerebral. Isto significa que a região da lesão se encontra no cerebelo. É conhecida como hemianopsia. Pode ocorrer também o estrabismo.

NOS MEMBROS - E conhecida como hipoestesia. É uma diminuição da sensibilidade ao toque (espécie de adormecimento) em determinadas partes do corpo, devido a hipotrofia dos segmentos. Essa insensibilidade pode ser térmica, dolorosa ou profunda.

DEFICIENCIA INTELECTUAL - Ocorre de 30 a 70% dos pacientes. Está mais associada às formas tetraplégicas, diplégicas ou mistas. Em muitos indivíduos que foram criados com superproteção, tem-se a impressão que são deficientes intelectuais. No entanto, não são embora haja uma deficiência intelectual, pode ocorrer um rebaixamento intelectual, devido aos pais, parentes e outras pessoas próximas que os acostumam a fazer tudo para eles, por eles e no lugar, gerando com isto uma acomodação.

EPILEPSIA - Varia de 25 a 35% dos casos, ocorrendo com a forma hemiplégica ou tetraplégica.

DISTÚRBIOS DO COMPORTAMENTO: comumente ocorre com as crianças com inteligência normal ou limítrofe. Sentem-se frustradas devido às limitações motoras, agravadas pela superproteção ou rejeição familiar.

DISTÚRBIOS ORTOPÉDICOS: mesmo submetidos à reabilitação, são comuns as retrações das fibras dos tendões em 50% dos casos. Em 15% dos casos, há a presença de cifoescoliose, ou seja, cifose + escoliose, e/ou a presença da coxa valga.

A cifoescoliose é caracterizado por um deslocamento ou desvio que atinge a coluna vertebral na altura do tórax. É o chamado “corcunda”, uma curva anormal dessa região. A consequência é uma postura inapropriada da coluna vertebral, o que provoca um desgaste progressivo da cartilagem intervertebral. É a mais comum.


Por outro lado, pode haver a coxa valga. Esta é uma deformidade congênita dos ossos que formam a “bacia”. Neste caso, o fêmur não se alinha com o eixo do corpo de forma normal, forçando os joelhos a voltarem-se para dentro. E também conhecida como “perna de vaqueiro” (Brasil). A coxa valga atinge 5% dos casos de Paralisia Cerebral.

Muitas pessoas com Paralisia Cerebral também apresentam a hipomímia, ou seja, a diminuição da capacidade de se expressar por gestos ou pela expressão facial.

É preciso reafirmar que há diferenças entre os portadores de Paralisia Cerebral. Essas diferenças dependem da intensidade do distúrbio.  Isto significa que para umas pessoas o distúrbio é mais leve, para outras é moderado e para um terceiro grupo o distúrbio é severo. E mesmo nestes níveis ainda há gradações. Os menos afetados podem ser mais facilmente recuperados e adaptam-se à vida com mais facilidade. Já os mais comprometidos as chances de recuperação e de adaptação diminuem sensivelmente. 


CONTINUA