sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

DOMÍNIOS



Quantas vezes nas reuniões pedagógicas você, professor(a), não disse que certo aluno não dominou este ou aquele conteúdo? E vocês pais,  na reunião de pais e mestres quantas vezes  ouviram isso?  Por domínio, os professores dizem e os pais entendem, como “não aprendizagem”, Mas, essa significação está equivocada.

Então, o que são domínios?

Sabemos que o cérebro é um órgão complexo, com funções muito mais sofisticadas e com uma rede interrelacionada umas com as outras para que possa comandar todo o nosso corpo.

Sabemos também que os hemisférios cerebrais atuam em conjunto, recebendo e enviando informações, mas cada qual tem sua tarefa própria: o hemisferio esquerdo lida com as questões mais racionais, enquanto o hemisfério direito, as questões mais emocionais. E ambos interagem para que possamos construir o conhecimento, Esse conhecimento provoca mudanças em nosso comportamento. E, através das aprendizagens, mostramos essas mudanças.

São mudanças pequenas, quase imperceptíveis aos nossos olhos, e que ocorrem a nível cerebral. Os domínios são fontes primárias do comportamento, responsáveis pelas aprendizagens e mudanças.

Todo ser humano é dotado de três domínios: o cognitivo, o psicomotor e o afetivo.

O domínio cognitivo envolve a utilização das capacidades mentais, da memória, da linguagem, das noções e conceitos, das expressões e das funções operatórias.

O domínio psicomotor envolve a capacidade de adquirir técnicas, habilidades e destrezas,   ou seja, saber como fazer, realizar com rapidez e eficiência.

O domínio afetivo envolve a aquisição das atitudes e dos hábitos de conduta social, dos valores, dos interesses pessoais e coletivos, das idéias e opiniões.

Esses domínios são utilizados para tudo em nossa vida. Desde as aprendizagens mais simples até as mais complexas, como as escolares. Portanto, dizer que uma criança não "dominou" um certo conteúdo não é correto. Melhor seria dizer que a criança não "assimilou" ou "não aprendeu ainda".

fontes:
Apontamentos de aula de Neuropsicologia e de Prática Psicopedagógica.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

COLAGEM COM GRÃOS


OLÁ PESSOAL!

Hoje eu trouxe para vocês um outro tipo de colagem: a de grãos. Qualquer grão serve (arroz, feijão, milho, ervilha seca, lentilha etc) e ficam muito bonitos.

Sozinhos ou em conjunto com bricolagem ficam sempre um charme. Mas, esta técnica requer um cuidado especial: depois de seca a cola que prende o grão, é preciso dar uma demão de cola branca pura para evitar que criem bichinhos e destruam os trabalhos.

Esta borboleta foi coberta com arroz. Durante  a demão 
de cola pura, foi polvilhado gliter verde. dando essa aparência
 meio escura aos grãos de arroz.

Esta outra, foi coberta com feijão.

Este trabalho foi utilizado uma tecnica mista de bricolagem (apara de lápis) e grãos de arroz para formar o trigo. Os graos  receberam a numa demão de guache amarelo e, depois de seco, a demão de cola branca.

Todos estes trabalhos servem como mote para uma porção de trabalhos orais e escritos e em várias disciplinas (basta utilizar a interdisciplinariedade). Ajuda na coordenação motora fina e desenvolve a criatividade.

MÃOS Á OBRA E... 

DEIXE A CRIATIVIDADE FUNCIONAR!

sábado, 3 de dezembro de 2011

A ESTRUTURAÇÃO TEMPORAL

Os homens e tempo convivem em íntima relação. O termo “tempo” não se refere às horas ou ao calendário. mas, aos momentos de mudança nos acontecimentos.

Engajados no tempo, os homens nascem, crescem e morrem. E as atividades praticadas ao longo da vida são uma sucessão de mudanças.

À noite dormimos e durante o dia nos mantemos acordados e em atividade. O sono ou a vigília depende de uma necessidade biológica e pelo hábito. Ao contrario do espaço, da velocidade, das ações e dos movimentos que são facilmente percebidos, o tempo (desta forma) passa despercebido. Por esta razão, a criança tem que construir o tempo a seu modo e com os recursos que possui, Assim, é comum ouvirmos as crianças pequenas dizerem: “Ontem eu vou ao cinema.” ou “ Amanhâ eu fui na casa da vovó.”

As crianças pequenas vivem e agem no presente. Por não conseguirem ir além do vivenciam, o conceito de passado se mistura ao presente e o futuro é um acontecimento vago e indefinido porque ainda não conseguem perceber que os fatos se sucedem num determinado tempo.

Perceber a seqüência do tempo e a sucessão dos fatos exige um grande esforço mental por parte da criança. E este esforço leva algum tempo até que haja um avanço cognitivo.

Compreender e estruturar  o tempo é um processo. E como tal, se dá por etapas.Inicial-mente, as crianças estão preocupadas em conhecer o próprio corpo e as possibilidades de movimentos e ações que ele lhe oferece. Este conhecimento do corpo não se desliga do espaço externo, nem do tempo.

As percepções das crianças vão acontecendo aos poucos. Assimilam e associam os gestos e movimentos corporais ao espaço e ao tempo, juntamente com conceitos e noções de velocidade, de duração dos movimentos, de ordem, de sucessão e  de alternância entre os objetos e as próprias ações. Aos poucos, também percebem a noção de momentos do tempo, como o do instante, do momento exato, da simultaneidade, da sucessão. A partir daí passam a organizá-las e a coordenar as relações com o tempo.

A representação mental de tempo e de suas relações ocorrem bem mais tarde, quando as crianças (por volta dos 5 anos) se tornam capazes de trabalhar com o simbólico,  quando então, poderão realizar novas associações e transposições necessárias para o aprendizado das disciplinas e para a realização das tarefas escolares.

Para que as crianças possam aprender a ler, a escrever e a realizar os cálculos matemáticos  é necessário que tenham compreendido que as palavras e os números são uma sucessão, As primeiras de sons; os segundos, de quantidades. Devem ter aprendido ainda a reconhecer cada som, sua freqüência e duração. Ter percebido o ritmo e a melodia existente nas palavras e frases. Ter desenvolvido a capacidade de diferenciá-los e de memorizá-los auditiva-mente. Por isso, linguagem e tempo estão intrinsecamente relacionados

Fonte:
OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: educação e reeducação num enfoque psicopedagógico, Petrópolis, RJ, Ed. Vozes, 1991

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

CONTOS DE FADAS - MAGIA E ENCANTAMENTO

Quem ainda não presenciou uma criança pedir licença a uma cadeira ou outro objeto qualquer para poder passar de um lado para outro? Quem nunca observou uma menina brincar com sua boneca e tratá-la como gente?

Pois é, as crianças (dos 3 aos 5 anos) pensam que os objetos possuem vida. Isto porque seu pensamento é animista, ou seja, animais, plantas e objetos sentem, pensam e falam como pessoas.

Os adultos, inconformados com essa atitude das crianças e  acreditando que devam mostrar a realidade das coisas, perdem longo tempo com explicações, porque este é o tipo de seu pensamento: racional. Mas, apesar de todas as explicações que lhes são fornecidas, as crianças não compreendem e não acreditam porque o pensamento racional dos adultos as deixam confusas.

No pensamento animista, príncipes e princesas serem transformados em animais ou pedras é natural, já que estas coisas falam, pensam e agem como uma pessoa qualquer.

A linguagem dos contos de fadas está de acordo com o pensamento animista e a mesma visão de mundo da criança. E, por isso, elas confiam mais nos contos do que nas explicações dos adultos.

Por outro lado, são as transformações mágicas que ocorrem nos contos de fadas que respondem às dúvidas das crianças. E isso lhes dá segurança porque as crianças compreendem essas transformações com algo natural.

Tirar as fantasias das crianças e mostrar a realidade nua e crua antes que ela atinja um pensamento mais racional é trazer problemas emocionais como os de baixa auto-estima, de autoconfiança, de se sentir impedida de criar e de imaginar. Esses problemas refletirão mais tarde, quando entrarem na escola, onde terão enorme dificuldade na compreensão da leitura e nas produções de textos. 

Fonte:
BETTELHEIM, Bruno. “A Psicanálise dos Contos de Fadas”, Ed Paz e Terra,

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MOSAICO

Olá pessoal.

Hoje trouxe os mosaicos. Uma  técnica de colagem interessante e de resultados bonitos. Além de tudo, é muito fácil. Recorte ou peça para as crianças recortarem pequenos pedaços de papel de diversas cores (você pode aproveitar sobras de papéis). Depois, é só colar de acordo com o desenho que você quer ou que eles próprios desenham.


Estes mosaicos foram feitos com sobras de EVA e ficaram uma graça. Os desenhos foram feitos pelas próprias crianças. (Trabalho dos alunos da profª ÉRICA, do Colégio S. Bárbara, São Mateus, SP).

MÃOS A OBRA!!!
(envie fotos dos trabalhos de seus alunos que eu publico)

domingo, 20 de novembro de 2011

PERTURBAÇÕES DO ESQUEMA ESPACIAL


Qualquer coisa que perturbe a formação da noção de espaço ou do estruturação do espaço pode trazer conseqüências  para a criança como por exemplo:


a) NA VIDA
    
   Apresentam sentidos confusos com relação à direita ou esquerda, horizontal ou vertical, antes e depois, e a noção de entre (estar no meio de duas coisas).
   Geralmente, apresentam problemas de relacionamento com outras pessoas porque são espaçosas demais ao ponto de incomodar os outros
   São bagunceiras demais e deixam tudo espalhado.
   São pessoas desastradas, pois engancham e esbarram em tudo o que vêem pela frente porque calculam mal as distâncias.
  
b) NA ESCOLA

     Não respeitam as linhas, as margens nos cadernos.
     A organização dos cadernos é confusa. 
    Não separam um exercício do outro, não pulam linha. E quando o fazem, pulam linhas demais.
    Escrevem ou desenham em qualquer espaço (ora deixando tudo amontoado, ora pulando folhas). Quando desenham, o trabalho fica pequeno ou grande demais para a folha



Fontes:
BRIKMANN. A Linguagem Do Movimento Corporal. Summus, 2003
MEUR E STAES. Psicomotricidade: Educação e Reeducação, Manole, 1991
RAPPAPORT AT COL, A Idade Pré-escolar, EPU, 2000

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

SÍNDROME DE CORNÉLIA DE LANGE

Esta é mais uma das muitas síndromes raras. Sua origem é um erro de duplicação do braço longo do cromossomo 3. Como não existe um meio de se identificar o erro genético durante o pré-natal, o diagnóstico só pode ser feito após o nascimento. Mesmo assim, há uma demora no diagnóstico, pois os médicos só pensam nesta síndrome como última alternativa.

Esta síndrome tem como característica o nascimento de bebês pequenos, com choro do tipo rosnar baixo. Apresentam braquicefalia (união do osso frontal com os ossos parietais), orelhas pequenas, pescoço longo, boca de carpa,  nariz pequeno, sobrancelhas atrofiadas em meio a um crescimento exagerado de pelos por todo o corpo (hirsutismo) e malformações das mãos. Apresenta ainda um retardo do crescimento (evidenciado por baixa estatura ) e retardo mental severo.

Possuem microcefalia e características faciais particulares da síndrome, junto às características familiares. Rosto redondo, lábios finos e levemente invertidos, pestanas longas e sobrancelhas unidas ou muito juntas. Mãos e pés  pequenos com os quintos dedos encurvados, podendo ocorrer ou não uma membrana entre o 2º e o 3º dedos dos pés.

Como comorbidades estão: o atraso de linguagem, anomalias cardíacas, intestinais, refluxo gastroesofágico, problemas visuais e auditivos, muita sensibilidade à dor, devido ao tato ser mais aguçado, além de dificuldades na alimentação.

Devido a alta freqüência das dificuldades alimentares e gastroesofágicas, 77% dos bebês podem chegar a óbito por apnéia ou por asfixia por engasgos ou aspiração, o que exige observação constante e aconselhamento médico precoce, bem como medidas terapêuticas ou cirúrgicas (se necessário).

Como as anomalias cardíacas e renais estão presentes, os portadores desta síndrome devem passar por constantes avaliações médicas.

Otites crônicas e perda de audição devem ser levadas em conta, pois são freqüentes e impedem que a capacidade de comunicação se desenvolva normalmente.

Todas as medidas preventivas devem ser tomadas para evitar infecções urinárias, bucais e alterações articulares. A correção dentária é essencial.

As alterações cognitivas e comportamentais estão presentes na idade escolar. Na puberdade, pode ocorrer o hipogonadismo (atrofia dos testísculos e ovários), no entanto, são mais freqüente nos meninos. Mas, há um déficit hormonal considerável em ambos os sexos.

fonte:
Apontamentos de aula de neuropsicologia