terça-feira, 29 de maio de 2012

ENSINANDO O SOM DAS LETRAS


2ª aula

Depois de trabalhar bastante e realizado uma porção de atividades de reconhecimento da  forma da letra ensinada, vou para o som da letra. Para isso, utilizo o método fonovisuoarticulatório ou “método das boquinhas”.

Este método consiste em se valer de estratégias fônicas (fonemas / sons), visuais (grafema / letra) e articulatórias (articulema /boquinhas) desenvolvidas por fonoaudiólogos com parceria de pedagogos.  É indicado para alfabetizar qualquer criança, além de reabilitar os distúrbios da leitura e da escrita.

A justificativa é a seguinte: para que se possa ler é necessário que se faça uma descodificação, isto é, que as palavras façam sentido. Mas, para isso, é preciso que a criança reconheça a relação existente entre os sons da língua falada e as letras que são suas representantes.

Por outro lado, as crianças ouvem as palavras como um todo. E para que façam a relação entre o que ouvem e as letras do código alfabético é preciso que desenvolvam habilidades de consciência fonológica. Pois bem, este método permite que se forme essa consciência através da percepção da posição da língua, lábios e abertura da boca.

Como se faz isso? A criança observa a boca de quem fala. Ouve o som e tenta imitar. Repete-se algumas vezes e ela imita. Depois, mostra-se um espelho e pede-se que ela repita o movimento observando-se no espelho.

 Algumas crianças acham graça. Riem e se divertem. E é aí que este momento se torna importante, pois brincando, a criança realiza a analise do som de cada letra, observando em si mesma a posição da língua, dos lábios e boca.

ATIVIDADES

1- Pode-se iniciar com a observação da localização de palavras com "A" inicial em jornais e revistas. Circular, colorir ou recortar a letra ou a palavra.

2- Completar palavras com a letra estudada, com letras em cartões, alternando ora de imprensa, ora cursiva..

3- Dizer palavras que conhecem que comecem com "A" (ou outra letra qualquer)

4- Colorir os "A" que aparecem no final ou meio das palavras escritas no caderno, folha ou lousa.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

INICIANDO A ALFABETIZAÇÃO COM DEFICIENTES


Dominados os conceitos básicos, as crianças estão aptas para se alfabetizarem. Eu começo pelas vogais e uma de cada vez. Utilizo, segundo Montessori, uma lição de 3 tempos.

(1ª aula)


1º tempo: APRESENTAÇÃO DA LETRA.

Apresento a letra “A” de imprensa maiúscula e minúscula com uma figura que facilita a relação nome-letra e o som.

2º tempo: CONHECENDO A FORMA DA LETRA.

Mostro a letra de um Alfabeto Móvel. Este material tem letras soltas e pode ser construído com EVA, madeira, papelão ou outro material resistente. Deixo que peguem e sintam a forma da letra, trabalhando também a parte sensorial.


3º tempo: LOCAL DE USO

Mostro a letra “A” e o “a” em livros, revistas, jornal etc. apontando-as nos títulos, por serem mais visíveis. Depois, peço que encontrem e me mostrem outras  repetindo o som (chamo de “barulhinho”). A mesma seqüência e as mesmas atividades podem ser aplicadas quando da apresentação da letra cursiva. 

 


Após essa seqüência uma série de atividades pode ser realizada, tais como: 

  • colorir as letras “A” ou  “a” colocadas num desenho divertido ou em  palavras; 

  • separar a letra estudada em meio a outras, seja com o alfabeto móvel, escritas em quadrados ou círculos de cartolina, collor-set ou  papel cartão, 


  • Colorir ou desenhar dentro de um “A” ou “a” bem gordinho. A criança pode desenhar o que quiser, pois a intenção é fixar a forma da letra. Mostro aqui um G, para mostrar que pode ser usado com qualquer letra.
  • Desenhar um A com contorno grosso e deixar a criança recortar com a mão ou com a tesoura. Ajuda a fixar o contorno da letra.
  • Recortar letras de jornal ou revista com tesoura e colar numa folha.
  • Circular ou colorir com canetinha "hidrocor" palavras recortadas de jornais ou revistas,
Estes exemplos são uns poucos exemplos e, muitas vezes, precisamos muito mais. Mas, sei que pais e professores são criativos e podem encontrar outras formas. O importante é que as atividades sejam variadas para que a(s) criança(s) sintam que estão progredindo. Outra coisa importante é que as figuras que forem apresentadas devem ser bem coloridas por duas razões: uma, porque o colorido atrai a atenção dos deficientes; a outra, eles aprendem a valorizar o trabalho dos outros, sem que seja necessário fazer palestras sobre isto.  

Não precisamos dar tudo de uma vez. Mais vale um pouco bem trabalhado, sentido e experimentado do que muito. na correria.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

LEUCINOSE

ERROS INATOS DO METABOLISMO




Todas as nossas células e fuidos corporais possuem um complexo multienzimático mitocondrial-alfa-cetoácido-desidrogenase de cadeia ramificada. Atuando sobre esse complexo existe uma enzima específica e única. Quando essa enzima sofre uma mutação genética, ela deixa de cumprir sua principal função, no todo ou em parte. Quando isto acontece, surge uma anomalia neurológica que é degenerativa chamada “leucinose”.

Os recém-nascidos geralmente não nascem com anormalidades. Mas, após o 4º dia do nascimento, a acidose (acidez) que essa enzima provoca já está presente no plasma do sangue do bebê.

Por isto, o diagnóstico deve ser bem precoce e iniciar um tratamento alimentar com baixo teor de aminoácidos e de proteínas, para evitar a morte e diminuir os efeitos neurológicos. Mas, esta é uma doença rara e pouco conhecida. Foi detectada em 1954, na Pensylvânia. No Brasil, o único caso de que se tem notícia foi detectado em 1963, mas aqui não se tem pesquisado, nem feito registros convincentes sobre essa doença.

Para os que sobrevivem a ela, os principais sintomas são: estatura baixa, crises convulsivas, espasticidade (descontrole dos movimentos), vômitos constantes, anorexia e a urina possui um cheiro forte e característico de xarope de bordo.

O tratamento deve perdurar a vida inteira, mas mesmo assim, os efeitos degenerativos ainda ocorrem, mesmo que lentamente.

O que se sabe sobre essa doença metabólica é que: 
  • o gene onde essa mutação ocorre não foi encontrado.
  • a união entre parentes próximos pode aumentar as chances de os filhos nascerem com doenças metabólicas.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

DIA DAS MÃES


Á todas as leitoras que são mães ou que serão em breve. E, em especial, para a minha mãe que está olhando por mim de outra dimensão. Saudades imensas e amor eterno..

sábado, 5 de maio de 2012

COLAGEM COM ALGODÃO

Olá, pessoal!

Na última Páscoa. uma atividade sensorial foi muito bem aceita pela meninada. A atividade constituía em colar algodão colorido em um desenho de coelho, como atividade comemorativa da data. É uma técnica que requer uma certa habilidade. Por isso, ela é bastante rica. Trabalha a coordenação motora, a textura, a ideia de repartir igualmente e de proporção, senão o resultado não fica bom. É uma técnica que pode ser aplicada a qualquer idade e com deficientes também.

As crianças gostaram muito! Mas, esta atividade não precisa ser apenas com coelhos e outros bichos. Podem também preencher flores de um tamanho razoável ou outro desenho qualquer que combine com esta atividade. Para facilitar desta vez, utilizei o mesmo motivo para todos.  Vamos ver como ficaram?

  

Usei o algodão de bolinhas e cada criança escolheu uma entre as cores disponíveis.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

ENSINANDO CONCEITOS BÁSICOS

TRABALHANDO COM DEFICIENTES INTELECTUAIS SEVEROS e 
COM PROBLEMAS MOTORES

O trabalho é mais lento, mas tem seus efeitos. Mesmo sem poderem movimentar-se, podem sentir sensações. E a água é uma  rica fonte delas.

Colocar os pés ou as mãos na água é um dos exemplos. Neste caso, podemos variar a temperatura da água (do gelado ao quente, com cuidado para não queimar) trazendo a essas crianças um pouco do conhecimento da vida e dos conceitos de quente e frio.
 

Trabalha-se um conceito de cada vez. Depois, uma mão ou pé no quente e outro no frio para perceberem a diferença.

Não esqueçam de nomear cada conceito, todas as vezes que eles forem trabalhados. A criança pode não saber ou não conseguir repetir o conceito, mas aprenderá a identificar pela sonoridade das palavras.

Estes exercícios servem para todos os alunos com e sem deficiência, principalmente, os da Educação Infantil.


TRABALHANDO OS CONCEITOS DE DENTRO E FORA

a) MODERADOS E COM MELHORES CONDIÇÕES MOTORAS

Com pareamentos, jogos de separar e juntar podemos ir trabalhando outros conceitos básicos. Conceitos importantes para a alfabetização são os conceitos de dentro e fora.


Para começar, arranjem uma cesta ou caixa com uma porção de objetos dentro. Tirar e colocar esses objetos ensinará concretamente essas noções. Variar os brinquedos a cada atividade. 

Para variar, e dependendo das condições da criança, podemos criar uma série de jogos feitos com papel. como estes, por exemplo

 

E também com materiais alternativos, como:

 
colocar moedas no cofre      introduzir palitos em 
                                                   um balde furado

Além dos conceitos citados, trabalham-se também a coordenação motora fina, a preensão e a coordenação viso-motora, pois para realizarem estas tarefas é preciso olhar o que estão fazendo.

(Sugestões da Johanna Melo Franco, terapeuta Ocupacional do blog Terapia Educacional Infantil e que adaptei à minha realidade).  

b) LEVES E MODERADOS COM MOBILIDADE

Uma boa pedida é mexer com o corpo em brincadeiras como entrar dentro de caixas de papelão ou de plástico. Com duas ou 3 dessas caixas unidas pode-se fazer um túnel. 


Para variar, esses túneis podem ser feitos com cadeiras virando-as de costas uma para outra e deixando um espaço que será coberto por um lençol. 


Outra variação, é colocar algumas cadeiras (uma ao lado da outra) e a criança passa por baixo.

Outras alternativas são: pneus velhos e os bamboles, com os quais pode-se inventar mil e uma brincadeiras. Colocados no chão ou em pé são ótima opção. Quem tiver “parquinho” na escola pode aproveitar os brinquedos para entrar e sair.
 


Com um cobertor ou lençol pode-se fazer uma “caverna” ou uma “toca”. Contar uma história e fazer a criança entrar, experimentar sensações e sair. 
Existem outras brincadeiras como:  
 
 “Coelho, sai da toca”                      “Amarelinha”         e tantas outras.

Depois de explorar bem esta parte concreta, pode-se ir para o papel. Jogos de colocar ou colar dentro ou fora (exs anteriores) servem para fixar as noções e iniciar a criança nas questões escolares.

O interessante, nestas atividades, é que todos os alunos podem participar. Mesmo não tendo uma deficiência, muitas crianças não tiveram oportunidade de trabalhar esses conceitos na vida real. E elas fazem falta. Você perceberá isto durante a brincadeira e resolverá, não só o problema de um ou dois alunos, mas de muitos. Unindo a todos numa brincadeira que, com certeza será muito prazerosa, você estará praticando a inclusão.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

ENSINANDO O DIFERENTE EM UMA IGUALDADE

TRABALHANDO COM DEFICIENTES INTELECTUAIS

Muitos professores da Educação Infantil ensinam que, o diferente em um conjunto é aquele elemento totalmente contrário ao grupo.  Nestes casos, os diferentes são tão flagrantes que todos o descobrem.

 

É um bom exercício inicial, mas, não pode ficar somente nisto. Observar as diferenças entre os objetos requer uma habilidade de percepção mais apurada. Habilidade de perceber detalhes, como os de forma, de cor, de tamanho, direção e posição. Habilidade que é importante adquirir tanto para os deficientes, como para os não deficientes.

No caso de crianças com deficiência intelectual é necessário que esta habilidade seja muito bem trabalhada, uma a uma, até que as dominem com segurança, pois uma das grande faltas está justamente na capacidade de perceber os detalhes.    Percepção esta que é fundamental para a alfabetização e sem a qual não conseguem notar os sutis detalhes de letras e números.

Vão aqui algumas sugestões e algumas dicas:

1- Comece com os detalhes de forma, como as figuras acima. Eles podem circular,marcar um X ou apontar dependendo das condições de cada criança.

2- Em seguida, os de cor. Elementos iguais podem ter cores diferentes.


3- Depois, pode inserir a ideía de direção: para cima, para baixo, inclinado, use figuras grandes e bem coloridas para chamar a atenção deles e poderem se concentrar mais facilmente. 


  


 
Trabalha-se aqui as posições e direções

Aqui inclui tudo: cor, forma, posição, direção e detalhes internos (ir acrescentando à medida que respondem coerentemente).


LEMBREM-SE:

REPETIR UM CONCEITO NÃO PRECISA SER SEMPRE DO MESMO JEITO. CRIE E  RECRIE VELHAS FORMAS  E INVENTE OUTRAS NOVAS.