sexta-feira, 29 de julho de 2011

OS DESENHOS E O EIXO FÍSICO-MOTOR

Assim,antes que comecem a desenhar, elas já estão sendo observadas e avaliadas. O modo como entram na sala, como andam ou sentam, se param e esperam ou se dizem logo o que querem fazer, se são mais ou menos agitadas, se são ou não curiosas, se procuram algo que lhes interessa ou lhes chamou a atenção revelam a motricidade geral.

Apresentada a tarefa, o modo como aceitam a folha e os materiais (lápis, borracha), se pedem régua ou se já partem para o desenho, falam de suas iniciativas.

A mão que leva para pegar o lápis, se usa a outra mão para segurar a folha ou não, como posiciona a mão contrária para apagar alguma coisa que saiu errado, dão indícios de sua lateralidade.

Desenhando, começam a revelar sua motricidade fina (até os 6 anos) ou da psicomotricidade (depois dos 7 anos). A forma como seguram o lápis, facilitando ou dificultando a execução do trabalho, revela sua capacidade de preensão. A forma correta é esta:
para canhotos e
para destros.
A pressão que o lápis exerce sobre o papel revela o tônus muscular. A forma do traçado, suas marcas e aspecto nos falam da fluência do movimento. As figuras desenhadas, reconhecíveis ou irreconhecíveis, os ângulos de certas formas,  revelam sobre forma como percebem cada objeto (percepção visual). 

A colocação das figuras, o tamanho e disposição no papel, falam da orientação espacial. 

Para os pequenos (até 6 anos) a presença de sol, lua, estrelas, nuvens, chuva é importante, pois revelam a orientação temporal. básica (dia e noite). Para os maiores (dos 7 anos em diante), essa orientação é observada pelo movimento das figuras,  ou seja, devem fazer alguma coisa.
 Nesta foto, o menino olha a paisagem. (criança de 10 anos)

As figuras humanas revelam a noção de imagem corporal e a idade com relação ao desenvolvimento do grafismo. Aqui, quanto mais idade, maiores são as exigências.
 Nesta foto está o desenho de uma criança de 10 anos. Observa-se a estrutura básica de uma figura humana, isto é, cabeça, tronco e membros. No entanto, para essa idade, as figuras deveriam revelar se são femininas ou masculinas. Outro detalhe importante é a ausência de detalhes do rosto. Porém, a figura menor mais a frente, possui orelhas exageradamente grande e ausência de braços ou dando a impressão de estarem presos ao corpo,  isto nos leva a crer (pela história que foi contada) que a criança em questão tem uma imagem corporal mal organizada, 

Além disto, todas as tarefas possuem um tempo estipuladodo (início-término). Há crianças que terminam antes desse prazo terminar e, outras, que vão além dele e nem sempre conseguem terminá-las. A rapidez ou a lentidão nos dão indícios do ritmo da criança.

Basicamente, é isto que verificamos. Mas, dentro de cada item, há ainda uma porção de coisas a serem verificadas.

MELLO, MIRANDA E MUSZKAT. Neuropsicologia. SP, Mennon, 2005.
Apontamentos de aula  (Arte-Terapia) 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

PROCESSOS MENTAIS E A APRENDIZAGEM (2)

SISTEMA DE PROCESSAMENTO DE CONTEÚDO


Tudo o que é percebido é levado ao cérebro. Lá dentro, dependendo do tipo  de informação, é encaminhada a um dos hemisférios. As informações não-verbais, ou seja, as que não exigem palavras, vão para o hemisfério direito. As informações verbais, ou seja, as que necessitam de palavras, vão para o hemisfério esquerdo.

São informações não-verbais as experiências e vivências, as atividades da vida diária, as imagens, sons, gestos, expressões faciais e mímico-gestuais, além de todas as sensações, sentimentos e emoções dos sujeitos diante de tudo que existe no ambiente. São informações verbais os sons da fala, o raciocínio verbal, o vocabulário, os cálculos, a leitura e a escrita.

Assim, cada hemisfério desempenha as funções que lhes cabe, que é a de processar a informação, ou seja, de distinguir, identificar, analisar, planificar uma resposta , sintetizar e guardar na memória específica de cada cada coisa e de cada hemisfério.

O hemisfério direito ainda associa tudo às sensações, sentimentos e emoções que surgiram no momento da percepção dos estímulos e  guardando-os na memória para voltarem à tona, cada vez que uma associação é solicitada. Exemplificando: todas as vezes que o inverno se aproxima, sinto o cheiro de flanela nova. Isto  porque, quando era criança, minha mãe costurava pijamas de flanela para meus irmãos e para mim. Eles eram macios e quentinhos. Este é um sentimento bom. Mas, uma informação pode estar ligada a sentimentos de dor, de medo, de tristeza, de frustração, etc.

Ao mesmo tempo em que cada hemisfério realiza sua tarefa de forma independente, eles também se comunicam entre si. No caso de minhas lembranças, falar, escrever ou ler algo sobre o inverno, faz com que o meu hemisfério esquerdo se comunique com o meu hemisfério direito e troque informações. É através dessa troca que sinto o cheiro da flanela nova, e que visualizo minha mãe sentada na máquina de costura, fazendo um pijama azul-claro com estampa de patinhos amarelos. Nesse caso, a informação “inverno” do hemisfério esquerdo se associou às informações do hemisfério direito “cheiro”, visão da mãe”, “a cor do meu pijama” e os detalhes dele “patinhos amarelos”. A sensação que tenho dessas lembranças são as de carinho e atenção da mãe para com os filhos. Portanto, uma associação positiva.

Com as crianças, principalmente em época de alfabetização, todo cuidado é pouco. Uma palavra, um gesto, uma expressão facial pode impregnar a criança de sensações negativas e criar bloqueios em torno do conhecimento, gerando as dificuldades de aprendizagens e o fracasso escolar.

Fonte:

Fonseca, Vitor da. Introdução às Dificuldades de Aprendizagem: Porto Alegre, RS, Artes Médicas, 1995

domingo, 24 de julho de 2011

MODELAGEM

ALÔ PESSOAL!


A modelagem, seja com massa plástica ou com argila, é sempre muito criativa. Ela ajuda na coordenação motora e nas destrezas manuais. E ainda serve como estimulante das terminações nervosas existente nas mãos e estimulando as sensações táteis. Hoje, trouxe para vocês a modelagem com massa plástica.

Mas não basta entregar o pacote de massinha, como é comumente chamada, para a criança e deixá-la fazer o que quiser.  Muitas crianças socam a massa ou a atiram de um lado para o outro, fazendo uma barulheira infernal, porque não sabem como trabalhar com ela. Proponha desafios, principalmente para essas crianças. Desafios com "vamos ver quem consegue". Lembre-se: tudo é um processo.e, como tal, tem etapas.

A primeira etapa é a de amassar a massa plástica ou plastilina com as mãos. As muito macias não servem para a estimulação, pois oferecem pouca resistência. As muito duras, também não, porque cansam logo. A intermediária é ótima para isso. Pode ser utilizada por crianças no início da alfabetização.

 A segunda etapa é a de a criança a fazer rolos. O rolo se consegue colocando a massinha sobre a mesa e fazendo-a rolar. Trabalham-se rolos grossos e depois os finos. O desafio é fazer rolos finos sem que a massa se parta. Se partir, a criança deve começar de novo.

A terceira etapa é a de se fazer bolas. Da mesma forma que os rolos, pode-se começar na mesa e, depois, apenas com as mãos. Faz-se bolas grandes, médias e pequenas. E outras bem pequenas em que as crianças tenham que rolar a massa entre os dedos. Enrolar a massa com os dedos, fazendo rolos ou bolas, estimula e melhora a preensão, principalmente, nas crianças com problemas motores.


A quarta etapa é construir pequenas figuras, como anel, pulseira, etc. Não são as figuras que estimulam, mas os exercícios que são feitos enquanto ela brinca e produz formas e figuras.


Por fim, está pronta para fazer o que quiser. E o resultado é sempre muito bom.


Boa atividade!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

COPIAR ENSINA A ESCREVER BEM?


Mal a criança aprende uma palavra básica, a professora já quer que a criança copie. E que copie corretamente. Então, tente copiar estas frases:

a) Ich liebe alle meine Kinder und großer intellektueller deaktiviert.

b) estimulaçãopedagógica

c) Eu amo todos os meus pequenos e grandes deficientes intelectuais.

 Qual foi a frase mais difícil e a mais fácil?

A primeira não foi fácil, mas até que você conseguiu. Mas a mais difícil foi a segunda e a mais fácil foi a terceira, não é mesmo? Você sabe por que?

Na primeira,  escrita em alemão,  como foram utilizadas letras semelhantes a que usamos, podemos copiar letra por letra, ou até mesmos de duas em duas ou de três em três, de uma só vez. A dificuldade maior ocorre porque não sabemos o significado e desconhecemos a  sonoridade das palavras.

Na segunda, desconhecemos tudo. O som, o significado e as letras impressas. Para copiá-las precisamos observar atentamente cada desenho, e assim mesmo, nem sempre fica perfeito. Além do mais, exige muito  mais esforço que a primeira.

Já a terceira foi fácil. Reconhecemos num relance cada palavra, as letras e o significado de cada uma. A chave da facilidade é pudemos "ler e entender o que copiávamos”.

Com as crianças em início de alfabetização é a mesma coisa. Para ler a crianças tem de fazer a correspondência entre: a PALAVRA IMPRESSA + o SOM + o SIGNIFICADO. Ex:

CASA  –  ca-sa  –

Já para escrever, a criança precisa identificar: o SOM + o SIGNIFICADO + a PALAVRA IMPRESSA.
Ca-sa  – - CASA

Será que a criança em início de alfabetizaçâo conhece todos os sons ensinados? Será que ela conhece um "urubu", um "helicoptero" ou um "quimono"? Outros professores partem  do cabeçalho da escola, da data ou do nome da professora etc. Será que a criança está preparada para isto?
  
Além disso, a criança precisa  fazer a discriminação de todos os detalhes das letras e do formato das palavras passadas na lousa. Depois, relacionar tudo aos sons, aos movimentos da boca para que possa pronunciar cada sílaba e, depois a palavra toda. Relacionar tudo isso aos movimentos necessários para traçar cada letra,  ligar tudo ao significado (conceito) para, somente então, reproduzir graficamente .

Mas, a criança ainda não sabe ler. Está começando a aprender conhecer ou a juntar as letras para formar as sílabas. Não sabe o que está escrito, nem conhece o significado do que está expresso ali. Por isso, a cópia se torna lenta, cansativa e ela se cansa logo. Existe, portanto, o desconhecimento da forma gráfica.

Emocionalmente, também é desgastante para ela. Nós podemos reclamar, esbravejar ou deixar para lá. Mas, a criança não. Por outro lado, a criança sabe, por intuição ou por ouvir dizer que será avaliada pelo que produz. E, se não fizer tirará nota baixa. Então, ela se esforça procurando acertar.

Mas, ao mostrar para a professora, esta reclama que está feio, que está incorreto, que não é daquele jeito. Algumas até brigam ou gritam com a criança. E assim começam as dificuldades de aprendizagens na escola, a aversão à escrita ou aos bloqueios de expressão gráfica.


 fonte:
MORAIS, Antonio M. P. "Distúrbios da Aprendizagem: uma abordagem psicopedagógica". São Paulo, Edicon, 1995.

terça-feira, 19 de julho de 2011

SINDROME DE ELLIS-VAN CREVELD

Esta é uma síndrome genética rara causada por mutações nos genes. Também é conhecida como “displasia óssea”.

Suas características são:
- Fendas palpebrais retas e nariz curto e baixo.
- Filtro labial longo.
- Na cavidade bucal, o palato é normal mas, há presença de sobra de tecido no músculo que prende a língua. O lábio superior é fino e preso á arcada dentária. Os dentes são falhos e quebradiços, já presentes no nascimento.
- Pescoço curto com sobra de pele.
- As orelhas parecem implantadas nas laterais da cabeça. Cabelos escassos e finos.
- Tórax estreito com base alargada. Parece longo devido ao encurtamento dos membros.
- Os membros e as costelas são curtos, provocando baixa estatura (nanismo)
- Há a presença de mais 1 ou 2 dedos na lateral das mãos, dos pés ou em ambos (polidactilia), com unhas defeituosas e fracas
Casamentos consangüíneos (entre parentes portadores da mutação genética proliferam a sindrome) Como é uma mutação herdada, podem ocorrer vários casos numa mesma família. Porém, a gravidade varia de pessoa para pessoa, embora todos tenham múltiplos órgãos afetados.

São frequentes os problemas cardíacos em metade dos portadores da síndrome, provocados por defeito no músculo que separa o átrio do ventrículo quer no lado direito ou esquerdo do coração ou em ambos. Um terço dos portadores da Ellis-van Creveld são nati-mortos devido aos defeitos no coração.

Dentre os efeitos dessa síndrome podem ainda ocorrer:
- A criptorquidia, que consiste no não descimento de um ou dos dois testículos para a bolsa escrotal e, conseqüentemente, atinge os meninos portadores da Síndrome,

- A epispádia, que consiste num defeito congênito causado pela má formação da uretra. Esse defeito faz com que a abertura uretral se localize mais abaixo do que o normal. Nos homens, essa abertura defeituosa pode se localizar acima ou abaixo do pênis, ou ainda dentro dele e em toda a sua extensão. Na mulheres, a malformação pode ocorrer entre o clitóris e os lábios ou no abdômen.

Pé eqüino varo congênito – consiste numa deformidade do pe causado por uma luxação do quadril, como efeito da mielominingocele, da Síndrome de Down, e de alterações do tecido conjuntivo, dificultando o andar. A correção cirúrgica deve ser recomendada após o 5º ou 6º mês de vida.
Retardo Mental – é um rebaixamento da capacidade intelectual. Provoca dificuldades na compreensão da leitura, da escrita e dos cálculos.

Fonte:

www.paulomargotto.com.br/

http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term=S%C3%ADndrome+De+Ellis-Van+Creveld&lang=3

www.brasilescola.com ›

www.health32.com/.

CRIANDO CENAS COM JORNAL

ALÔ, PESSOAL!

Que tal esta atividade para o reinício das aulas? Ela é muito simples. Basta uns pedaços de jornal, cola, tesoura e papel branco ou colorido. 

As crianças desenham, recortam e colam. Nada mais. E ficam muito interessantes. Depois, elas formam frases ou produzem um texto.

Para alunos deficientes que não conseguem desenhar, recorte algumas peças, como por exemplo, uma casa, árvores, flores, nuvens e sol. Depois, ele as cola da maneira que quiser. 



Se quiser incrementar, use algumas fotos coloridas de revista. Ficam mais bonitas. Mas, tudo é uma questão dos objetivos do professor ou vista como uma variação da atividade.

Esta atividade desenvolve: a criatividade, a imaginação e o grafismo. As habilidades  recortar colar e  a coordenação motora fina, a noção espaço-temporal, o raciocínio. Pode fazer parte de qualquer disciplina.

Boa atividade!

sábado, 16 de julho de 2011

O QUE DIZEM OS DESENHOS DAS CRIANÇAS (II)

Os desenhos infantis contam muito sobre as crianças que os fazem.

Para que o profissional possa compreender como  é a criança que desenha, deve observá-la realizando essa tarefa e ter o auxilio de uma bibliografia composta por renomados especialistas na qual se fundamenta. Em assim sendo, todo profissional busca informações sobre quatro eixos (ou aspectos) muito importantes: o físico-motor, o cognitivo, o afetivo-emocional e o pedagógico.

O  EIXO FÍSICO-MOTOR revela dados à respeito da motricidade (2 aos 6 anos) e da psicomotricidade (dos 7 anos em diante). Tanto uma quanto a outra são mostradas pelo comportamento das crianças. O mesmo acontece com adolescentes, jovens e adultos.

O EIXO COGNITIVO revela dados a respeito das funções cerebrais, ou zeja, como a criança percebe as coisas, como processa as informações percebidas e como as devolve ao mundo em forma de respostas. É, neste momento que os desenhos  e as expressãoes verbais e não verbais são importantes. Aqui também envolve a criatividade e a originalidade do que faz.

O EIXO AFETIVO-EMOCIONAL revela o tipo de relacionamentos que ela tem com o mundo, principalmente, com a família e a escola, no caso de crianças e adolescentes. Entram neste item os bloqueios e as fantasias.

O EIXO PEDAGÓGICO depende dos itens anteriores. É visto pela oralidade, o desempenho nas tarefas, na expressão corporal, e na capacidade de produzir algo escrito. Entram aqui o título da produção (que geralmente é tema de conversas), a produção de histórias orais ou escritas sobre a produção artística feita. 

E, dentro de cada eixo, verifica-se uma série de outros itens sobre os quais falaremos posteriormente. Por isso, somente olhando um desenho feito não dá para se conhecer uma criança e seus problemas. Essa análise seria parcial e com poucas informações.