quinta-feira, 17 de novembro de 2011

SÍNDROME DE CORNÉLIA DE LANGE

Esta é mais uma das muitas síndromes raras. Sua origem é um erro de duplicação do braço longo do cromossomo 3. Como não existe um meio de se identificar o erro genético durante o pré-natal, o diagnóstico só pode ser feito após o nascimento. Mesmo assim, há uma demora no diagnóstico, pois os médicos só pensam nesta síndrome como última alternativa.

Esta síndrome tem como característica o nascimento de bebês pequenos, com choro do tipo rosnar baixo. Apresentam braquicefalia (união do osso frontal com os ossos parietais), orelhas pequenas, pescoço longo, boca de carpa,  nariz pequeno, sobrancelhas atrofiadas em meio a um crescimento exagerado de pelos por todo o corpo (hirsutismo) e malformações das mãos. Apresenta ainda um retardo do crescimento (evidenciado por baixa estatura ) e retardo mental severo.

Possuem microcefalia e características faciais particulares da síndrome, junto às características familiares. Rosto redondo, lábios finos e levemente invertidos, pestanas longas e sobrancelhas unidas ou muito juntas. Mãos e pés  pequenos com os quintos dedos encurvados, podendo ocorrer ou não uma membrana entre o 2º e o 3º dedos dos pés.

Como comorbidades estão: o atraso de linguagem, anomalias cardíacas, intestinais, refluxo gastroesofágico, problemas visuais e auditivos, muita sensibilidade à dor, devido ao tato ser mais aguçado, além de dificuldades na alimentação.

Devido a alta freqüência das dificuldades alimentares e gastroesofágicas, 77% dos bebês podem chegar a óbito por apnéia ou por asfixia por engasgos ou aspiração, o que exige observação constante e aconselhamento médico precoce, bem como medidas terapêuticas ou cirúrgicas (se necessário).

Como as anomalias cardíacas e renais estão presentes, os portadores desta síndrome devem passar por constantes avaliações médicas.

Otites crônicas e perda de audição devem ser levadas em conta, pois são freqüentes e impedem que a capacidade de comunicação se desenvolva normalmente.

Todas as medidas preventivas devem ser tomadas para evitar infecções urinárias, bucais e alterações articulares. A correção dentária é essencial.

As alterações cognitivas e comportamentais estão presentes na idade escolar. Na puberdade, pode ocorrer o hipogonadismo (atrofia dos testísculos e ovários), no entanto, são mais freqüente nos meninos. Mas, há um déficit hormonal considerável em ambos os sexos.

fonte:
Apontamentos de aula de neuropsicologia

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TRABALHANDO A COORDENAÇÃO MOTORA FINA

Alõ pessoal!


Vivemos uma era de facilidades. O que antigamente era feito a mão, hoje existem máquinas. Criamos assim uma geração que espera e exige que tudo esteja nas mãos ou que tenha o mínimo de trabalho. Com isto, quem perde são nossas crianças. Os exercícios motores realizados no cotidiano são essenciais para o desenvolvimento da psicomotricidade. E quando não existem ou são ocasionais, esse desenvolvimento não acontece como deveria, ocorrendo prejuízos na coordenação motora fina. Uma boa letra requer uma habilidade simples e corriqueira: a preensão. 


Preensão é o movimento de pinça realizado pelo polegar e o indicador. Com este movimento pegamos coisas pequenas. 
Uma atividade simples é fazer e colar bolinhas de papel crepom. Para isto, você precisará de papel crepom na cor desejada e cortada em pedacinhos, um desenho (pintado ou não) e cola. Amassar os pedacinhos de papel crepom e apertá-los entre o polegar e o indicador formando uma bolinha. No desenho, escolha uma parte do contorno e traceje antes de tirar cópias. Você pode dar um colorido ou deixar que a criança o faça. 


          
Terminado o colorido peça que a criança cole as bolinhas sobre o tracejado. 






Ficam lindos os trabalhos e a criança adquire novas habilidades. 



A cada repetição desta atividade  acrescente uma dificuldade a mais. Vejam como ficaram os que realizei com meus pimpolhos.





Deixe a criatividade entrar em cena e, ..
MÃOS Á OBRA!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

CONTOS DE FADAS X CONTOS BÍBLICOS


È comum ouvirmos as seguintes frases: “Não faça isso porque o Papai do Céu não gosta”; “Criança bonita não age desse jeito”; “Que coisa feia! Deixa o Papai do Céu muito triste”, e muitas outras com o mesmo teor. Essas e outras frases estão baseadas nos contos bíblicos.

Tanto os contos bíblicos como os contos de fadas falam dos problemas existenciais humanos que são universais. O que os diferencia é a sua orientação. Os primeiros possuem uma orientação para o Divino. Os segundos para o relacionamento com outros seres humanos. E não há nada de errado com esses contos como literatura, a não ser o modo como nós, adultos, os utilizamos com relação às crianças. 

Os contos bíblicos dizem “como o homem deve ser e viver para conquistar o direito de entrar no paraíso. Nesses contos Deus pede aos homens que sejam bons, que respeitem o próximo, que controlem seus instintos negativos, seus sentimentos ruins e suas tendências inconscientes. Apesar de tudo, ainda será julgado para ver se pode (ou não) entrar no Céu.

Tudo isto fica muito confuso para a criança, cujo pensamento é animista (que os objetos tem vida) ou, evoluindo um pouco, um pensamento literal (acredita que se cumprirá o que foi dito). Além do mais, quando utilizamos o pedido de Deus com a criança, o fazemos em tom de ameaça: Deus não gosta, fica triste e te punirá.

Um outro ponto, é o que Deus pede aos homens: sublimar desejos, tendências e instintos. Se a criança está numa fase animista ou literal, será que ela compreende o que é ser bom? O que é respeitar o próximo se ela ainda está na fase egocêntrica? Se a criança nem ao menos se conhece, como poderá controlar seus pensamentos e ações no dia a dia? Se os instintos humanos são inconscientes até mesmo para os adultos, será que a criança entenderá esse pedido?

Evidentemente, concordo que devemos educar a criança e repreendê-la quando faz algo que não está correto. Mas, poderíamos deixar Deus de fora disso, pois em  vez de mostrarmos um Deus de amor e bondade, mostramos um Deus temperamental e vingativo que não a deixará entrar no Céu porque, num determinado momento, não fez o que Ele pediu. Mas, naquele momento, poderia estar incomodada com pensamentos de ciúmes, de raiva ou ódio por alguém ou por alguma coisa e reagiu de acordo com seus sentimentos e emoção.

Tendo um pensamento animista ou literal, a criança acredita que realmente Deus ficou zangado, triste e que Ele não a acha bonita e boa. Este acreditar gera sentimentos de culpa, que é muito mais nocivo para sua vida do que sua reação momentânea.

Já os contos de fadas trabalham as mesmas coisas e de uma forma que a criança compreende porque falam a linguagem das crianças. Eles mostram o jeito correto de ser, de agir e pensar dentro do pensamento religioso e sem que a culpa se instale. Por que não tê-los como aliados na educação das crianças?

Não quero com isto dizer que não se deva dar um ensino religioso para as crianças. Ao contrário, acho até muito importante, O que se pede é que se mude o discurso. Em vez de dizer que Deus não gosta, que tal dizer que Deus quer que a criança seja cada vez melhor?

Leia os textos anteriores.
Fonte:
BETTELHEIM, Bruno. “A Psicanálise dos Contos de Fadas”, Ed Paz e Terra,

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O DESENHO INFANTIL NA ESCOLA



Muito se tem falado sobre a importância do desenho infantil na vida e nas terapias. É importante que se ressalte sua importância na escola. Para começar vamos tecer um comentário sobre da importância desse desenho na educação infantil.

Depois das garatujas ordenadas, o grafismo infantil entra em franco processo de desenvolvimento. Um desenvolvimento que coincide com a passagem da criança pela Educação Infantil.

Infelizmente, nossas escolas e professores ainda não se deram conta da importância deste processo e o consideram como uma atividade menor, por estarem preocupados com o início do ensino das letras e da escrita. No entanto, o que querem e exigem dos alunos é uma conseqüência do bom desenvolvimento do grafismo.

Como uma atividade menor, o desenho infantil é utilizado para preencher uma lacuna na programação do dia. Geralmente, permitido num momento ocioso ou no final da aula para que fiquem quietos à espera do sinal. Mesmo que seja em outro momento, a atividade de desenho é recolhida e guardada num canto do armário para, mais tarde, ir para a pasta do aluno que será entregue aos pais no dia da reunião. Poucos são os professores que detém um olhar mais apurado sobre eles.

Se considerassem os desenhos infantis como importantes, perceberiam que os desenhos se transformam rapidamente. E são, nessas transformações, que as crianças mostram, flagrante ou sutilmente suas conquistas ou atrasos nos esquemas gráficos.

Mas, nossas escolas e professores estão preocupados com as letras, números e coordenação motora (evidenciando uma preocupação com o traçado das letras na escrita). No entanto, esquecem que até mesmo o processo gráfico é individualizado e que cada criança tem seu momento certo para para aprender uma coisa nova.

Assim como o da leitura e escrita, o processo gráfico também tem o seu momento de instalação, de desenvolvimento e de maturação neural. Dessas etapas dependem: as aprendizagens, a produção escolare o ritmo de trabalho. Mas, no nosso sistema educacional, as escolas e professores não querem saber da individualidade de cada aluno, já que para eles, é importante o “coletivo”. E é, por olhar sempre o coletivo e não “o individual em meio ao coletivo” que os absurdos acontecem, como o de priorizar os resultados sem levar em conta os processos.


Fonte:
LOWENFELD, V. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo: Mestra Jou, 1977.
MOREIRA, A. A. A. O Espaço do desenho: a educação do educador. São Paulo: Loyola,1984.

sábado, 29 de outubro de 2011

NOVOS PAPÉIS DE CARTAS

Olá, pessoal!

Devido o grande interesse pelos papéis de carta, trouxe outros para vocês. Realmente, ficam muito bonitos e as crianças gostam bastante. Além disso, são fáceis de fazer, e o custo é zero porque  pode-se aproveitar qualquer sobra de papel, fotos de revista ou de jornal. E podem ter qualquer tema. Confiram:


com colagem ou pintados a lápis



Agora, coloque a criatividade para funcionar!                                         

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O CÉREBRO E A ATENÇÃO


Segundo Fonseca (1995), a atenção depende da organização interna e externa dos estímulos. Ela é indispensável em tudo o que fazemos. Na escola, a atenção é essencial. Sem ela, as informações não são (ou são mal) recebidas e, portanto, não podem ser integradas.

A atenção depende do sistema nervoso periférico para captar os estímulos. Uma vez captados, ocorrem uma porção de estimulações no córtex cerebral, cuja finalidade é selecionar o que é importante para processar as informações e manter o estado de alerta.


As informações recebidas, transferidas de uma área para a outra e de um hemisfério para o outro, fazem com que as funções cerebrais possam orientar e dirigir a atenção para processar as informações e a fixá-las na memória. Para que a atenção se estabeleça precisa que outros processos entrem em funcionamento. São processos visuais, auditivos e tatilquinestésicos (tato + preparação para o movimento). Esses processos funcionam independentemente, mas de forma integrada e interligada para formar o sistema atencional. Acionado este sistema, a área motora é estimulada para entrar em ação, gerando o movimento como resposta.
 Para Mello, Miranda e Muszkat (2006). a atenção, a visão, a audição, o tato e o movimento trabalham juntos provocando uma reação no sujeito que chamamos de   comportamento. Por isso é que se observa a atenção da criança enquanto ela realiza uma atividade.
 Para desempenhar uma tarefa (desenhar, pintar, ler, escrever, etc), é preciso seguir algumas regras: ouvir o que se pede, compreender o que foi pedido, manter-se atento durante a atividade, manusear os instrumentos necessários com habilidade e olhar o que está fazendo. Portanto, o desenho, a pintura ou qualquer outra atividade serve de “pretexto” para que se observe sua atenção.
 A partir de então. podemos observar o seguinte:
1- Sobre a ordem dada:
a)      a criança desenha o que é pedido? (para saber se ela ouviu e compreendeu)
b)  ela desenhar outra coisa? Pode ser que ela não tenha ouvido ou não tenha compreendido. (o que merece investigação mais apurada)
2- Como age enquanto realiza a tarefa:
a)   Começa logo? Desenvolve e termina? Mantém-se atento e concentrado o tempo todo?
b)  ra, olha para os lados, levanta ou conversa?  Retoma o trabalho e termina-o ou não? "Enrola" para não terminar? As respostas a estas questões ajudam a compor o diagnóstico de "falta de atenção".

Ter problemas em um dos tipos de atenção não significa ter um déficit de atenção. Para se definir se existe falta ou déficit, exames mais minuciosos devem ser feitos devido a inúmeras causas envolvidas.


Fonte:
FONSECA, Vitor da. Introdução às Dificuldades de Aprendizagem: Porto Alegre, RS, Artes Médicas, 1995

sábado, 22 de outubro de 2011

ESTRUTURAÇÃO ESPACIAL



Este é outro pré-requisito para a leitura e para a escrita e diz respeito á possibilidade que o homem tem de se movimentar e agir nos diferentes espaços existentes. È, portanto, essencial para a vida em sociedade.

Essa estruturação é um trabalho cerebral que nos permite lidar com os espaços e nor relacionarmos com os objetos. Por meio dessa estruturação podemos selecionar, comparar, extrair e agrupar, classificar e categorizar os objetos. Como diz Kephart (1980) é a estruturação espacial quem nos leva a abstrair e a generalizar.

Assim como a imagem corporal, a estruturação espacial é aprendida, mas não pode ser ensinada. E essa aprendizagem ocorre quando a criança se movimenta e experimenta as várias posições do corpo nos vários tipos de espaço. Mais tarde, a criança percebe a relação entre seu corpo e entre os próprios objetos. Por isso, é importante que os adultos permitam o movimento e a experimentação da criança, para que ela perceba e se organize espacialmente.

São condições essenciais para a estruturação:
  • uma boa visão – permitindo que o cérebro aprenda a calcular e fazer estimativas rapidamente e de forma precisa com relação aos movimentos que o corpo executa no espaço.
  • movimentos cinestésicos – que permite identificar os objetos mais lentos
  • uma boa percepção auditiva – que estão ligadas á certos direcionamentos e ao tempo
  • uma boa percepção tátil – que nos permite captar as manifestações afetivas ou agressivas dos objetos ao nosso redor.

Essa estruturação tem início logo após o nascimento. No recém-nascido, a boca é o ponto mais próximo dos braços e mãos. As sensações percebidas com a boca e os movimentos reflexos que realiza com os braços, percebem e criam sensações de bem ou de mal-estares, ligando-se à afetividade.

Por volta dos 3 meses tem início a imagem corporal e dos 6 aos 9 meses, inicia-se a separação do corpo em relação ao ambiente.

Aos 3 anos, a criança já deve ter conseguido uma boa vivência corporal e, com isso, pode se locomover em diferentes lugares e pegar os objetos que desejar. A verbalização permite que ela expresse o que quer e o que sente. Os gestos diferenciados já ordenam suas atividades valendo-se da “classificação”. Também já é possível perceber a posição dos objetos e de se movimentar entre eles. Aprende as  noções e conceitos de “frente, atrás e no meio” devido a definição da lateralização, passando a utilizá-los verbalmente.

Aos 6 anos, aprende outros conceitos, como os de “situação” (dentro, fora, alto e baixo, longe e perto), de “posição” (em pé, deitado e sentado, ajoelhado e agachado e o de inclinado); de “movimento”(levantar, abaixar, empurrar, estender, girar, etc), de “qualidade” (cheio e vazio, pouco e muito, inteiro e metade, etc); de “superfície” (liso, plano, inclinado); de “volume” (leve, pesado, vazio).

Dos 6 aos 7 anos, a criança já é capaz de assimilar a orientação do espaço no papel, podendo organizar em uma folha suas escritas e desenhos. Na leitura, é capaz de se orientar graficamente, utilizando corretamente a posição das letras (p,b,q,d).

Na próxima postagem veremos as implicações da falta desta estruturação.


Fonte

OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: educação e reeducação num enfoque psicopedagógico, Petrópolis, RJ, Ed. Vozes, 1991