Como prometi, vamos ver cada sistema psiconeurológico mais detalhadamente, para que se compreenda como cada um funciona.
O SISTEMA DE PROCESSAMENTO DE CONTEÚDO
Quando uma luz forte atinge nossos olhos, os fechamos instantaneamente. Quando encostamos a mão numa panela quente, rapidamente retiramos nossa mão.
Isto acontece porque sob a nossa pele existem pequenas ramificações nervosas que sentindo a luz forte ou o calor da panela enviam essas informações por meio de impulsos nervosos ao cérebro. Mas, o cérebro não entende o impulso nervoso. Por isso, é preciso traduzir esses impulsos numa linguagem que o cérebro entenda, como se faz do inglês para o português. A isto chamamos de “transdução”. Nessa transdução, o impulso nervoso passa a ser um impulso elétrico. O cérebro, então, recebe a informação, identifica o que acontece, analisa, consulta os centros motores que planejam o movimento (solução do problema), enviam novamente ao centro de decisão do cérebro que envia uma resposta motora que, nos casos acima, correspondem a fechar os olhos ou retirar a mão. A resposta segue o caminho inverso. Há a conversão do impulso elétrico em impulso nervoso que corre pela medula, passa pelos nervos dos olhos ou da mão, prepara os músculos dos olhos e das articulações e músculos do braço e mão e, só então, executamos os movimentos. Tudo isto, em frações de segundo.
Com as aprendizagens ocorre a mesma coisa. Por isso, dependemos do bom funcionamento dos órgãos dos sentidos: tato, visão, audição, gustação e olfato.
Lembrar que o tato não está só nas mãos, mas no corpo todo através da pele.
A mão é apenas uma representação.
Nas aprendizagens do cotidiano dependemos de todos eles. Já as aprendizagens escolares dependem da visão, da audição e do tato e, em segundo plano, dos sentidos restantes. Mais especificamente, das lembranças olfativas e gustativas, quando forem requisitadas.
Bom funcionamento não quer dizer ver, ouvir e sentir apenas. É preciso mais. É preciso que esses órgãos distingam e identifiquem os estímulos vistos, ouvidos e sentidos.
Distinguir é perceber que, por exemplo, o quente é diferente do frio, do morno e do fervendo. Identificar é ter a certeza do que é quente. Dessas funções depende a resposta correta do cérebro. Caso contrário, o cérebro emitirá uma resposta confusa, imprecisa ou inadequada. É o que acontece com crianças que lêem e escrevem mal. Nem sempre essa dificuldade é um problema neurológico. Pode ser um problema visual ou auditivo.
Por isto, quando se pensar em colocar a criança na escola, não custa verificar se não há nenhum problema visual ou auditivo, antes de fazer a matrícula. Prevenir é sempre melhor do que remediar.
fonte:
FONSECA, Vitor. Introdução às dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre, RS, artes Médicas, 1995
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FONSECA, Vitor. Introdução às dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre, RS, artes Médicas, 1995
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