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domingo, 3 de novembro de 2019

Conversa de adultos 8 - OS PROGRESSOS DA FIGURA HUMANA

No final dos quatro anos, as figuras humanas desenhadas já são mais estruturadas. Já se pode perceber as três partes que compõe o corpo humano: a cabeça, o corpo e os membros.
Na cabeça aparecem os olhos e a boca, as orelhas e um projeto dos cabelos. É uma consciência mais aprimorado do que a criança percebe do seu corpo: os olhos com o qual vê as coisas, a boca com a qual se alimenta e os ouvido com os quais ouve os sons.
O corpo ainda está grudado a cabeça, porque ainda não o percebe com clareza. As pernas e braços ganham relevância e já se posicionam nos lugares quase corretos. Mas ainda desproporcionais: ora muito curtos, ora muito compridos. Outros elementos podem aparecer e só mostram o nível de consciência da criança que desenha a figura.

Aos 6 anos, as figuras já são mais completas. Embora o corpo ainda se apresenta grudado na cabeça, os braços e pernas há são mais proporcionais, aparecimento de pés e mãos. Os cabelos já mostram um certo movimento e está melhor organizado e mais farto. Algumas crianças mais precoces, tentam mostrar figuras em movimento. No entanto, esta conscientização depende da forma como essa criança foi estimulada positivamente para realizar suas experimentações.


Por volta dos 6 anos é a época em que os desenhos das crianças começam uma nova fase. É a “fase de criação dos esquemas”. O esquema é uma forma básica, um jeito fácil de que as crianças desenvolvem para desenhar o que querem ou o que precisam. 

E existe esquema para tudo: para flor, casa, carro, figura humana. Esses esquemas servem de base para o desenho de outros objetos. Ex: uma casa pode virar um castelo, um prédio ou uma mansão. Um cão pode se transformar num gato, numa onça ou num leão. Uma árvore comum pode ganhar frutos ou novos galhos e perder folhas. Pode ser uma árvore comum, num pinheiro, numa araucária etc. Um pato se transforma num lindo cisne, num gavião ou numa ave voando no céu.


Uma outra aquisição importante dessa idade é a “linha de chão”. É quando ela percebe que tudo fica sobre uma base e que nada fica flutuando no espaço. Para mostrar que ela atingiu essa consciência ela pode: a) traçar uma linha e colocar as figuras em cima. b) pode desenhar bem rente a uma das bordas da folha. c) desenhar as figuras sobre uma linha imaginária com as figuras todas na mesma direção.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Conversa de adultos 3- EDUCAÇÃO FAMILIAR


Dos 7 aos 9 meses

Os bebês já permanecem sentados e sem apoios. Pode atrasar um pouco, mas não pode passar o 7º mês. Suas mãos também estão mais fortalecidas e já conseguem segurar bem os objetos, mesmo os que são grandes. Falta aprender a passá-los de uma mão para a outra. E aqui está uma nova brincadeira para estimulá-la nessa questão.

Nesta fase as crianças dessa idade usam as mãos indiscriminadamente, ou seja, não sabemos ainda se ela é destra ou canhota. Portanto, estimular a preensão dos objetos com ambas as mãos e passá-las de um lado para outro é essencial.


Tudo o que pega, leva à boca. Por isso, brinquedos grandes devem ser preferidos aos pequenos porque pode correr o risco de se asfixiar. Deve-se escolher objetos macios, laváveis e que não possam cortar e nem soltar pedaços.

7-8 MESES
Algumas crianças aos 7-8 MESES já começam a engatinhar. Outras, apenas se arrastam. E normalmente, eles assumem a posição em poucos dias. Caso se arrastem por mais de um mês, ajude-o movimentando as perninhas da maneira correta.

A brincadeira é tirá-lo da cadeirinha ou carrinho e coloque-o no chão, dado espaço para que ele se arraste ou engatinhe a vontade. Os bebês dessa idade são muito curiosos e querem conhecer tudo. Faça festa sempre que ele conseguir.

Para evitar acidentes não esqueça de TAPAR AS TOMADAS e, para isso, pode usar fita crepe. É só para ele não colocarem o dedinho e tomarem um choque. Não esqueça também de tirar objetos cortantes e afastar mesas de centro com quinas.


TATO – os brinquedos com texturas diferentes e o próprio ambiente já bastam para o desenvolvimento desse sentido. A brincadeira desta vez, é colocar os brinquedos um pouco mais distante e espalhadas, forçando que seu bebê se desloque. E cada vez que ele conseguir alcançá-los, faça festa e afaste-os um pouco mais.

VISÃO – nesta fase, a criança tem uma visão perfeita de tudo. O importante nesta fase é fazê-la fixar o olhar num determinado objeto. É a aquisição do FOCO, essencial para a aprendizagem da leitura e a escrita mais tarde. No começo, o bebê olha e desvia. Com o tempo, precisa aumentar o tempo que ele permanece olhando. Para isso, dê um jeito de movimentar esse objeto, produzir um som, ou outra coisa. Uma boa sugestão, são os fantoches. Faça festa quando ele olhar e manter olhar por mais tempo.


GUSTAÇÃO – início das papinhas e varie bastante os ingredientes (verduras e legumes) na sua confecção delas para que possa experimentar de tudo. O mesmo com as frutas em forma de sucos. Cuidado com sal e açúcar (devem ser poucos).

AUDIÇÃO – continue cantando, lendo ou contando histórias, conversando com ele. Você pode também colocar uma música para ele ouvir. Comece com as calmas. E a fase do início da dentição e a criança fica muito irritada 

OLFATO – você pode usar perfumes e desodorantes com odores suaves.

AOS 9 MESES


A maioria das crianças tentam ficar agarrando-se em algum objeto. Cuidados importantes nesta fase são: toalhas de mesa (porque eles podem puxar e se acidentar), o berço (que o estrado precisa ser rebaixado para evitar quedas), escadas (se houver) devem ser fechadas e as tomadas devem continuar cobertas. Lembre-se: o bebê ainda NÃO TEM noção de perigo.

A brincadeira da vez é colocar os brinquedos em lugar que ele alcance para que permaneça em pé por algum tempo. Alguns dias mais tarde, faça o mesmo, porém um pouco mais afastado, forçando que seu bebê se desloque dando o primeiro passo para o lado. Faça festa sempre que ele conseguir. Aos poucos, vá afastando mais a fim de que se desloque para o lado. E sempre que conseguir, faça festa para estimulá-lo ainda mais. Primeiro um passo, depois 2, 3 e assim por diante.


Os bebês começam a imitar os atos dos adultos. Muitas vezes, ela não entende o significado do que está fazendo, mas repete assim mesmo apenas porque é diferente e para se divertir. É o momento de ensinar algumas coisinhas como fazer tchau e, se não conseguir imitar, segure a mão dele, até que consiga fazer sozinho.

Ao longo do primeiro ano de vida, a criança vem desenvolvendo algumas habilidades motoras como exemplos: a fixação da cabeça, o fortalecimento dos músculos para sentar e das pernas para ficar em pé e andar lateralmente. No entanto, essas tiveram um tempo certo para acontecer, assim como outras também terão.

As mãos adquiriram outras habilidades, como segurar objetos com a mão toda. O ponto principal a ser trabalhado agora é a PREENSÃO EM PINÇA, ou seja, pegar um objeto usando o indicador e o polegar e que ocorre a partir do 9º mês de vida do bebê.


E como o bebê gosta de imitar, ficará igualmente interessado. Para isso, pegue um objeto com as pontas dos dedos e balance para chamar a atenção do bebê e queira pegá-lo. Ela esticará a mão toda e pegará o brinquedo e tentará chacoalhá-lo desordenadamente. Posicione os dedinhos dele na posição correta e balance. Ele ficará feliz. Repita aos poucos até que consiga fazer sozinho. Como isto é difícil para ele, não será de um dia para outro. Independente do conseguir ou não, faça a festa e maior quando conseguir totalmente.

Além do trabalho motor (pegar e balançar) e do movimento de preensão em pinça você está trabalhando simultaneamente o foco e a atenção do bebê.

TATO – já está bem estimulado. Basta continuar com o que vinha fazendo. deixe seu bebê começar a alimentar-se sozinho. Faz sujeira e muita, mas ele precisa aprender, E a "lambuzice" toda é o que o estimula a novas sensações em torno da boca, rosto e mãos e a imitação se transforma em habilidade.


GUSTAÇÃO – início das papinhas mais sólidas, como por exemplo, arroz amassado com caldo de feijão. No entanto, é hora de estimular a mastigação porque alguns dentinhos já devem ter aparecido. Ofereça pedacinhos de pão para que chupe no início e depois mastigue. Ele pode segurar o pedaço e leva-lo à boca quando desejar. Pedaços de carne também.

VISÃOinsista no FOCO e mantenha a ATENÇÃO do seu bebê.

AUDIÇÃO – Aos poucos, podem apresentar as músicas populares A tendência é ela balançar o corpo no ritmo dessas músicas e isto é bom, porque elas desenvolvem o RITMO. No mês seguinte, um pouco mais agitadas.


sábado, 15 de junho de 2019

Conversa de adultos 2- EDUCAÇÃO FAMILIAR


DOS 3 AOS 6 MESES


Por volta dos 3 meses, o bebê já identifica visual e perfeitamente as pessoas, especialmente, os familiares. Os movimentos começam a transitar dos reflexos para os voluntários. E já conseguem receber informações do ambiente. Portanto, é um período importantíssimo e que deve ser levado a sério pelos pais. O desenvolvimento motor inicia com o firmar a cabeça. 

A firmeza da cabeça é uma resposta motora, portanto depende da maturidade do Sistema Nervoso Central (SNC). Logo, se não acontecer entre o 3º e o 4º mês (ainda considerado normal). Se não acontecer nesse intervalo, lembro aos pais que procurem um profissional médico para verificar o que acontece com o bebê. 

COMO OS PAIS PODEM AJUDAR? Brincando com ele, simples assim. Como? Então veja:

1- Para FORTALECER OS MÚSCULOS DOS BRAÇOS E PERNAS – coloque seu bebê de bruços sobre a cama. Você pode fazer isso, antes ou após o banho. Mesmo que os membros ainda fiquem encolhidos como ele ficava no útero, não tem problema. Aos poucos, vá tentando alonga-los suavemente.


2- Para FORTALECER OS MÚSCULOS DO PESCOÇO – ainda na posição de bruços, chame a atenção do bebê com um chocalho ou com palmas. O bebê tenderá erguer a cabeça na direção do som. Conseguindo ou não, estimule-o com carinhos e beijinhos, mostrando que você ficou feliz pelo esforço realizado. Faça isso por uns 15 a 20 dias.

Passado esse tempo, fique fora do campo de visão dele e repita a operação anterior, para que ele tente virar a cabecinha para o lado de onde vem o som. De novo, faça “festa”, pois vale a tentativa. Deixe passar algum tempo e intercale os movimentos. Até que consiga erguer ao máximo possível sua cabecinha.

3- FIRMANDO OS BRAÇOS – ao erguer a cabeça, automaticamente, esticará os braços.


4- A ABERTURA DA MÃO – bem lentamente, abra as mãozinhas e segure-as sobre a sua. No início, a tendência é o bebê fechá-las. Porém, com o tempo, os músculos das mãos se acomodarão e ele conseguirá mantê-las abertas por algum tempo.

5- ATIVE A PREENSÃO – Desde os primeiros dias, ele segura seu dedo com força. Continue com essa brincadeira nos primeiros meses. No terceiro mês, dê a ele um chocalho macio, pois os duros poderão machucar se bater no rosto. Bonecos ou com as massagens e os carinhos no corpo do bebê. Assim, além de desenvolver os músculos, você também trabalha o TATO.

Continue conversando, cantando ou contando histórias curtas, para desenvolver a AUDIÇÃO. Pronuncie corretamente para ele ir gravando a forma correta das palavras. O chá, água e o leite materno já são suficientes para trabalhar a GUSTAÇÃO e mudam o paladar. Você pode colocar os penduricalhos pendurados no berço que estimulam a VISÃO. Ainda é cedo para usar perfumes ou colônias, pois ainda pode comprometer o OLFATO.

BEBÊS DE 4 A 6 MESES

O bebê de 4 meses já identifica o restante da família, seja pela visão e pela voz. Quando for até o seu bebê, vá falando com ele até chegar ao berço. Ele se sentirá mais alegre, seguro e confiante. Os gritinhos que ele dá ao ouvir sua voz é prova disso. 

TATO -. Você pode ainda brincar de rolar (para sentir o corpo), segure-o em pé sobre a cama, sobre uma mesa (para ir percebendo que possui pés e para ter uma nova forma de experimentação sensorial), e com isso você vai trabalhando os músculos das perninhas de uma outra maneira.

PREENSÃO PALMAR– Agora eles preferem brinquedos diferentes, porque o tato está mais firme e consegue segurar com mais firmeza e aguentar o peso dos objetos. É hora dos brinquedos com formas e texturas diferentes, como chocalhos, bolas e bichinhos de pelúcia (porque os pelos macios estimulam a sensibilidade das mãos). 

A partir do 5º MÊS, o tronco já começa a se firmar. 

1- PREPARANDO PARA SENTAR - você poderá ir colocando almofadas nas costas do bebê em posição deitado, para que vá se acostumando com a nova posição e aumentando gradativamente as almofadas, até que fique na posição sentado.


2- ESTÍMULO AO SENTAR - Os pais podem colocar o bebê na posição sentado no colo ou na cama com apoio de almofadas ao redor dele. Na cama, o apoio nas costas é essencial. Isso o ajudará no desenvolvimento da musculatura das costas.


3- Deite-o de bruços e cruze as perninhas, estimulando-o a rolar sobre si mesmo.

4- Coloque móbiles numa altura que, o bebê batendo a mão, possa fazer barulho e movimento. Isso desenvolverá a AUDIÇÃO E A VISÃO.

A partir do 6º MÊS – Nesta fase, o tato estará muito sensível. Crie um tapete de texturas. Deixe-o de bruços na cama ou chão e sobre esse tapete. Coloque brinquedos sonoros com diferentes toques próximos ao bebê para que possa explorá-los. 

A GUSTAÇÃO será estimulada com o início da ingestão de papinhas de frutos e sucos. O OLFATO ainda possui restrição à perfumes e colônias. Mas liberada para sabonetes e talcos.


Continue com os carinhos, massagens e relembre os exercícios –brincadeiras anteriores.

Ao final do 6º mês, a criança já deve sentar sozinha e sem apoio das almofadas. Pode passar um pouco, até a metade do mês seguinte, segundo a maturidade do bebê.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

SAVANTS E AS DIFICULDADES DE COMUNICAÇÃO

O grande problema de Savants e autistas (ou de ambos ao mesmo tempo) é a dificuldade que essas pessoas têm com a comunicação. E isso começa cedo, antes mesmo dos 3 anos de idade. Antes do diagnóstico e por aparentarem não ter qualquer deficiência física ou intelectual, essas crianças são consideradas mau educadas, insensíveis, que não gostam de ninguém ou não possuem empatia. E isto não é verdade.


Raiva, tédio, angústia, felicidade, alegria, carinho, amor são sentimentos profundos nessas pessoas, mas elas não sabem como comunicá-los. O resultado dessa inabilidade é um deslocamento do que acontece à sua volta e um represamento da realidade emocional. Essa inabilidade compromete a comunicação, a imaginação e a interação social, por que se trata de um distúrbio do sistema nervoso central (SNC). É um distúrbio crônico, genético (em muitos casos) e adquiridos (em outros), como consequência de infecções e/ou de problemas perinatais. 


Estudos realizados mostram que outros fatores biológicos podem estar envolvidos e ainda não identificados. Com certeza, vivências psicológicas da infância não estão ligadas a esses distúrbios.


A integração social é uma dificuldade de autistas e Savants, pois não conseguem dividir suas experiências e descobertas infantis com outras pessoas.


A fala também fica comprometida (incapacidade de falar, a demora ou a ecolalia (repetição do que outro dizem)) são sintomas desse mesmo distúrbio. Mesmo a fala correta, mas não é usada para conversas e trocas de experiências, mas para discursarem sobre um tema de seu interesse. Segurar ou puxar o braço de alguém ou apontar para o que quer é uma característica comum entre essas crianças.


A forma como brincam é diferente das crianças comuns. Preferem brincar sozinhos (o que favorece o isolamento) e não brincam da maneira convencional. Os brinquedos e objetos possuem um ponto que lhes chamam a atenção e é nesse ponto que autistas e Savants depositam seu foco. Se desistem de uma brincadeira e, mais tarde, voltam a ela, brincam da mesma maneira e com o mesmo foco. Isto porque, a área cerebral da imaginação é diferenciada da mesma área em pessoas comuns. Isto porque, há uma fixação das rotinas, temas e comportamentos repetitivos.


COMO AJUDAR?



Toda a ajuda aos autistas e Savants (com ou sem diagnóstico) está nas mãos dos pais. Estes precisam estar atentos e procurar ajuda profissional assim que percebam que há algo errado com o filho. Embora parentes e amigos insistam para esperar com a justificativa de que com o tempo a situação muda, não dê ouvidos. Procure o PEDIATRA ou um PSICÓLOGO. Saber o que acontece com o filho é dever dos pais. E tudo o que pode ser resolvido precocemente é MELHOR do que deixar que complique ainda mais.

Para conseguir melhorias, além do que o proposto pelos especialistas indicarem, é preciso que os pais compreendam que o tratamento é custoso, mas necessário e que não podem haver: faltas, displicências ou irregularidades e deve ser feita por toda a vida. Embora o autismo e o savantismo não tenham curo, a melhoria da qualidade de vida é importantíssima.

A medicação depende de caso a caso e quando for recomendada. Em casa, os pais também podem ajudar o filho, brincando com eles, propondo mudanças de comportamentos em relação às tarefas diárias, com relação às habilidades de comunicação, no ensino de regras e rotinas. Esse trabalho familiar é essencial e deve ser contínuo e perseverante, para que os efeitos benéficos sejam alcançados.

Hoje em dia, há autistas e Savants que frequentam escolas regulares e chegam a cursar faculdades.

terça-feira, 19 de março de 2019

SÍNDROME DE SAVANT X TEA






Muitos Savant podem ser confundidos com Aspergers. Mas há muitas razões que podem resolver esta confusão. Aspergers fazem parte dos TEA por compartilharem da mesma fisiopatologia. Por isso, o termo Asperger está caindo em desuso.

Uma pessoa pode ter TEA e ser diagnosticado com SAVANT. Mas nâo é uma regra geral, pois cerca de 50% de Savant são associados ao TEA e outros 50% associados a outros transtornos. Porém, apenas 10% dos indivíduos com TEA manifestam a Síndrome de Savant.




Indivíduos com TEA apresentam interesses restritos, ou seja, a um determinado assunto por focarem sua atenção nesse assunto. Podem estudar sobre ele e, devido a isso, acabam por dominá-lo.


Já os Savant não precisam estudar o assunto. Eles simplesmente sabem a fundo desde muito pequenos. Ex: uma criança Savant, aos 4 anos, ouve atentamente um músico tocar uma música de Mozart ao piano. Assim que ela avista um piano, ela senta-se e toca exatamente como o músico tocou sem nunca ter estudado. o esmo acontecem com os Savant pintores. eles não precisam de cursos de desenho ou pintura. Basta ver uma obra e eles fazem, usando as mais variadas técnicas.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

DIFICULDADES PARA UM ASPERGER

a) NA COMUNICAÇÃO SOCIAL


Embora tenham facilidade na linguagem oral, a maior deles é a interpretação das diferentes linguagens. Na linguagem verbal compreendem o sentido literal dos termos. Por exemplo: na expressão “verde de fome”, eles sabem que “verde” é uma cor e que “fome” é a vontade ou a necessidade de comer alguma coisa. No entanto, não relacionam esses dois termos ao termo “faminto” que, nada mais é do que “estar com “muita” fome, ou, que está “passando mal” de tanta fome. Ou seja, não conseguem fazer uso de uma segunda interpretação.

Outro exemplo característico se refere ás linguagens não verbais, como gestos, tons de voz, expressões faciais e/ou corporais, desenhos, onde encontram bastante dificuldade de interpretação. Muitas vezes, passam a imitar ns gestos inadequados usados por outras pessoas por acharem engraçado ou por entenderem que seja apropriado. Daí ter-se um cuidado extremo de “policiamento pessoal” para que não sejam usados diante de Aspergers. 

Apesar de inteligentes (alto funcionamento) e de terem boa habilidade linguística encontram dificuldade de entendimento com piadas, sarcasmos, discursos imprecisos ou incompletos e conceitos abstratos usados em conversas do cotidiano. Palavras inadequadas podem ser repetidas pelos Aspergers, pois eles não possuem discernimento entre o que certo e errado, do adequado ou inadequado.

A ecolalia (repetição do que foi dito por outra pessoa) pode ser uma dificuldade em pessoas com grau leve e Aspergers. Lembrando que ecolalia e imitação são conceitos diametralmente diferentes. Imitação é algo voluntário. Imitamos ou repetimos porque gostamos ou achamos interessante. Ecolalia é uma dificuldade em formular seus próprios pensamentos de imediato, pois precisaria de um tempo mais longo para a pessoa possa processar a resposta a uma pergunta mesmo que simples, por exemplo. Então repete o que ouve no todo ou em parte, porque sabe que ao perguntar, espera-se uma resposta imediata.

b) NA INTERAÇÃO SOCIAL


Os Aspergers encontram dificuldades em ler as outras pessoas. Ou seja, encontram dificuldades de reconhecer e de entender a expressão dos sentimentos, emoções e intensões de outras pessoas. Por isso, muitas vezes parecem insensíveis á tristeza, choros, dores, alegria dos outros. 

Eles também não sabem como expressar seus próprios sentimentos ou emoções. A falta do que chamamos “traquejo social” é muito difícil para eles. Por isso, ficam raivosos com algo que querem e demora a ser atendido, não acarinham pessoas quando estão tristes ou doentes, os contatos físicos (beijos e abraços) são escassos ou inexistentes. 

Muitos comportam-se de maneira “estranha” ou “inadequada” diante de outras pessoas. Pode ser difícil para eles fazer novas amizades ou conservar as antigas, embora queiram ou desejem interagir com elas. Mas não sabem o que fazer para isso ocorra.

c) COMPORTAMENTO REPETITIVO E ROTINAS



Para os Aspergers, o mundo não é um lugar previsível. E se sentem confusos. Razão pela qual, gostam da rotina, assim, sabem o que pode acontecer todos os dias. Levantar e deitar-se, comer e lanchar, ir para a escola e desempenhar tarefas (caseiras ou escolares) sempre no mesmo horário fazem parte dessa rotina. Comer sempre os mesmos alimentos no café, almoço e jantar é exemplo dessa rotina.

O uso de regras a serem cumpridas é importante. Nada de hoje pode e, amanhã, não pode. Ou fazer hoje de um jeito e, amanhã, de outro. Isso os confunde e a falta ou a quebra da causam-lhe medo e incerteza, pois não sabem lidar com elas.

Os Aspergers são altamente focados, desde muito pequenos. Principalmente em algo que lhes interessa. São intensos, são do tipo do tudo ou nada. Com o tempo, podem vir a ter outros interesses e dedicar a eles a mesma atenção que davam ao interesse anterior e que agora não serve mais e é “esquecido” num canto qualquer. Outros Aspergers podem manter um interesse surgido na infância e pela vida afora. 
Gostam de arte, carros, computadores, coisas do ambiente, animais etc. Outros canalizam seu foco para os estudos, trabalhos ou uma ocupação qualquer desde que sejam relevantes para eles, para seu bem-estar e sua felicidade..

d) NA SENSIBILIDADE SENSORIAL

Muitos Aspergers gostam em maior ou menor grau de experiências sensoriais ou não gostam delas, recusando-se sumariamente a realizar experiências. São sensíveis a sons, toques, gostos, cheiros, temperaturas e dores. Conheci um autista leve que adorava mexer com areia, mas ficava aos gritos quando a brincadeira era com água. 

Trabalhei com um outro que pegava qualquer tipo de insetos e animais nocivos, mas não conseguia encostar nas folhas de uma planta. Isto porque causa-lhe uma ansiedade tão grande ou provoca uma dor física deveras insuportável que os bloqueia e paralisa.

Por exemplo, eles podem encontrar dificuldades em ambientes em que aja certos sons de fundo, fato que algumas pessoas comuns gostam ou ignoram. No entanto, este som pode ser insuportável, causar ansiedade ou dor física. No entanto ficam fascinados por luzes (piscantes ou aleatórias) e objetos giratórios (como ventiladores, caixas de música etc) ou pendulares (relógios antigos e objetos decorativos).

imagens Google

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO


Muitas famílias, ao perceberem que o filho é “diferente” de seus irmãos sentem medo em procurar ajuda e ficam esperando que, um dia, a situação se reverterá. Outras, no entanto, sabem que devem procurar uma ajuda, mas com a justificativa do filho receber um rótulo que não melhorará em nada, desistem e deixam para lá.
Mas a coisa não é bem assim. Ser avaliado e ter em mãos um diagnóstico completo pode ser muito útil para a criança e para a família. Por quê?

a) Porque o diagnóstico ajuda pais e familiares, parceiros, professores, amigos, colegas, empregadores a entenderem a maneira como agem e as dificuldades que enfrentam. Ajuda também o que podem agir e fazer sobre eles. Nesse sentido, permite que seu filho tenha acesso a serviços e suportes. E que, todo esse pessoal que cuida de seu filho, possa te ajudar a cuidar e desenvolvê-lo da melhor maneira possível, pois passam a entender e a explicar melhor o “por quê” das coisas serem difíceis para eles.

 

b) E porque ajuda os professores a saber como lidar com seu filho. Entendendo seus problemas e o seu jeito de ser, pensar e agir, o relacionamento fica mais fácil e, em consequência, as aprendizagens também.

Se você tem alguma dúvida sobre as “esquisitices” de seu filho, você precisa procurar um psicólogo, um neuropsicólogo, um psicopedagogo ou um neuropsicopedagogo que são os profissionais mais adequados para iniciarem um tratamento adequado a ele.

Caso você não tenha um Asperger na família, ainda assim você pode ajudà-los, divulgando sobre o autismo e levando a compreensão do assunto mais pessoas. A Associação Amigos do Autista (AMA) http://www.ama.org.br/ e Associação de Atendimento e Apoio ao Autista (AMPARA) http://www.aamparaautismo.org.br/ sempre precisam de ajuda, seja como voluntariado ou com doações.

Ser autista não é vergonha alguma. Vergonhoso é o preconceito, a discriminação, o bullying. Vergonhoso é não compreender que essas pessoas não pediram para serem assim, que não sabem porque são assim. Vergonhoso é não entendermos que todos somos diferentes uns dos outros (somos gordos ou magros, altos ou baixos, brancos ou negros, homens e mulheres) e nos incomodamos com a presença de um deficiente intelectual ou de um autista.


O que essas pessoas fizeram para terem tanta bronca delas? Mas nem todas, não é? Alguns autistas são aclamados e reverenciados por seus feitos divulgados pela mídia. Aí viram deuses. Só que não sabem ou escondem a verdade de que são Asperegers. São eles: Bill Gates (diretor da Microsoft); Vincent Van Gogh (pintor clássico); Albert Einstein e Isaac Newton (cientistas e físicos); Steven Spielberg, Woody Allen e Tim Burton (diretores de cinema); Tim Burton (ator de cinema); Keanu Reeves (ator de cinema); Lionel Messi (jogador de futebol); Michael Phelps (penta campeão olímpico em natação) e Ludwig Van Beethoven (músico virtuoso e compositor clássico).

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

POR QUE "ESPECTRO" AUTISTA?


O termo surge a primeira vez em 1970, quando a psiquiatra inglesa Lorna Wing, conceitua o autismo como um “espectro de condições”, confirmando e reafirmando o trabalho de Hans Asperger, em 1981. Essa psiquiatra era mãe de um filho autista. Por isso, pesquisou e clinicou várias pessoas autistas. Wing defendia e compreendia essas pessoas e suas famílias. Considerava importante a defesa e compreensão dos autistas. Por isso, fundou o National Autistic Society (NAS) junto com Judith Gold e o Centro Lorna Wing.

Buscando entender o porquê o autismo foi ser nomeado de ESPECTRO recorremos ao dicionário. O significado desse termo é: fantasmagórico, imagem surreal, evocação obsedante, incorpórea, com a aparência de um fantasma.


E como esses significados se aplicam à definição do autismo? É mais ou menos assim: suponha que uma criança nasça e começa a se desenvolver perfeita e normalmente. Vira-se no berço, fixa a cabeça na posição ereta, alimenta-se bem, senta-se com ajuda e depois sozinha, engatinha, tenta ficar em pé, ensaia os primeiros passos e finalmente, consegue andar sozinha. 

A fala também segue sua caminhada. Assista ao vídeo com as fases de desenvolvimento da linguagem infantil do 0 a 5 anos, para reconhecer as diferentes fases pelas quais todas as crianças passam.


De repente, todos esses processos param de uma só vez. Ela fica calada, desinteressada, absorta em seus pensamentos, não responde aos chamados, nem se interessa pelo que era seu objeto de interesse anteriormente. Ou seja, não prossegue se desenvolvendo. Algumas não reconhecem os próprios pais.


E não há uma explicação sensata para isso. Não aparecem evidências em exames de imagens como tomografias, eletroencefalografias (ECG) ou outros exames mais caros. É mesmo como se um fantasma a atravessasse, bloqueasse tudo e não deixasse nenhum rastro de sua passagem. As crianças autistas com espectro mais severos ou mais graves agem como zumbis, vivendo alheios ao que está a seu redor. 


Mesmo as crianças com espectros mais moderados e leves (como os Aspergers) possuem comportamentos que saltam aos olhos. Os movimentos esteriotipados variam de criança para criança. Por isso, cada autista é único. 

Mesmo os que não apresentam esses movimentos é, em meio a outras crianças, que podemos perceber se há algo de anormal com determinada criança. E é somente por meio da observação das atitudes das crianças autistas que o diagnóstico é realizadoElas destoam na alegria, da vivacidade e na relação com os demais. 

E infelizmente, por agirem desta maneira, acabam se isolando ou sendo isoladas. 

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

HISTÓRIA DO AUTISMO - parte 1


O autismo sempre esteve presente em todas as eras anteriores. Portanto, não é uma condição que seja considerada como uma novidade. O que ocorre é que nas eras primitivas os autistas mais severos, os deficientes (de todos os tipos), os doentes mentais e os idosos eram deixados para morrer à míngua ou jogados de precipícios por uma questão de sobrevivência. Na Idade antiga eram, simplesmente, mortos.


Nas Idades Média e Moderna eram colocados nas rodas dos enjeitados ou viviam em cárceres privados dentro de suas próprias casas e em condições humilhantes. As famílias sentiam-se envergonhadas por terem um ou mais filhos deficientes ou loucos.

Nestas épocas, era uma crença comum de que a família havia cometido um pecado contra Deus e o filho (deficiente ou louco) era o castigo que devia redimi-los desse pedado. Daí a “vergonha”, que ninguém queria assumir ou aceitar. Portanto, o melhor a ser feito era escondê-los de todos.

Em 1908, portanto no século XX, o psiquiatra suíço EUGEN BLEULER estuda pela primeira vez o autismo e descreve os sintomas associando-o a esquizofrenia, termo grego cujas raízes são de “autos” que significava “eu”.

Em 1943, um psiquiatra austríaco que morava nos EUA, chamado LEO KANNER, diretor da psiquiatria infantil do Hospital Johns Hopkins, fez vários estudos sobre o caso de 11 pacientes autistas e publica os resultados num livro denominado “DISTÚRBIOS AUTÍSTICOS DO CONTATO AFETIVO”. Em seu livro, Kranner informa que seus pacientes tinham isolamento extremo desde o início da vida, como uma característica comum.  Afirmava também que todos gostavam de uma coisa de forma obsessiva (mesmice) e as conservavam por longo tempo. Kranner chamou esse comportamento de “AUTISMO INFANTIL PRECOCE”, já que essa “obsessão” começava na primeira infância.

Observou ainda que seus pacientes reagiam de forma incomum ao ambiente. A maioria tinha: movimentos motores estereotipados (maneirismos incomuns), resistência à mudanças, uma insistência na monotipia (uma só cor) e habilidades incomuns na comunicação com uma tendência ao eco na linguagem (a ecolalia). Enfatiza em suas observações, a predominância de um déficit de relacionamento social e dos comportamentos incomuns.

Apesar de conhecido no meio científico, o autismo não era conhecido no meio social, ou seja, não era um conhecimento que atingia a todas as pessoas da sociedade.

Na mesma época de Kranner, o psiquiatra e pesquisador austríaco HANS ASPERGER, também estudava o autismo. E, em 1945, publica o artigo “A PSICOPATIA AUTISTA NA INFÂNCIA”. Nesse artigo, Asperger afirma que observou padrões de comportamentos e habilidades diferentes dos descritos por Kranner, apesar de que os meninos eram os mais afetados e apresentavam deficiências sociais graves como: falta de empatia (colocar-se no lugar do outro), baixa capacidade de fazer amizades, conversação unilateral (só uma pessoa falava) e movimentos motores descoordenados. Mas que tinham intenso foco em assuntos de interesses especiais (números, palavras, animais, flores etc) e uma aparente desenvoltura no falar desses assuntos de seus interesses (que ele chamou de precocidade verbal). Asperger os comparou com “pequenos professores”, devido a habilidade de falar com detalhes sobre o tema escolhido.

Esse artigo foi pouco lido na época devido a problemas políticos ligados à Segunda Guerra Mundial. Porém, a partir de 1980, foi encontrado, reconhecido o seu valor como um dos pioneiros no estudo do autismo. Por isso, pessoas autistas com grandes habilidades são diagnosticadas com “Síndrome de Asperger” como reconhecimento a este estudioso do assunto.

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