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segunda-feira, 4 de março de 2019

ENTENDA A GRANDE DIFICULDADE DOS AUTISTAS


Para tratar e cuidar de um autista é preciso que se entenda como funciona o seu cérebro. Pesquisas realizadas, através de exames de imagens, apontam existem pequenas diferenças entre o cérebro de pessoas autistas em relação a pessoas comuns.

cérebro humano

Investigações feitas por Zilbovícius et al (2006), afirmam que essas diferenças ou anomalias se localizam nos sulcos frontais e temporais de ambos os lados do cérebro. Segundo o investigador, essas anomalias anatômicas atuam no funcionamento dos lobos temporais superiores (STS), cuja função está relacionada com as aprendizagens sociais.
lobos cerebrais

Por “aprendizagem social” entende-se: o reconhecimento, a regulação e a percepção dos estímulos sociais”. Chama-se de “reconhecimento” quando olhamos para uma pessoa e compreendemos suas expressões faciais gestuais, ou seja, se gostou ou não de uma situação, se está com uma dor ou não está passando bem de saúde, se está feliz ou triste. Quanto aos gestos, refletem as emoções que a pessoa está vivenciando como calma, nervosismo, raiva, ódio, carinho etc. O reconhecimento influi também a direção e a manutenção do olhar, ou seja, quando olhamos ou encaramos os olhos da outra pessoa.

regulação

Chamamos de “regulação” a nossa atitude diante da leitura que fazemos das expressões faciais, do gestual e do olhar da pessoa em questão. Por exemplo: se você percebe que seu patrão está nervoso por algum motivo, você não vai pedir aumento de salário, pois com certeza, não o obterá. Caso seu chefe sempre trabalhar em sua sala com a porta aberta e em determinado dia ele a fecha. Isto significa que você não poderá entrar no momento em que quiser ou tiver necessidade, porque está resolvendo algo importante, quer refletir sobre algo ou, simplesmente, descansar.

Para Zilbovícius, estes sistemas estão interligados com outras áreas cerebrais, principalmente, com o giro fusiforme e a amigdala cerebral. Sendo assim, qualquer anormalidade causa problema. Da mesma forma, se essa região estiver muito ativada também pode causar problemas.

circuito neuronal

Segundo pesquisas do investigador, está explicada a dificuldade que os autistas têm ao se relacionarem socialmente. Por não conseguirem fazer uma leitura das expressões faciais e gestos e, consequentemente, regular suas ações e atitudes diante do comportamento, emoções e sentimentos dos outros, adotam uma atitude de frieza, de distanciamento ou de esquiva.

Da mesma forma, encontram muita dificuldade de manter o “olho no olho” com outra pessoa. Isto não significa que não olhem. Nas esse olhar é diferenciado de acordo com o que ele sente, como por exemplo: olhar rápido e desviar, olhar com o canto dos olhos ou olhar através do outro, dando a impressão que ele vê através da pessoa, como se esta fosse transparente ou não estivesse à sua frente.

neurônios espelhos

Lameira, Gawryszenwski e Pereira estudaram e investigaram as “teoria da mente”, em 2006, que afirma que o lobo frontal é composto por um conjunto de feixes formados pelos “neurônios espelhos”. Estes neurônios são super especializados. O conjunto desses feixes formam o “circuito neuronal especializado”, localizado no lobo frontal. A função deste circuito é permitir a formação de pensamentos sobre si mesmo, sobre os outros e de prever comportamentos que os outros possam vir a ter mediante as nossas atitudes. Para eles, os neurônios espelhos e sua função no circuito neuronal especializado.

imitação

Concluíram que o “entendimento das ações”, “a imitação”, e a “empatia” são etapas importantes para a aprendizagem das relações sociais. A primeira, refere-se ás atitudes diante de uma situação de perigo são importantes como uma tendência de sentir o mesmo que o outro sente. A segunda, importante por estar presente em todos os processos de aprendizagem. E a terceira, é fundamental na construção dos relacionamentos sociais.

empatia

Frith e Cohen também pesquisaram, em 2013, sobre as relações sociais nos autistas e nas relações com os neurônios espelhos. E concluíram que, a grande dificuldade do autista é “a falta de capacidade de construir elaborações sobre a mente alheia”. Ou seja, de entender e pensar como o outro pensa ou age. E são, exatamente nestas funções, que se encontram alteradas nas pessoas autista.

Logo podemos concluir que, o comportamento estranho dos autistas em relação às pessoas que o rodeiam, não é indiferença, descaso ou má educação. Mas, um provável comprometimento neurológico que atinge várias áreas cerebrais e que afeta seu desenvolvimento, embora as causas do autismo ainda estejam em estudo.

fonte teórica - vários textos encontrados na Internet
images Google

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME DE ASPERGER

O diagnóstico é realizado por uma equipe multidisciplinar, que inclui com frequência: um fonoaudiólogo, pediatra, psiquiatra e psicólogo.


Como as pessoas com Síndome de Asperger falam bem, conseguem se relacionar e interagir com as pessoas e apresentar pouca ou nenhuma atividade motora peculiar (esteriotipia), o diagnóstico é complexo e difícil. Isto porque, alguns aspectos podem ser confundidos com outros comportamentos, como por exemplo: o isolamento pode ser confundido com excentricidade e a falta de relacionamento ou de comunicação, com timidez, introversão ou mania. E como um difere do outro, o diagnóstico fica mais complexo ainda. Mas, assim como no autismo, o diagnóstico pode ser realizado em qualquer idade (crianças, jovens e adultos).

Por tudo isso, podemos dizer que os Aspergers são autistas de “ALTO FUNCIONAMENTO”.

O QUE É NECESSÁRIO PARA UM BOM DIAGNÓSTICO


Para que um diagnóstico seja confirmado ou refutado, o sujeito deve apresentar dificuldades na comunicação e na interação social e apresentar padrões repetitivos de comportamentos. Essas dificuldades devem limitar e/ou prejudicar as ações da vida no dia a dia. Isso caracterizaria o “espectro autista”.

No entanto, muitos Aspergers possuem padrões repetitivos muito discretos (quase imperceptíveis) ou inexistentes. Alguns Aspergers encontram dificuldade em compreender as linguagens verbais (falada, escrita, leitura) e não-verbais (gestos, desenhos, tonalidades de vozes), bem como compreender piadas, gozações ou sarcasmos, ou ainda, conceitos mais abstratos. Outros, encontram mais facilidade nessas percepções. Por sua vez, há os que se expressam muito bem oralmente, enquanto outros, encontram mais dificuldade. Há os que conseguem se relacionar e conviver com outras pessoas e fazer amigos, enquanto outros, não conseguem. E ainda assim, todos são Aspergers.


Nestes casos, por apresentarem uma divergência no comportamento padrão do espectro autista, esses sujeitos são classificados como “AUTISTAS ATÍPICOS”, ou seja, pessoas que possuem uma capacidade incomum e própria desses sujeitos e que é chamado pelos estudiosos como “alto funcionamento”.

Para diagnosticar esta atipicidade é preciso que novos termos sejam propostos e adicionados ao que já é conhecido. Mas essa facilidade ou habilidade só pode ser encontrada em apenas um dos itens do padrão do espectro autista.


No entanto, muitos Aspergers possuem padrões repetitivos muito discretos (quase imperceptíveis) ouinexistentes. Alguns Aspergers encontram dificuldade em compreender as linguagens verbais (falada, escrita, leitura) e não-verbais (gestos, desenhos, tonalidades de vozes), bem como compreender piadas, gozações ou sarcasmos, ou ainda, conceitos mais abstratos. Outros, encontram mais facilidade nessas percepções. Por sua vez, há os que se expressam muito bem oralmente, enquanto outros, encontram mais dificuldade. Há os que conseguem se relacionar e conviver com outras pessoas e fazer amigos, enquanto outros, não conseguem. E ainda assim, todos são Aspergers.

Messi é um autista de alto rendimento no futebol
e se enquadra nos "autistas atípicos ou de 
alto rendimento"

Nestes casos, por apresentarem uma divergência no comportamento padrão do espectro autista, esses sujeitos são classificados como “AUTISTAS ATÍPICOS”, ou seja, pessoas que possuem uma capacidade incomum e própria desses sujeitos e que é chamado pelos estudiosos como “alto funcionamento”.

Para diagnosticar esta atipicidade é preciso que novos termos sejam propostos e adicionados ao que já é conhecido. Mas essa facilidade ou habilidade só pode ser encontrada em apenas um dos itens do padrão do espectro autista.


imagens Google

segunda-feira, 23 de julho de 2018

SARAMPO


Durante 60 anos, o Brasil vinha vacinando as pessoas (especialmente os bebês) contra o sarampo. Em 2016, o Brasil recebeu até o certificado de eliminação total da circulação do vírus do sarampo, oferecido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Mas agora, o sarampo está de volta com força total, porque muitas mães deixaram de vacinar seus filhos.


Várias são as causas desse descuido: a) não ter ouvido falar dessa doença, b) não ter acesso fácil aos postos de vacinação, c) medo da reação, d) por ter dó dos bebês que choram ao levar a picada da agulha, e) a chegada de imigrantes e refugiados, vindos de países que não houve a preocupação dos governos com a erradicação da doença. Você não deve acreditar em tudo o que lê na Internet, nem dar tanta importância ao que opinam nas redes sociais. Se tiver dúvida, procure alguém que conhece o assunto.

Quero deixar claro, que estas pessoas não têm culpa de trazerem o vírus para cá novamente. A culpa é nossa, por ter deixado de lado, como algo de pouca importância, a vacinação de nossos filhos. No Brasil, a vacinação é gratuita e pode ser encontrada em qualquer posto de saúde. É preciso que tenhamos essa consciência e correr para os postos de saúde e tomarmos a vacina. E se você conhecer algum imigrante ou refugiado, informe-o também.

Quero afirmar também que não é só Brasil que corre o risco de uma epidemia, mas o mundo todo também, incluindo os países de maior desenvolvimento que o nosso. 
Há um tempo atrás, dizia-se que o sarampo era uma doença infantil, isto porque os adultos estavam vacinados. Mas o sarampo ataca pessoas de qualquer idade e sexo, desde que não estejam imunizadas pela vacina ou por não tê-la contraído na infância.
Vamos saber um porco mais sobre o sarampo?

Vírus do sarampo

O sarampo é uma doença contagiosa, grave e aguda, provocada por um vírus. Embora varie de um lugar para outro devido ao grau de imunidade ou suscetibilidade da população. O comportamento dessa doença é de epidemia, ou seja, ataca muitas pessoas ao mesmo tempo e numa velocidade muito rápida, porque a transmissão se dá pela fala, tosse, espirro ou pela própria respiração. Por isso, o elevado poder de contágio da doença.
O sarampo é, no mundo, uma das maiores causas da mortalidade de crianças com menos de 5 anos. Como o sarampo é um a doença infecciosa, acarreta infecções em outras partes do corpo, o que torna essa doença mais perigosa do que já é por si só. Principalmente, quando atinge crianças desnutridas e menores que 1 ano.
Nos idosos, outro grande setor de risco, o processo infeccioso se espalha com maior rapidez devido à baixa resistência que os idosos enfrentam por causa da idade e pela demora do corpo se recuperar das infecções, o que os leva ao óbito.
Bebê com sarampo. È isto o que você quer para seu bebê?

Os principais sintomas ou sinais dessa doença são: manchas brancas na boca (sinal de koplik) 1 ou 2 dias antes das manchas vermelhas, febre alta (acima de 38,5ºC), dores de cabeça, manchas vermelhas que surgem no rosto, depois atrás das orelhas e finalmente, se espalham pelo corpo todo, tosse seca e coriza (como se estivesse gripado), conjuntivite.
Esses sintomas duram cerca de 7 dias. A febre, coriza, tosse, conjuntivite acompanhada de fotofobia (não conseguem olhar para a claridade do sol ou da lâmpada do ambiente) surgem do 2º ao 4º dia. Depois, aparecem as manchas vermelhas (no rosto e atrás das orelhas) e vão se acentuando ao mesmo tempo que vão tomando o corpo todo. O paciente não tem forças para se levantar (prostração) desde o primeiro dia.
Passada esta fase, começa a diminuição dos sintomas (remissão), iniciando pela baixa da febre. Na região das manchas vermelhas a pele fica escurecida e em alguns casos pode haver uma descamação fina e farinhenta (furfurácea).
Os primeiros 7 dias é conhecido como “período toxêmico”, ou seja, um período em que o paciente está fraco e pouco resistente, que facilita a entrada de outros vírus e bactérias, causando uma superinfecção. Daí as complicações. Se a febre alta permanecer por mais de 3 dias ou após as erupções das manchas vermelhas, é sinal de complicações, portanto deve-se procurar um médico com urgência. As infecções mais comuns e simples são: infecções respiratórias; otites; doenças diarréicas e neurológicas.
Adulto com sarampo

A incidência, evolução clínica e letalidade do sarampo são influenciadas pelas condições socioeconômicas, nutricionais, imunitárias e a exposição a aglomeração em lugares públicos (ônibus, trens, festas, shows fechados) escola e nas residências.
O único meio de nos protegermos e a nossos filhos é pela vacinação em massa. O vírus vacinal não transmite a doença porque ele é modificado em laboratório. Precisa estar vivo para que nosso sistema de defesa o reconheça como invasor e crie anticorpos para combatê-los.
Agora que você sabe mais sobre a importância da vacina contra essa doença, vacine-se e leve seu filho também.
MAIS VALE ALGUNS MINUTOS DE CHORO DO SEU FILHO, 
DO QUE VOCÊ CHORAR O RESTO DA VIDA, 
POR NÃO TÊ-LO VACINADO.
A vacina, a data e as doses foram postadas anteriormente. Saiba agora para adolescentes, adultos e idosos:
a) Para adolescentes e adultos até 49 anos:
·         Pessoas de 10 a 29 anos -  duas doses das vacina tríplice 
·         Pessoas de 30 a 49 anos - uma dose da vacina tríplice viral
Quem comprovar a vacinação contra o sarampo conforme preconizado para sua faixa etária, não precisa receber a vacina novamente.
Não devem receber a vacina:
·         Casos suspeitos de sarampo
·   Gestantes - devem esperar para serem vacinadas após o parto. Caso esteja planejando engravidar, assegure-se que você está protegida. Um exame de sangue pode dizer se você já está imune à doença. Se não estiver, deve ser vacinada um mês, antes da gravidez. Espere pelo menos quatro semanas antes de engravidar.
·         Menores de 6 meses de idade
·         Imunocomprometidos
Caso suspeito de sarampo: pessoa com febre e manchas avermelhadas, acompanhado de tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independente da idade e situação vacinal ou todo Indivíduo suspeito com história de viagem ao exterior nos últimos 30 dias, ou de contato, no mesmo período, com alguém que viajou ao exterior.
Fontes de pesquisa:

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

FAZENDO ARTE III

COLAGEM COM TEXTURA

Quando digo que entrego um trabalho semipronto é assim: 


Isto porque, as crianças ou jovens com Paralisia Cerebral ou Deficientes  Intelectuais quando chegam para atendimento, eles não têm a menor ideia do que devem fazer no sentido de arte. O máximo que conseguem é colar aleatoriamente. Por isso, é importante que conheçam o "fazer artístico" aos poucos. Nestes trabalhos conversamos e procuro mostrar que, o que está atrás e preciso ser feito primeiro.

Neste trabalho, o que vem em último plano é a copa da árvore porque está mais atrás, mais longe. Reparem que o telhado da casa amarela ficou em cima da copa da árvore. Então espalho todas as peças sobre a mesa e ele vai escolhendo  e testando o que vai em cada espaço vazio.  Também expliquei a questão da luz, ou seja, onde bate o sol fica mais claro. E aqui reparem que as partes claras dos telhados estão voltadas para o sol.

Em segundo plano, vem a estrutura das casas. Supondo que pegue o telhado primeiro, pergunto se ele já viu uma casa ser construída. Se sim, por ele mesmo já solta a peça errada e pega a correta. Se não, pergunto o que ele faria primeiro: o telhado ou as paredes das casas. Ele pega e cola.

Em primeiro plano, o telhado. Ele cola e termina o trabalho. Então conversamos de novo sobre a imagem desenvolvida. Por exemplo: se a imagem é do campo ou da cidade, se as casas são ricas ou pobres, se elas são confortáveis ou não, etc. Depois de tudo isso, pode-se trabalhar a produção de texto com esta imagem.

 

Assim, além da Coordenação Motora Fina, trabalha-se uma infinidade de coisas: conhecimentos novos, noção de mundo, conceitos de arte, estética e o próprio fazer artístico.

E aí você deve estar se perguntando: E a criatividade dele? Para quem foi sempre considerado incapaz, embora a tenha, não foi desenvolvida a contento. Por isso, é preciso começar por algum lugar.

Um outro trabalho muito gostoso de fazer é a colagem com palitos de fósforo. O desenho é feito integralmente. Aqui o objetivo é ensinar a noção de contorno, coisa que tem muita dificuldade em entender o que seja. Como ele tem muita dificuldade motora, eu passo cola e ele cola os palitos.



Depois de pronto o trabalho, voltamos a conversar. Desta vez, trabalhando a imaginação. Pergunto onde essa casa fica, quem mora nela, se tem vizinhos por perto, como ela é por dentro (que cômodos ela tem) etc de acordo com as resposta. Depois, com todas essas informações, ele pode criar um texto oral, que eu escrevo porque ele não tem condições pelo menos por enquanto.

Nestas outras atividades, o objetivo é a resolução de problemas. Mas também trabalha-se o contorno.  Primeiro faço um risco qualquer numa folha. Corto um pedaço longo de barbante ou outro fio grosso qualquer e entrego a ele, pedindo que o cole sobre a linha. E, por conta de sua dificuldade, eu passo a cola e ele põe o fio.


Uma outra atividade que vem na sequencia  e com o mesmo objetivo da atividade anterior, a proposta é diferente. Entrego a folha e o fio (1,5 a 2 m) e peço para que o coloque inteiro sobre o papel e sem deixar sair para fora.

Ele demorou muito pensando em como resolver a questão. Pôs o fio esticado de várias formas possíveis, mas em todas, ficavam partes de fio para fora. Esticou novamente na vertical (e para isso teve que esticar o braço para o alto = exercício motor) e nada. Em determinado momento, já querendo desistir de tentar, enrolou o fio sendo ajudado pelo próprio corpo. Depois de enrolado, colocou sobre a folha. E eis o resultado:


continua na próxima postagem com outras atividades.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

"NÃO SOU INCAPAZ"

"TODO MUNDO ACHA, MAS NÃO SOU INCAPAZ". Esta é uma frase corriqueira que o garoto (que tem paralisia cerebral moderada grave) diz com os olhos marejados de lágrimas em todas as vezes que ele aprende algo novo nos atendimentos. É de cortar o coração. Ele sempre costuma soltar seus desabafos. 

Mas esta frase calou mais fundo recentemente, enquanto aprendia a ADIÇÃO COM RESERVA (ou seja, contas com "vai 1"). 



Como os leitores sabem, comecei o Sistema de Numeração usando tampinhas de embalagens plásticas porque era mais fácil para ele manusear do que os cubinhos do Material Dourado que gosto de usar. Mas deixei-as de lado e passei a usar um material concreto e simbólico de decomposição de numerais. É uma espécie de ábaco.



Com esse material, além de trabalhar o conteúdo matemático em questão, trabalho também: a) a mecânica da operação de adição com reserva; b) a formação e representação simbólica e numérica no concreto, a leitura dos numerais; c)  a formação e a decomposição dos numerais (Visão de Conjunto); d) a contagem; e) a coordenação motora através do encaixe das peças, de esticar e elevar a mão ativa e f)  usar para a mão inativa  para segurar a peça. E tudo sem que ele tenha conhecimento disso. Porém, passo a passo.


PREPARAÇÃO DO NOVO CONTEÚDO

Como é um material novo eu o apresento ao garoto. Deixo que ele o manipule um pouco. Mostro ainda o valor posicional (unidade, dezena e centena) e o local onde serão colocadas as peças (laranja, azul e vermelha) que representam simbolicamente seus valores. 

Ábaco e Visão de Conjunto

Como auxílio de outro material (Visão de Conjunto) são trabalhados: a formação do número, sua decomposição e a leitura. Repito algumas vezes, não só nos dias da apresentação, mas também nos atendimentos subsequentes para que esse mecanismo seja fixado. Num primeiro momento, eu dou o número (dentro da numeração que já foi trabalhada) com a Visão de Conjunto e ele coloca as peças. Num outro momento, eu coloco as peças e ele usa o outro material para representar a quantidade ali colocada. Por último, eu peço o número e ele faz os coloca as peças segundo o valor posicional, representa numericamente com a Visão de Conjunto e faz a leitura do número. 

Enquanto isso, as operações de adição  e subtração simples e a numeração transcorrem normalmente.


ADIÇÃO SIMPLES NO NOVO MATERIAL 



Adicionando pequenas quantidades

As tampinhas ocupavam muito espaço na mesa de trabalho e com os espasmos, muitas vezes havia mistura delas e forçosamente era preciso recomeçar. E como ele já sabia usar o novo material, ficou mais fácil transferir a operação de adição para ele. E comecei com números baixos sem a necessidade dos  famosos "Vai 1".

As operações a serem calculadas estavam no caderno. Líamos o numeral da primeira parcela e ele colocava as peças nos lugares corretos com o material correspondente. Repetíamos da mesma forma com a outra parcela e coloca as peças por cima das que já tinham sido colocadas. Depois, ele contava começando pela unidade (laranja), e as outras cores (azul e vermelho) na sequência. No início eu montei algumas para mostrar-lhe como deveria fazer e depois, deixei a cargo dele. Repetimos "n" vezes, um pouco a cada atendimento.


PREPARANDO A NOÇÃO DE RESERVA

Com o mesmo material desta vez vazio, coloquei 9 unidades (peças laranja) e pedi que contasse. Depois coloquei mais uma e pedi que contasse novamente e pegasse na visão de conjunto o número correspondente. E ele faz.

Fiz ele notar que o 10 tinha dois dígitos e que eles não cabiam no lugar das unidades, pois na unidade só cabe um dígito. Como não entendeu, perguntei a ele quantos sapatos ou tênis ele colocava em cada pé. E ele respondeu que colocava um só. perguntei por que não podia colocar dois ou três? 

- Porque não cabem. - foi a resposta. Ele havia entendido. Depois, foi só fazer a relação entre sua resposta e o que ocorria nas contas.

Mostrei então, que cada 10 unidades pode ser trocada por uma peça azul (valor de dezena) e que devia ser colocada no "palito" ao lado. Disse ainda que ao fazer isso, dizemos "Vai 1". Ele achou engraçado e riu. E o riso se transformou numa gostosa gargalhada. 

AVANÇOS NA NUMERAÇÃO


Só para lembrar.

Depois de repetir várias vezes esse procedimento e com outras quantidades que somadas davam 10, a numeração chegou ao 100. Expliquei a grafia desse número ( CEM) e comparei com a outra palavra  que possui o mesmo som (homófona), mas não a mesma grafia (homógrafa) que é o termo SEM e que significa "falta ou a não existência de". Vocês devem se lembrar, pois já foi postada anteriormente. 

Era, portanto, o momento de trabalharmos uma nova série e que parte do 100 até o 109. E com essa nova série, ele precisava entender a presença do zero na casa da dezena e o um (representando simbolicamente a centena em vermelho) e que ocupa uma casa chamada "CENTENA".  E que os termos: CEM, CENTO E CENTENA querem dizer a mesma coisa (100). Com isto trabalhamos também, além do que já foi mencionado no início: a leitura, a grafia, a oralidade e ampliação do vocabulário.

Explico também que a casa da centena contém todos os grupos, conjuntos ou quantidades de 100 unidades (mostradas concretamente com o Material Dourado) que ocupam essa casa e novos grupos de 100, como o 200, 300, até o 900 e a nomenclatura das 9 centenas (também já postadas em outra oportunidade). Trabalhamos isso repetindo algumas vezes, pois a fixação virá a seu tempo. O objetivo era apenas para saber onde ele se encontra e o que virá pela frente.

A fixação da primeira série transcorreu normalmente com a repetição dos exercícios de rotina (completar a sequencia, maior e menor, vizinhos, etc. Inclui também pares e ímpares).



OPERAÇÕES COM RESERVA NA UNIDADE


                       Retirando as 10 unidades        e          colocando o "VAI 1"                            
Estamos agora na adição com reserva propriamente dita. Mas ainda nas unidades para que fixe bem. E tudo transcorrendo como o esperado: com facilidade e melhor desenvolvimento do garoto. Como todo aprendiz, ás vezes se confunde na nomenclatura. Diz vinte ou quatro quando é o quarenta. Mas é só pedir que observe e pense melhor que tudo se encaixa.  E estou trabalhando este assunto desde novembro do ano passado. Demorado? Sim, é, mas vale a pena porque seus progressos são notórios. E em breve, muito breve mesmo, passaremos para as reservas nas dezenas. 

Retomamos as subtrações simples  com números com centenas também. E em breve, também iniciaremos as subtrações com recurso, ou seja, "contas de emprestar".

Ele mostra ter plena consciência de que está progredindo, principalmente quando compara sua vida antes na escola e a de agora no atendimento. Só não são maiores e mais rápidos porque passou muito tempo dependente dos outros, pois na família todos faziam tudo para ele, por ele e no lugar dele, negligenciando suas vontades e capacidades. na escola, considerado como incapaz, ninguém fazia nada. Ficava lá sentado e dormindo segundo o próprio garoto. E agora, a autonomia não ensinada está lhe sendo sendo cobrada.

O objetivo de trazer esta frase dita pelo garoto como tema desta postagem é o de fazer pais e professores entenderem que, mesmo com uma deficiência, essas crianças e jovens são pessoas e devem se desenvolver integralmente.  

Por desenvolvimento integral de uma pessoa com deficiência entende-se que podemos desenvolver as habilidades e as capacidades que todos possuem e do jeito que conseguem. É ter o direito de receber educação formal (escolar) e informal (vida), ter direito a saúde física, mental e emocional, ter autonomia e ter convivência social. 

A Paralisia Cerebral é formada por uma lesão cerebral por erro, falta de oxigenação ou mutação genética.  Essa lesão não paralisa o cérebro, mas atinge os músculos tornando-os endurecidos. No entanto, as pessoas acreditam que, devido ao termo "paralisia", o cérebro não funciona e tratam essas pessoas como se fossem pessoas incapacitadas de pensar, agir e sentir. 

A única coisa que não pode é deixá-los sem instrução. Não importa a metodologia  usada. O importante é que crianças e jovens com paralisia cerebral seja qualquer que seja seu grau de dificuldade receba o que lhe é devido legalmente: instrução e bom desenvolvimento. E se nenhuma metodologia for capaz de desenvolvê-lo da forma como tem direito e merece, crie uma própria para eles. 


Até a próxima.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

ALUNOS COM PARALISIA CEREBRAL NA ESCOLA


As pessoas com paralisia cerebral podem ter efeitos leves, moderados ou graves. Os que têm Paralisia Cerebral (PC) leve, muitas vezes, não parecem que possuem paralisia cerebral. Isto porque sua aparência nos impede de observar, à primeira vista, os seus efeitos. Podem ser mais lentos que seus pares escolares de mesma idade, e porque apresentam capacidade para aprender. Basta repetir mais vezes o assunto e os exercícios. De quando em quando, devem esses conteúdos devem ser retomados para evitar esquecimentos.

Você seria capaz de dizer qual destes 
jogadores tem Paralisia Cerebral?

Já as pessoas com PC moderado podem apresentar uma dificuldade motora mais ou menos acentuada. Mesmo assim, há os moderados leves e os moderados mais graves com ou sem deficiência intelectual, e que podem aprender a ler e a escrever. Para estes últimos, quando as mãos apresentam mais dificuldade, suas letras geralmente são mais irregulares e podem ficar tremidas por causa do esforço que fazem. Para isso, existem no mercado adaptadores baratos que se encaixam em lápis e canetas e os tornam mais grossos para facilitar a pegada. Caso não encontrem, uma solução simples é grudar várias voltas de fita crepe com a mesma finalidade. 

Rapaz com PC e sua mãe formando-se  em Direito

Para alfabetizá-los, é melhor que sejam apresentadas letras em bastão (de imprensa) por terem formato mais simplificado. As letras cursivas apresentam muitas curvaturas e se tornam mais difíceis para eles. Estas pessoas também podem e devem aprender a ler e a escrever, desde que suas dificuldades motoras sejam respeitadas.  O mesmo acontece com as dificuldades visuais.

Os problemas visuais também variam de uma pessoa para outra. Há pessoas com PC leve que apresentam problemas visuais de vários graus e pessoas com PC mais severo que podem apresentar uma visão razoável.  Para os que apresentam baixa acuidade visual (ou baixa visão), o melhor é escrever com canetas hidrocores grossa ou digitar os exercícios em cor preta e com um tamanho de fonte bem alta (48 ou 72) para que não forcem a visão.


Há ainda pessoas com PC que andam, correm, saltam e outros que nem podem mexer as pernas, os braços ou ambos. Há PCs que apresentam biplegia (ambos os braços) nos membros superiores ou nos membros inferiores (ambas as pernas).

Na PC, geralmente, um lado é mais afetado que o outro. Assim, um lado é mais eficiente enquanto o outro é pouco funcional. Quem determina o lado funcional, a bi ou a tetraplegia é a localização da lesão cerebral. Nestes casos, o uso da tecnologia é o mais eficiente.

Há ainda os muito severos que os impede de movimentar os membros superiores e os inferiores (tetraplegia). Normalmente, pessoas com alto grau de severidade pouco aprendem o convencional da escola.