sexta-feira, 6 de setembro de 2013

MEMÓRIA E AS APRENDIZAGENS

Dificuldades de aprendizagem

Pais e professores reclamam que filhos e alunos não se lembram do que aprenderam no dia anterior. Muitas vezes, nem se lembram do que foi dito poucos minutos atrás. E, por causa dessa falta de lembranças dizemos que são dispersos ou desatentos.

A função da memória é a de identificar, selecionar e arquivar as informações, conhecimentos, conceitos, sensações e pensamentos em espaços próprios para lembrar em outra ocasião. Por exemplo: imagens vão para a memória visual (localizada no lobo occipital); o que se ouve para a memória auditiva (localizadas nos lobos temporais); o que fazemos com as mãos e com o corpo para a memória sensório-motora (localizada no córtex sensório-motor) e assim por diante. E isto exige um gasto de energia mental.


Imaginemos um álbum de fotografias. Cada foto nos remete a uma situação ou fato vivido. Podemos lembrar: do lugar, dos odores, das pessoas e dos fatos que aconteceram em certo lugar e certa época como se fosse há uns instantes atrás. A foto é um fragmento da situação, do fato ou do evento, mas não é a realidade completa. E quanto mais fotos, mais lembranças. Porém, à medida que o tempo passa as fotos vão ficando amareladas e apagadas, tornando-se difícil de reconhecê-las. Então, já não nos serve mais e as jogamos fora. Para que as fotos não se percam é preciso que as restauremos de tempos em tempos.


A memória funciona como esse álbum. As percepções e as aprendizagens são arquivadas em forma de pequenos “flashes” que nos permitem lembrar. Mas, se não usados, com o tempo ficam turvos e se apagam. E para que isso não aconteça ou que dure por mais tempo é preciso saber que existe uma memória de curta duração e outra de longa duração.


Imagine que alguém está querendo trocar uma torneira e não sabe como fazer. Para executá-la pede a explicação para alguém. Essa explicação é gravada rapidamente, o suficiente para realizar a troca da torneira. Depois, é esquecida.

Para que ela dure mais tempo ou passe para outro nível, ao nível da memória de longa duração é preciso repetir essa ação várias vezes.

Assim acontece com as tarefas escolares. Dizer ou mostrar um conceito apenas uma, duas ou três vezes para um aluno, não adianta nada, pois logo esquecerá. É preciso repetir várias vezes para que um conhecimento se torne permanente. E o segredo está na repetição.

Mas, nos dias de hoje, há um conceito em moda: o de que as repetições são desnecessárias e as escolas ou professores que as usam são tradicionalistas. Mas, conte isso para nossa memória. Ela não sabe o que é modernidade ou tradicionalismo educativo. Sabe apenas que para que ela desempenhe sua função adequadamente precisa das tais repetições.

E, por falar em repetições, somos diferentes uns dos outros. Portanto, o número de repetições que uma pessoa necessita não é comum a todos. Uns precisam de mais repetições que outros. Isto independe da vontade dos alunos. E isto também não quer dizer que sejam dispersos, desatentos ou preguiçosos. O fato é simples: eles não tiveram tempo de “repetir” a quantidade de vezes que fosse suficiente para transformarem uma aprendizagem em algo mais duradouro. 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

SIR KEN ROBINSON - AS ESCOLAS ESTÃO MATANDO A CRIATIVIDADE DE NOSSAS CRIANÇAS

Este é um video para pais e professores. 

Engraçado, divertido, mas com reflexões importantíssimas para a educação de crianças e jovens. Todo legendado. 


sábado, 17 de agosto de 2013

DESENVOLVENDO HABILIDADES

(EM BUSCA DA AUTONOMIA)

Em se tratando de deficientes intelectuais é importante verificar que atividades motoras a criança domina. Isto porque a maioria das famílias adotam uma educação protetora e acabam deixando de desenvolver algumas habilidades importantes. E uma dessas habilidades é o saltar.

Portanto, antes de começar a trabalhar essa habilidade, é preciso conhecer o que a criança sabe fazer e como ela o faz.

Foi pedido para esta criança que pulasse um pequeno degrau existente na saída da sala de atendimento. Na primeira foto observa-se que ela não se prepara para saltar, ou seja, não une os pés. E quando foi dada  a ordem, simplesmente esticou a perna como se fosse para andar. 


Uma outra verificação foi feita. O objetivo era saber se conseguiria saltar para a frente. E para isso foi utilizado a distância de um piso. A criança em questão foi colocada na posição correta e diante do piso marcado. Ao receber a ordem, ela se afastou um pouco a tomar impulso. Foi um pequeno salto, com pequena distância (meio piso)  e ergueu-se a poucos centímetros do chão. O piso marcado fora esquecido também. Ao tocar o chão apresentou um pequeno desequilíbrio, inclinando o tronco para a frente e para o lado direito.



Daí, já se pode concluir que todo um trabalho de base deve ser feito antes que ela aprenda a saltar. Começo esse trabalho em breve e vou apresentando aqui o que for encontrando. Ok?

sábado, 10 de agosto de 2013

PAI, HOJE É O SEU DIA!

Á todos os pais. 

Que o dia seja de muita paz e alegria com a família reunida, com lembrancinhas ou presentes, com muitos beijos e abraços.

Aos que, por motivo de trabalho, estão ausentes ou  distantes recebam os votos de um feliz dia, mas que o regresso seja breve.

Aos doentes, os nossos votos vão recheados do desejo de breve recuperação.

 Aos que estão em outra dimensão, que possam receber a saudade que sentimos.

A todos vocês, o nosso obrigado por existirem ou por terem existido em nossas vidas. Pelo amor dedicado, pelos sacrifícios realizados, pelas broncas e orientações dadas para que fôssemos o que somos hoje: pessoas de bem e do bem.




Um beijo a todos vocês e parabéns pelo seu dia.

Sueli Freitas

domingo, 4 de agosto de 2013

CENA COM FLORES EM RELEVO

OLÁ, PESSOAL!

Faz tempo que não posto atividades, não é? Mas hoje trouxe para vocês uma atividade que meus pimpolhos (com e sem deficiência intelectual) amaram fazer. Com ela você trabalha a coordenação motora fina, a coordenação viso-motora, a preensão, habilidades manuais, recorte, colagem, desenvolve a criatividade. 

Eu aproveitei essa atividade para rever e fixar o conceito de ângulos, as formas geométricas. Você ainda poderá trabalhar a formação de frases ou a produção de um texto.

Vamos ao passo a passo:

1- dobre um retângulo de qualquer papel ao meio, dobre novamente ao meio formando um ângulo reto (90º) e novamente ao meio formando um ângulo agudo (45º).

2- segure pelo vértice e arredonde a parte superior para dar o formato de uma pétala e recorte. Abra e você terá uma flor de 8 pétalas. Dê piques na direção do centro, mas não chegue até ele.

3- com o auxílio de um lápis, enrole cada pétala para dentro ou para fora. Estas, fizermos para dentro.


Repita a operação mais duas ou três vezes, mas em tamanho menor.

MONTAGEM

a) Ofereça uma folha de papel branco ou colorido. Peça que a criança pinte o chão. Cole 1 palito de sorvete e meio para os cabinhos.

b) Ensine a criança a colar as flores. Supondo que sejam três camadas: a maior por baixo, depois a média de forma que as pétalas desta fiquem na abertura da maior e, por último, a pequena da mesma forma.

c) Recorte um círculo pequeno para o miolo e deixe a criança colar.

d) Desenhe algumas folhas para completar a cena. Se quiser dar movimento às folhas é só dobrá-las na metade.


É fácil e bonito. E muito gostoso de fazer. Vejam outros modelos feitos com flores de fotos de revista:
  

segunda-feira, 29 de julho de 2013

DE VOLTA ÁS AULAS

Em breve as aulas recomeçam. E com elas, a correria do dia a dia. Contudo, espero que tenham um tempinho para refletir que, se queremos uma Educação nos padrões da FIFA como pedimos nas manifestações, é preciso que comecemos as mudanças por nós e nos ambientes dos quais participamos. 

Esperar que as mudanças venham a ser realizadas pelos outros é desperdício de tempo e de energia e nunca estarão completas de acordo com nossas necessidades.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

A MEMÓRIA HUMANA

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Costumamos comentar que certas pessoas têm ou não têm boa lembrança de fatos e situações. Algumas vezes, os comentários são pejorativos. Algumas crianças, alguns adolescentes e a maioria dos idosos são chamados de burros, “gagás”, loucos ou desmemoriados simplesmente porque as lembranças custam para acontecer ou já não acontecem com a mesma rapidez de épocas anteriores.
Lembrar é uma capacidade humana importante não só para as aprendizagens escolares, mas para a vida. Somos o que somos por que construímos lembranças, ou seja, adquirimos, conservamos informações e as evocamos quando se faz necessário. A essa capacidade dá-se o nome de MEMÓRIA.
Que a memória é uma atividade cerebral todo mundo já sabe. Mas, onde se localiza? Está no cérebro todo ou numa área específica? Como construímos nossa memória? Ela tem um só tipo ou vários? Estas e outras questões tornaram (e ainda tornam) o estudo da memória instigante e desafiador para todo e qualquer pesquisador.
Assim, até a metade do século passado, os estudiosos acreditavam que a memória estava espalhada por todo o cérebro e sua construção dependia apenas da atenção, da linguagem e das percepções. Hoje, sabe-se que a memória está localizada em áreas específicas do cérebro e sua construção se deve a tudo o que o ser humano aprende no contato com as pessoas e com os objetos.
estímulos visceroceptivos
Segundo o pesquisador brasileiro Antônio Branco Lefrèvre (professor titular da Faculdade de Medicina da USP de São Paulo e considerado o “pai da neurologia brasileira”), os seres humanos estão expostos a todos os tipos de estímulos. Ele não se refere apenas aos estímulos internos (VISCEROCEPTIVOS) provenientes do organismo humano em funcionamento, nem tampouco aos estímulos motores e sensoriais (PROPRIOCEPTIVOS), aos estímulos externos do ambiente (EXTERIOCEPTIVOS) ou aos estímulos intelectuais (COGNITIVOS). Mas, principalmente, a toda sorte de estímulos emocionais (PSICOLÓGICOS) como os afetos, interesses, necessidades e desejos das pessoas. Afirma também que todos esses estímulos podem facilitar ou atrapalhar as aprendizagens e a memorização das informações.
estímulos psicológicos
Os estímulos visceroceptivos, proprioceptivos, exterioceptivos e cognitivos fazem parte de uma forma de memória mais realista e objetiva chamada de “memória explícita” por estarem ligados às experiências e vivências no relacionamento com as pessoas, com os objetos e com o mundo. Já os estímulos psicológicos são uma forma de memória mais subjetiva chamada de “memória implícita”, por estarem ligados ao prazer ou desprazer sentido em cada experiência ou vivência.
Assim, aprendemos e lembramos com mais facilidade do que nos causou prazer, o que é do nosso interesse, da nossa necessidade ou desejo e tendemos a esquecer o que nos desagrada, o que nos é imposto ou que não necessitamos. Por outro lado, o que nos causa dor, sofrimento ou repulsa nem sempre é esquecido, pois foram experiências ou vivências que não desejamos repetir.

Apesar de termos várias áreas destinadas a guardar às milhares lembranças pessoais e bilhões (ou mais) de informações do mundo, é preciso esquecer para "desocupar lugar" e caber as mais recentes. E é aí que a atenção e a concentração são importantes.
Em cada experiência colocamos maior ou menor quantidade de atenção e, consequentemente, de concentração. Durante o sono, o cérebro trabalha no arquivamento dessas informações na memória. Portanto, as experiências e atividades em que depositamos pouca atenção são descartadas por serem consideradas pelo cérebro como informações de pouco valor. É por isso que os estudantes reclamam dos famosos “brancos” na hora da prova. Por isso, estudantes, se quiserem tirar boas notas, estudem bastante e com muita atenção e concentração.