sexta-feira, 17 de abril de 2020

Conversa de adulto (14.1) - TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

Chama-se transtorno quando a ansiedade se torna um incômodo para o indivíduo, fazendo com que deixe de fazer aquelas tarefas rotineiras ou de se concentrar ao realizá-las. Isto porque esse “deixar de fazer ou de se concentrar” assume um comportamento que o prejudica totalmente. Um pequeno e simples exemplo, é quando a pessoa fica sem dormir por vários dias seguidos por estar preocupada com alguma coisa no seu trabalho. Outro exemplo, quando um adolescente deixa de se alimentar por ter que fazer uma prova de uma matéria, julgando que irá mal nessa prova. 


E em termos de transtornos, podemos distinguir a ansiedade em dois grandes grupos: o da “ansiedade generalizada” e o das “fobias”. 



1- TRANSTORNO DA ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG) – é aquela em que a preocupação é constante e duradoura. É um estado de ansiedade excessiva onde são afetadas as principais áreas de ação, como as do trabalho e família. Perceba: 



Tudo, absolutamente tudo, é motivo para impulsionar a ansiedade. Se o filho está para chegar e demora cinco minutos a mais, se o bebê cai ao dar os primeiros passos, se o um filho tem uma febrícula, se o marido se demora para sair para o trabalho, se sabe que alguém está doente... Dessa forma a pessoa fica em estresse o dia inteiro, com preocupações e pensamentos negativos. 

Evidentemente, os transtornos causam sintomas físicos como por exemplo: dores de cabeça, enxaquecas e disfunções de órgãos (como a taquicardia, dores estomacais e problemas digestivos). 

2- FOBIAS - 

As fobias são as mais comuns. O início pode ser repentino, como um descontrole dos sentimentos de terror e de extrema ansiedade. Muitas são as fobias e dentre todas, destaco: 

a) A FOBIA SOCIAL – esta é uma fobia específica que se manifesta sobre o contato direto com pessoas. Mas também existem outras menos comuns como o contato com estados climáticos, ambientes fechados, procedimentos, médicos e dentistas, cirurgias, altura, falta de luz etc... etc 


b) O PERFECCIONISMO – que faz parte do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Nesta fobia, as pessoas que estão sempre se julgando, se avaliando, com medo de errar e sofrendo com este problema. O incômodo e a angustia de terem tudo da maneira exata que planejaram, e, ao terminar, podem não estar satisfeitas e começam a busca pela perfeição novamente. 


c) ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO – é uma fobia que costuma ocorrer após a pessoa vivenciar uma experiência traumática (uma cirurgia, um acidente, uma doença grave, um assalto etc). Os principais sintomas são: a dificuldade para dormir, a sensação de insegurança e inquietude, isto porque não conseguem dominar as lembranças (imagens mentais ou flashbacks) do ocorrido e permanece continuamente em estado de alerta. 


d) O TRANTORNO OBSSESSIVO COMPULSIVO (TOC) - é aquela em a pessoa age com ações repetidas ou compulsivas, como lavar as mãos a todo momento, verificar constantemente se a porta está fechada, arrumar as coisas sempre no mesmo lugar e se vê algo milimetricamente fora do lugar, já se sentem incomodados, etc. O TOC é um transtorno comum e, no caso da ansiedade se caracteriza pela presença de pensamentos indesejáveis que não consegue controlar e que geram desconforto,  depressão e medo. 


e) CRISES DE PÂNICO ou AGORAFOBIA – a fobia do pânico ocorre quando, sem um motivo real a pessoa sente calor, tontura, vômito, pressão alta e/ou falta de ar causado por um medo de alguma coisa que passa por sua mente e a invade a pessoa sem que possa saber explicar o motivo. Geralmente a pessoa tem dificuldade, por exemplo, em sair de casa, falar em público ou desempenhar uma função que lhe foi determinada. 

E estes transtornos, meus amigos, já dão muito o que fazer. Porém, se você perceber ou se identificar com algum destes transtornos, procure um profissional (psicólogo) da sua confiança, o mais rápido que puder para que a situação não se agrave.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Conversa de adulto (14) A ANSIEDADE


A ansiedade é outro fator envolvido no medo ou na coragem de alguém, já que considerada o “mal” do século. A ansiedade é um estado psicológico, assim como o estresse, que afetam as pessoas em qualquer idade e pode ser causada e agravada pelos fatores cotidianos que todos enfrentamos e que causa uma reação do corpo ao perigo. De uma forma menos técnica, a ansiedade é aquele “nervosinho com frio na barriga” que sentimos na véspera de uma prova da matéria que achamos que não dominamos muito bem, diante de uma reunião importante, de falar em público etc. Esta é considerada uma ansiedade normal. E, pensando assim, todos somos ansiosos.

Mas quando se diz em ansiedade é porque nem todos ficam na ansiedade normal, porque as pessoas são diferentes e umas podem ser mais ou menos ansiosas que a normalidade. S ão estes graus de maior ou menor ansiedade que podem se transformar em transtornos mentais sérios que muitas vezes não são tratados e terminam por gerar outros transtornos como, por exemplo, as crises de pânico.

É necessário esclarecer que a ansiedade sendo um estado psicológico NÃO É um fenômeno patológico, ou seja, NÃO É DOENÇA PSICOLÓGICA (loucura ou coisa parecida), mas está presente em vários ciclos da vida dos seres humanos, especialmente, em algumas fases do desenvolvimento. Isto significa que todos os seres humanos se sentem ou se sentiram nervosos e ansiosos em algum momento da vida.

Ocorre que para algumas pessoas, há uma constância, uma frequência maior desse estado de nervosismo (ansiedade), enquanto para outras, esses estados são mais espaçados, mais distantes uns dos outros.

POR QUE EXISTE A ANDIEDADE?

Como um estado psiquico natural que serve também para nos alertar de um perigo e nos preparar para enfrentá-lo. Portanto, a ansiedade é, bastante útil, embora provoque sensações emocionais desagradáveis e desconfortos físicos. Podemos dizer que a ansiedade é uma reação instintiva.


Ansiedade e medo estão relacionados entre si. Frente a situações de perigo surge o medo. E se esse medo for do tipo “imaginário”, é ele quem aciona a ansiedade. Ocorre um disparo das sensações emocionais e físicas que vão atuar sobre a fabricação dos hormônios produzidos pelo próprio corpo e fazendo com que o corpo distribua as doses hormonais de maneira desigual, promovendo um desequilíbrio que impedem que as pessoas ajam com bom senso, ou seja, que sejam capazes de descobrir uma saída para algo que a pessoa “imagina que vai acontecer”.

É esse desequilíbrio que determina o grau (maior ou menor) da ansiedade das reações físicas que podem aparecer, como por exemplo: a palidez, o frio na barriga, o suor nas mãos, secura na boca, frequência de urinar ou evacuar, enjoos, vômitos, náuseas, falta de ar e tensões musculares, problemas de sono, e outros.

Uma reação hormonal comum na ansiedade de alto grau e a distribuição de grandes doses de adrenalina que aumenta o estresse e promove o ataque de pânico. Portanto, é essa combinação em maior grau que afetam profundamente a vida das pessoas, prejudicando a vida social, profissional e desenvolvendo, muitas vezes, doenças físicas.



Reafirmo que:

a) ser ansioso é normal,

b) que antecipar o futuro e criar plano para resolver o que poderá ocorrer à frente é natural, saudável e inato nos seres humanos,

c) quando as pessoas passam a valer da imaginação para tudo o que lhe inspira medo, se transforma num transtorno, portanto, passa a ser uma ansiedade patológica e

d) para perceber se é uma ansiedade patológica basta se “ligar” no que você DEIXA DE FAZER por conta desse “nervoso”. E, para este tem tratamento com profissional adequado: o psicólogo.

terça-feira, 17 de março de 2020

Conversa 13 (4) – OS PAIS PODEM AJUDAR?

Sim, os pais podem e devem ajudar a cuidar para que seus filhos passem pelas fases de medo de forma saudável. Tirar o medo completamente, já vimos que não é saudável e não pode acontecer.

Assim, você detectou que seu filho tem um medo. E o que fazer?

1- Qualquer medo imaginário que seu filho possa vir a ter, nunca diga que é “bobagem”. Isso não resolve porque as crianças misturam realidade e imaginação e não compreendem o que você está dizendo.

Se seu filho disse que tem medo de algo, abrace-o e deixe-o falar sobre o medo que sente. Diga que vai ajudá-lo a mandar embora esse “monstro, fantasma ou outro qualquer”. Mas, que para isso você precisa saber como ele é, como vê-lo numa fotografia. Para isso, peça que ele desenhe para que você o conheça. Segundo Violet Oaklander, “enquanto a criança desenha o que o aterroriza, a figura sai do imaginário e se torna concreta, ou seja, uma figura observável todos”. Nesse momento, a figura imaginada perde força e não se torna tão ameaçadora. 


E enquanto a criança desenha, procure um envelope e durex (ou outra fita colante) e reserve. Se não tiver, ou não encontrar de imediato faça um com uma folha de sulfite ou qualquer papel que tenha a mão. É sobrar e colar as laterais, deixando uma parte em cima para virar e fechar. Nada complicado.

Quando tiver terminado (e não devemos apressá-la) pergunte se ela tem mais alguma coisa a dizer sobre a figura desenhada. Se tiver, ouça com atenção. Se não tiver, observe a imagem desenhada e diga que: “agora ele (a figura) terá que se haver com você”. Dobre o papel desenhado, coloque-o dentro do envelope, feche com cola ou fita adesiva à vista da criança. Mostre a ela que aquela figura está presa dentro do envelope e que você a domina e, portanto, não mais a incomodará. Segundo Oaklander, quando o adulto entra no mundo imaginário da criança, esta passa a confiar e acreditar mais nesse adulto. A criança se sente mais acolhida, protegida e em segurança. E perde o medo daquela figura. Mas a imaginação da criança é fértil, e dependendo da situação, imaginará outro algum tempo depois. Repita a operação.

Caso queira, arranje uma caixa de sapato e guarde todos os medos da criança lá dentro. Se quiser, faça uma decoração agradável, mas a criança não precisa saber disso. Eu fiz isso com alguns pimpolhos que eu atendia e deu muito certo.


2- Não “ridicularize” seu filho por sentir medo. Não faça piadas, nem o chame de medroso e guarde “segredo” deles. Jamais o chame de “covarde” ou algo do tipo, e não permita que outros o façam. Não se esqueça que os sentimentos da criança são intensos e legítimos. Devem ser aceitos, compreendidos e respeitados. Se fizer piadinhas ou espalhar seus “segredinhos” se sentirá enganada e perderá a confiança.

3- Medos reais são tão comuns quanto os imaginários. Muitos pais decidem “mudar de casa” ou “transferir os filhos de escola” sem preparar as crianças com antecedência. E o maior medo da criança é o de perder os amigos da vizinhança ou da classe. E os pais podem ajudar muito.

O que leva uma família a tomar a decisão de mudar de residência? Os motivos são variados: compra de uma nova casa ou apartamento, fim do contrato de locação, condições financeiras, mudança do local de trabalho, segurança do bairro e muitos outros. Por isso, antes mesmo de tomarem a decisão a decisão final devem expor aos filhos, os motivos reais e pedir a opinião dos filhos. E deixar claro que poderão (ou não) terem que deixar a escola que frequentam. Isto dará tempo para que as crianças se adaptem com a ideia e se preparem para quando acontecer.

Nestas circunstâncias, normalmente os maiores de 10 anos e adolescentes entendem melhor a situação e já possuem estratégias para manterem contato com os amigos. Os de 2 a 6 anos não tem ainda compreensão do que acontece e as amizades ainda não exercem tanta importância. O problema do medo reside entre os que estão entre os de 6 aos 8-9 anos, porque já vivem em grupo e fazem amigos na vizinhança e na escola. 

Conhecer e visitar o novo local de moradia é uma boa. Mostre as redondezas, a escola onde (todos ou cada um) devem estudar. Mostre o que há de interessante nas proximidades como parques, museus, shopping, praças, biblioteca, cinema, teatro, etc. Se há filhos adolescentes, mostre os locais onde os jovens costumam se encontrar. Isso favorecerá a melhor aceitação do novo local e dará mais segurança a eles.

4- Há pais que, por qualquer motivo, “transferem o filho de escola”. E muitas vezes fazem e só comunicam depois da atitude tomada. O filho e suas relações não importam embora usem isso como justificativa. Mas quem perde, é sempre o filho. Perde matéria, explicações e atividades pois o andamento dos conteúdos dependem dos alunos de cada turma, do professor e da escola que prioriza isto ou aquilo. Perde na relação afetiva com os amigos, porque está sempre se adaptando. E, geralmente, por temer fazer amizades e perdê-las, preferem o isolamento, ficam mais sujeitos a depressão, a terem dificuldades de relacionamento entre outras coisas negativas.


5- Casos como “separação dos pais, morte de familiares, exposição da criança a assaltos, sequestros e guerras” são situações perturbadoras e o melhor a fazer é procurar de um profissional adequado: o psicólogo.

Fonte de Pesquisa:

OAKLANDER Violet. Descobrindo Crianças – abordagem gestáltica com crianças e adolescentes. Ed. Summus, SP, 1980 

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Conversa 13 (3) – MEDO e FOBIA: diferença

Em qualquer idade, sentir medo é normal e saudável por ser a forma encontrada pelo nosso organismo de nos preservar dos perigos. O medo, real ou fantasioso, produzem duas reações importantes: as reações bioquímicas e as reações emocionais as quais podem ser observadas através do comportamento.



Os medos variam de acordo com nosso desenvolvimento.

E na medida em que convivemos com nossos medos e aprendemos a lidar com eles, podemos superá-los. Porém, quando não conseguimos superá-los, passam a interferir em nossa vida. 

Muitos medos são reforçados ou valorizados pelos adultos que educam seja pela obediência ou pela ignorância. Com essa valorização, os medos ficam cada vez mais fortes e se enraízam silenciosamente. Com o tempo, transformam-se em “FOBIAS”.

As fobias são medos exagerados de fundo emocional, com pensamentos pessimistas e angustiantes que paralisam o sujeito em suas realizações no cotidiano. 

As fobias são conhecidas como “medos patológicos”, ou seja, doenças emocionais que precisam ser tratadas por profissionais adequados como psicólogos e psiquiatras. O tratamento é longo e lento.

Crianças ou adultos com algum tipo de fobia manifestam reações comportamentais observáveis por qualquer leigo. Esses comportamentos são considerados “sintomas das fobias” e vejam quais são:

a) a pessoa fica impedida de comer, dormir ou realizar tarefas comuns que costumava fazer. Isto porque as fobias são muito invasivas.

b) a pessoa vive assustada de forma desmedida com coisas que parecem comuns a outras pessoas.

c) a pessoa está sempre inquieta, não consegue relaxar, distrair-se ou tranquilizar-se, por estar sempre em estado de alerta.

d) a pessoa pode se queixar de tremores, dificuldades respiratórias ou tonturas diante de alguma coisa.

e) a pessoa fica sempre muito nervosa e irritadiça.

f) a pessoa a ter comportamentos regressivos, ou seja, voltar a ter comportamentos da infância, como chupar o dedo ou chupeta, urinar na roupa ou na cama, etc.

g) a pessoa pode vir a ter comportamentos obsessivos.

Hoje, a vida está tão corrida que, muitas vezes, não temos tempo para pararmos e observarmos o que está ao nosso redor. Mas é preciso dar uma parada e observar, mesmo que seja por alguns instantes. E se perceber os primeiros sintomas aqui descritos em seu filho, marido ou esposa, não perca tempo e procure um profissional o mais rápido possível. Não deixe chegar nos últimos onde tudo é muito mais difícil.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Conversa 13 (2) – FASES DO MEDO INFANTIL

Os medos infantis passam por fases ao longo do desenvolvimento da criança.



 FASE 1: DE 0 A 6 MESES – O embrião é formado no útero e se desenvolve no útero até o nascimento ouvindo o ruído causado pelas batidas do coração e pela circulação sanguínea do corpo materno. Um ruído constante e sempre no mesmo “volume”. Ele se sente seguro porque se acostumou a ouvi-lo.

Após o nascimento, os sons lhe parecem estranhos, incompreensíveis, diferentes e mudando constantemente. Outra diferença é a variação do volume: uns são altos, outros estridentes, baixos demais. Os bebês estranham, choram e se acostumam. São, porém, os ruídos ou sons inesperados que os faz estremecer, é que lhes são apavorantes. Esses sons ou ruídos fortes que assustam, que aumentam os batimentos cardíacos e que lhes trazem a sensação de insegurança.


FASE 2: DE 7 a 11 MESES – nesta idade a criança já está bem acostumada com os sons e ruídos do ambiente, incluindo aqueles inesperados. É nesta fase que os bebês começam a reconhecer os rostos familiares. Mãe, pai e irmãos são os primeiros a serem reconhecidos devido a convivência. Avós e tios vem a seguir, mas não sem uma estranheza inicial, mas que logo é superada. No entanto, pessoas estranhas podem assustá-las e podem chegar a ter medo delas, caso os pais ou a própria pessoa insista em tocá-la ou querer segurá-la no colo.

Aquela brincadeira que os pais geralmente fazem com as crianças da primeira infância, é a de jogá-las para cima ou de erguê-las acima da cabeça do adulto, pode ser um dos motivos do medo de altura em algumas pessoas, por dar a sensação de insegurança.



FASE 3: 1 ano – Muitas pessoas acreditam que a criança de um ano não percebe ainda a ausência dos pais e, principalmente, das mães. Ledo engano. Esquecem que a criança está deixando (ou deixou a pouco) de mamar no seio materno. E sentem falta ainda, mesmo que façam o uso da mamadeira. Essa ausência, curta ou prolongada, gera o modo de que eles desapareçam. E essa sensação se intensifica até os 4 anos de idade.   

OBS- A continuidade dos fatos que levaram a criança ficar abalada (som inesperado, sensação de insegurança, não querer se relacionar com pessoas estranhas) não termina ao mudar de fase. Todas essas sensações ficam impregnando seu inconsciente, de forma que cada vez que o fato se repete, há um acúmulo crescente delas. E quando há um número suficiente desses fatos, dizemos que a criança “está com medo”, pois aparecem sinais observáveis no corpo ou nas atitudes.


FASE 4: 2 anos – As crianças desta idade começam a prestar atenção na “relação de causa e efeito”, ao mesmo tempo em percebe sua falta de controle sobre o mundo a sua volta por meio de suas próprias experiências. Por exemplo, ao querer pegar um copo, ela o derruba e ele quebra, ou puxar um pano de louça sem tirar o que está em cima e derramar seu conteúdo.

Mas, ela também percebe essa mesma relação com o que acontece na natureza: nuvens escuras é sinal de chuva, trovões e relâmpagos são sinais de chuva forte. Sol, sinal de brincadeira no quintal. Calor, hora de brincar com água. No entanto, mas coisas que ainda não compreendem, lhes causam medo, como por exemplo, o som do trovão, do ruído dos trens ou do liquidificador e/ou aspirador. Temem ainda: objetos muito grandes, criaturas imaginárias e ... médicos.


FASE 5: 3 a 4 anos – Esta é a fase do desenvolvimento da imaginação. Por isso, possuem uma imaginação muito fértil. Ficam apavoradas com máscaras (qualquer uma), rostos cobertos (por panos, cobertores, lençóis) e de pessoas fantasiadas (palhaços e personagens infantis), além do escuro, de insetos e de ficarem sozinhas.


FASE 6: 5 anos – nesta fase iniciam-se os medos reais, porque esta idade traz uma compreensão maior da realidade.  Aqui, os medos maiores são: de se machucarem, de um cachorro escapar e mordê-las, de perderem os pais (seja em caso de separação ou morte). No entanto, os medos anteriores ainda continuam exercendo sua influência e o som alto do trovão é um exemplo observável.


FASE 7: 6 a 7 anos – Já com uma visão e compreensão maiores da realidade, o medo maior e o de que algum de ruim venha a acontecer com os pais e tempestades. Ainda com uma imaginação muito fértil, mas com fantasias mais criativas, as crianças desta idade temem: dormirem sozinhas e no escuro por causa das bruxas e fantasmas.

A partir dos 8 aos 10 anos, a maioria das crianças tendem a superar os medos a partir da compreensão cada vez maior da realidade. Mas outros podem aparecer, como por exemplo: o medo de não tirar boas notas na escola, de não fazer amigos, etc.

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Conversa 13 (1) – QUAL A ORIGEM DO MEDO INFANTIL ?



Na última postagem esta pergunta ficou no ar. E a resposta a essa indagação aqui está. Embora nossa espécie transmite geneticamente o sistema de alarme, ninguém nasce medroso. Os medos negativos que temos são aprendidos no convívio social. Vejam só:



a) O ACALANTO (canções de ninar ou canções de berço) é um tipo de música tranquila usada para relaxar as crianças e facilitar a chegada do sono. Sua origem é desconhecida, mas é usada internacionalmente. No Brasil, os acalantos foram trazidos pelos colonizadores portugueses e passaram a fazer parte do cancioneiro folclórico. 

Os acalantos podem ter ou não letras. Os acalantos brasileiros apresentam letras que falam de figuras do nosso folclore. Quem não conhece e/ou não nunca fez uso dos acalantos que falam do “Boi da cara preta”, do “ bicho Papão”, da “Cuca” na letra do Nana Nenê entre tantas outras espalhadas pelo nosso país?

Ao chegarem ao Brasil, os colonos se depararam com uma extensa área de floresta. Uma floresta desconhecida e com perigos reais que davam medo até nos adultos. E os pais, preocupados com as crianças pequenas e indefesas, passaram a usar os acalantos com letras cujos personagens lendários como a Cuca, o boi, bicho Papão, etc. O intuito de usar tais personagens era o de incutir o medo para que as crianças obedecessem e não fossem se aventurar na floresta. 

Esses acalantos repetidos inúmeras vezes impregnaram o inconsciente das crianças que, depois de adultas, passaram a repeti-los aos seus descendentes até chegaram até os dias. 


b) FRASES AMEAÇADORAS – Quem nunca ouviu pais ou responsáveis proferirem frases como: “Cuidado, que o homem do saco te pega”. Este tipo de frase é muito comum e serve para causar medo, intimidar a criança e levá-la a obedecer ao adulto, semelhante aos acalantos, porém num formato diferente.


c) CONTOS INFANTIS – A maioria dos contos infantis tradicionais estão repletos de figuras feias e malvadas como poderes mágicos como as bruxas. E em cada uma delas trata de um arquétipo importante que é a “luta entre o bem e o mal”, e na qual “o bem sempre vence”, o que é o mais importante. No entanto, não são as figuras por si mesmas que causam medo nas crianças, mas a ênfase que o adulto dá.


d) CONTOS DE TERROR – não são recomendados antes dos 10 anos de idade.


e) O PRÓPRIO IMAGINÁRIO INFANTIL – Além dos personagens inseridos pelos que os adultos no inconsciente infantil, a criança tem a capacidade de imaginá-las da forma que bem desejar e sem que os adultos possam impedir de alguma forma. Por outro lado, a criança tem a capacidade de imaginar outras, tendo as primeiras como base.

Fonte de imagens: Google.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Conversa 13 – O MEDO INFANTIL

Muitos pais ficam sem saber o que fazer ao perceberem que seus filhos sentem medo de alguma coisa. E a primeira coisa a fazer é entender um pouco sobre ele. 


Imagine que você tenha comprado um carro zero do modelo mais novo que existe. Para que você não tenha seu carro roubado você coloca um alarme que toca alto se alguém tocar nele de propósito ou casualmente. Os medos atuam como o sistema de alarme dos carros. É um alarme natural do corpo que nos avisa de perigos iminentes. Portanto, sentir medo é sinal de boa saúde. Assim, os medos nada mais são do que a emoção mais primitiva que existe nos seres humanos. E devemos a eles a garantia da sobrevivência da nossa espécie.
reação comportamental

Ao pressentir um perigo, o medo provoca duas reações muito importantes: “reações bioquímicas” (comuns em todos os seres humanos, independendo da idade, sexo, raça ou nacionalidade) e “reações emocionais” (que varia de pessoa para pessoa). 

reação bioquímica 

As reações bioquímicas são imediatas, involuntárias, automáticas, concomitantes e observáveis como: o aumento da frequência cardíaca, aumento do nível de adrenalina, o suor nas mãos, palidez facial etc. Já a vontade de sair correndo ou se deixar dominar pelo medo faz parte das reações emocionais e, portanto, são mais lentas, conscientes e voluntariosas. 

Quem nunca sentiu aquele friozinho na barriga
ao falar em  público?

Muitas pessoas se gabam e propagam aos quatro ventos que "não sentem medo de nada". Neste caso, essas pessoas sentem medos, mas foram encorajadas a terem e manterem uma atitude destemida, foram valorizadas por conseguirem  e, desenvolveram estratégias que disfarçam as reações bioquímicas no seu comportamento. Esta atitude é vista como "normal" porque é preciso sim, superar nossos medos para que não se tornem obstáculos. 

O ponto a ser abordado neste momento é a "ausência total do medo". 


A ausência  ou o mal funcionamento do alarme natural é uma doença emocional, silenciosa e progressiva que pode colocar em risco a vida dessa pessoa. São pessoas que se arriscam sem se dar conta do perigo que correm, porque a falta de aviso não as prepara ao enfrentamento da situação perigosa. Uma doença que precisa ser tratada por profissionais especializados (psicólogos e/ou psiquiatras).  E o pior é que muitas pessoas acreditam que essa atitude seja gabolice, a valorizam e incentivam com o reforço da aprovação. Estas pessoas confundem a gabolice com coragem ou destemor. 

TIPOS DE MEDO

medo real

Os medos podem ser “reais” ou “fantasiosos”. São medos reais: o medo de assalto, medo da morte, de envelhecer, medo de baratas, escorpiões, aranhas, cobras etc, medo de dirigir, de perder privilégios, medo de não passar no vestibular, medo da reação de alguém etc. 

medos fantasiosos ou imaginários

Os medos fantasiosos são frutos da nossa imaginação: medo de fantasmas, gnomos, fadas e bruxas, de extraterrestres, medo expressar opinião e ser ridicularizado, medo das coisas não saírem do jeito que foi planejado, entre outros. Inúmeros, variados e inusitados, os medos podem ser declarados (conscientes) ou ocultos (inconscientes). E de onde eles surgem? Este é o assunto de nossa próxima postagem