quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

ERROS INATOS DO METABOLISMO


Dentre os 750 tipos de ocorrência das deficiências intelectuais, falamos até o momento, das síndrome que decorrem de erros genéticos. Falamos das mais comuns e conhecidas; das mais raras e menos conhecidas. Falar sobre todas seria impossível. Deixamos um pouco as síndromes para tratar de uma outra causa: a dos erros inatos do metabolismo que, da mesma forma que as Sindromes, merecem nossa atenção. porque atingem uma boa parcela das crianças com deficiência intelectual.O que vem a ser esses erros?

Nosso corpo precisa de “combustível” para ser forte, saudável, poder se desenvolver e crescer. Esse combustível são os alimentos. Uma dieta rica e saudável é  aquela em que os alimentos fornecem diariamente certa quantidade de proteínas, gorduras, açúcares e vitaminas. Depois de ingeridos, os alimentos passam por uma série de transformações químicas para que possam alimentar as bilhões de células de corpo e do cérebro. A este complexo funcionamento chamamos de “metabolismo”.

A função do metabolismo é, portanto, a de o regular a quantidade de nutrientes necessários para o organismo e a velocidade com que esses nutrientes chegam ás células. Quando se fala de metalolismo, é preciso distinguir dois grupos importantíssimos: os de “anabolismo” e os “catalizadores”. Os primeiros são responsáveis pela nutrição celular, isto é, levar a cada célula os nutrientes necessários para seu crescimento e reprodução, além de manter as estruturas dos órgãos.

Já os segundos, agem de forma concentrada ou seja,  produzem as  enzimas que “quebram as moléculas dos alimentos” tornando-as tão minúsculas que possam entrar nas células. Por isso, as substãncias catalizadoras e as substâncias de anabolismo devem trabalhar em conjunto e de forma harmônica. Dessa forma, com células bem nutridas, teremos um corpo saudável e uma mente produtiva.

Quando o metabolismo não cumpre suas funções traz problemas para o organismo. Algumas pessoas nascem com a produção excessiva ou ausente de uma dessas substâncias, o que provoca um desequilíbrio metabólico. Desse desequilíbrio resultam atrasos e retardos intelectuais que podem variar em leves, moderados e profundos ou como agravante de  alguma síndrome.

Fonte:
Anotações da aula da APAE-SP

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O DESENHO COMO CONSTRUÇÃO DA INTELIGÊNCIA


Desenhar é algo inato nos seres humanos. Sua origem nos remete aos tempos pré-históricos. Esses nossos antecedentes também rabiscaram, agregaram formas e passaram a representar o que viam e, mais tarde, o que sentiam. A cada mínima conquista o cérebro humano se modificava. Agregadas umas às outras eram transmitidas de geração em geração. Desta forma, passaram-se milênios para transformar cérebro humano no que ele é hoje. E com isto, o homem se transformou num ser inteligente.

A criança no início do seu grafismo revive de modo rápido toda a trajetória daquele tempo. Num tempo recorde de 3 meses (mais ou menos) podemos notar diferenças no desenho infantil e, assim, determinar o grau de desenvolvimento de sua inteligência.

Muitos pais e professores consideram o desenho infantil como uma atividade sem importância. Coisa de segunda classe, como perda de tempo e sem qualquer importância, ou ainda, atividade para horas vagas e ociosas. Mas, esquecem que, mesmo antes da criança aprender a falar, a criança aprende a rabiscar. Que antes de ler e escrever,desenham, nomeiam as figuras e contam histórias.

Nossos antecessores primitivos utilizaram os desenhos como forma de comunicação. Deixavam registradas suas aventuras nas caçadas, as batalhas que travavam, a vida difícil da época e suas conquistas, valores e crenças. As crianças, ao desenhar, fazem o mesmo. 

Comunicar é expressar pensamentos e sentimentos. E como poderão interpretar uma leitura ou escrever um texto se não sabem se expressar através do desenho?

O desenho é um preparador para que a criança possa ler e escrever. E sem passar por todas as fases gráficas que o desenho oferece jamais ela conseguirá aprender a ler ou escrever porque não se desenvolve da forma necessária por que, impedidas ou desvalorizada em sua forma de expressar criam-se os bloqueios e, com eles, as dificuldades escolares.

- "O desenho infantil é feio!", -"Eles fazem tudo torto!", - "Nada se parece com o real" - são comentários que ouço continuamente de pais e professores.  E, então, para entregar um mimo aos pais, os professores passam horas do seu tempo livre, fazendo  desenhos, pinturas, recortes no lugar da criança. Os pais, na mesma situação para  presentear alguém, preferem comprar um pronto em qualquer loja. E com este pequeno gesto, impedem que a criança se desenvolva. 

O desenho, assim como qualquer outra forma artística, requer experimentação, oportunidade e frequência da atividade. Como acham que Da Vinci, Renoir, Van Gogh e Picasso começaram o seu virtuosismo? Acham que já nasceram pintando da forma que fizeram na maturidade?

fontes

Apontamentos de aula

VEJA MAIS - em "ARTE E EXPRESSÃO"

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

AS BONECAS


OLÁ, PESSOAL! 
Trouxe para vocês mais um material de estimulação pedagógica: as bonecas.
Parece que ouço vocês dizerem: - O queeeeê?... Boneca, material de estimulação de aprendizagem? E respondo: - É um dos bons.

As bonecas tiveram, provavelmente, origem na pré-história. E difundiram-se por todas as civilizações através dos séculos e milênios. Se tornaram brinquedo infantil no século XVII e, daí para cá, têm se transformado de acordo com a época, os costumes e com as necessidades industriais. Modificadas na aparência e nos materiais com que são feitas procuram agradar ao público consumidor. Dessa necessidade, encontramos uma variedade de bonecas: femininas, masculinas, infantis, adultas e representativas das várias etnias e nacionalidades.

Mas, as bonecas mais estimulantes e benéficas para o desenvolvimento da criança são aquelas mais simples possíveis, feitas de tecido, feltro. palha ou lã e pingos de tinta que lhes formam olhosm nariz e boca. Esses materiais são macios, quentes (parecidos com a temperatura humana) e com texturas variadas que estimulam e desenvolvem o sensorial infantil. Embora sejam bonitas e atraentes, as industrializadas são frias e lisas e estimulam pouco as crianças.

A simplicidade das bonecas exige boa dose de imaginação que a leva fantasiar e desenvolver a imaginação. Ao brincar com tais bonecas, as crianças criam e contam histórias orais que falam da maneira como vêem, sentem e atuam no mundo e em suas relações parentais ou sociais. Estas histórias podem ser transcritas em folhas ou cadernos, gravadas, ditadas para o professor ou transformadas em atividades artísticas pela própria criança, agindo como produções de texto, já que a única diferença é a forma com que são registradas.

Na alfabetização, as letras e as famílias silábicas tornam-se mais significativas, facilitando a associação das letras ao objeto manuseado concretamente. Auxilia na nomeação de palavras (das peças do vestuário e de objetos utilizados nas brincadeiras), nas noções de ação (verbos), na formação e organização de frases etc.. Algumas questões gramaticais (noções de gênero, número e grau dos substantivos) também ser trabalhadas concretamente.

Podem ainda servir mote para assuntos de outras disciplinas, como por exemplo em ciências, quando se fala dos cuidados pessoais, das partes do corpo. Em história, ao se falar das relações familiares, dos papéis de cada membro. Ensinam-se valores como o cuidado do outro (incluindo-se o da inclusão) e da compreensão das atitudes familiares. pois a criança percebe a relação fantasia/realidade ao brincar, pois a boneca é um objeto onde pode projetar suas fantasias, dúvidas e necessidades. Podem ser trabalhados outros valores, como os de solidariedade, de fraternidade e cooperação mútua quando a brincadeira for realizada em grupos.

Bom, fica aqui a sugestão. Façam bom proveito delas.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

OS DOMÍNIOS NA SALA DE AULA

Os conteúdos das disciplinas escolares são passados aos alunos por meio de um processo chamado “transferência”. É, portanto, através das transferências que as aprendizagens acontecem no domínio cognitivo.

Como isto acontece? O domínio cognitivo possui seis níveis (ou etapas) que vão do básico ao complexo. O primeiro nível  é o CONHECIMENTO, que está relacionado com a memória, ou seja, a capacidade de reter as informações. O segundo nível é a COMPREENSÃO, baseada na capacidade de entender e interpretar a informação.

O terceiro nível é o da APLICAÇÃO, que está ligado com as vivências e experiências do educando. O quarto é o da ANÁLISE, que envolve outros desdobramentos em sua constituição como  a percepção das relações e inter-relações das partes e dos modos como esses desdobramentos se realizam em nível cerebral. O quinto nível é o da SÍNTESE, que envolve a organização dos conteúdos mentais e da capacidade de combinar e recombinar as partes para formar o todo. Finalmente, o nível da AVALIAÇÃO,  que implica num julgamento particular. Este é o mais alto dos níveis cognitivos.

Para aprender o aluno precisa passar por cada um desses níveis, começando pelo básico e ir subindo, de degrau em degrau até chegar ao último, que é bem mais avançado.

É neste momento que outros domínios entram em ação. Uma aula interessante, com novidades, com um professor motivador que desperta o interesse dos alunos, as aprendizagens ocorrem com maior rapidez. Isto por que o domínio afetivo é acionado mexendo com os interesses e necessidades pessoais dos alunos

Ao realizarem uma tarefa entra em jogo o domínio psicomotor. Um aluno habilidoso a desempenhará com destreza. Um aluno menos habilidoso, a desempenhará com mais dificuldade. Assim, quanto maior forem os níveis alcançados em cada domínio, maior e mais rápida será a aprendizagem.

Fontes:

BORGES, A L. “Movimento Cognitivo-Afetivo-Social na Construção do Ser” in Sargo
JOHNSON, D, J, e MYKLEBUST, H. R. “O cérebro e a aprendizagem”. São Paulo, Ed Pioneira, 1987.


sábado, 14 de janeiro de 2012

CONTOS DE FADAS E A IMPORTÂNCIA DAS FANTASIAS PARA AS CRIANÇAS.



Alguém, por acaso, já se perguntou o que uma criança pensa diante de uma vontade ou desejo contrariado? Com certeza, nem passou por nossos pensamentos, não é mesmo? Então, vamos ver.

Ao nascer e durante os primeiros meses de vida, as crianças não têm consciência de quem sejam, do mundo que as rodeia ou dos outros semelhantes. Porém, aos poucos, ela cresce, manipula o ambiente e vão tomando essa consciência. Para isso, tem necessidade de um longo processo para a formação do seu  “eu consciente” (ego)

Alguns anos mais tarde, as crianças passam a experimentar atitudes ou dar vazão a seus desejos e vontades. seu ego ainda é fraco e em construção. Mas, a mente das crianças é povoada de impressões. Na maioria das vezes e devido a imaturidade neurológica, essas impressões estão parcial ou totalmente desorganizadas, formando grandes lacunas de compreensão. E para preenchê-las estão as fantasias.

Por serem fantasias estão repletas de distorções. Mas, distorções benéficas, que levam a criança a compreender a realidade do seu próprio jeito e não do jeito dos adultos querem. Uma compreensão ditada de acordo com o seu psiquismo.

Diante de uma vontade contrariada, de um desejo que não se realiza ou de obedecer a uma ordem do(s) adulto(s), a criança começa a travar uma luta entre o que deseja ardentemente e o poder (razão) que os adultos exercem sobre ela. 

Chorar, lamuriar, resmungar, implorar, emburrar são reações da criança nesse momento e, logicamente, acaba vencida por esse poder (na maior parte das vezes, com uma ameaça). E diante desse poder, ela se aquieta. Chamamos a isto de “obediência”.

Mas, ainda não compreende o porque da contrariedade. Minutos depois os adultos esquecem o acontecido. Mas, a criança não esquece, Ao contrário, fica ruminando essa questão por um longo tempo na tentativa de compreender o porquê das coisas. É, nesse momento,surgem os pensamentos negativos, inaceitáveis e contraditórios que podem ser contra si própria ou contra a pessoa que a contrariou.São pensamentos assustadores para ela, gerados pelo sofrimento do ego em construção. Pensamentos que a fazem sofrer ainda mais de culpa e de medo que se tornem realidade (pensamento animista),

Para aliviar a tensão, a criança brinca. Durante a brincadeira, projeta nas bonecas, carrinhos, bolas ou outro qualquer, os pensamentos negativos de a pouco, repetindo a atitude dos adultos sobre elesO alívio acontece porque não é mais ela quem sente a culpa ou o medo, mas o brinquedo. Assim, aprendem a controlar esses pensamentos e passam a compreender a atitude dos adultos.

Os Contos de Fada mostram às crianças que estes sentimentos são naturais e humanos, que ela não é a única a senti-los e que as personagens tem os mesmos desejos, sentimentos e reações que ela. Mas, que no final, tudo acaba bem. É essa mensagem de esperança de dias melhores de finais felizes que ajudam a criança a superar os problemas de relações parentais e de compreensão da vida.

Aos pais e professores:

Saber estas coisas não significa que devemos atender a todos os desejos das crianças. Ao contrario, devemos coibir sempre os mais indesejáveis. Evitar que a criança sofra decepções e frustrações é tirar dela a oportunidade de se defrontar com os problemas e dificuldades que a vida impõe. Isto sim é prejudicial para ela. Portanto, continuem educando como se deve, sem medo dos pensamentos e fantasias da criança, pois é por meio dele e das fantasias que ela constrói, que ela evolui mental e psicologicamente, tornando-se uma pessoa digna e respeitável.

Fonte:

BETTELHEIM, Bruno. “A Psicanálise dos Contos de Fadas”, Ed Paz e Terra, 



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ETAPAS DA ESTRUTURAÇÃO TEMPORAL NA CRIANÇA



Ninguém pode ensinar a criança. Ela deve construir essa estruturação sozinha, a partir da observação e da relação entre o tempo e os acontecimentos. Essa construção exige que a criança realize um difícil trabalho mental. Para realizar esse esforço precisa ter um bom funcionamento e desenvolvimento cognitivo.

A criança consegue essa façanha observando os acontecimentos e aos poucos, vai aprendendo a nomeá-los corretamente, captando cada noção aos poucos. Assim, seus movimentos, seus gestos e ações vão se ajustando e se adaptando ao espaço e ao tempo, permitindo que se movimente livremente onde quer que esteja.

Movimentando-se livremente, vai assimilando os conceitos de velocidade e duração dos movimentos e vai tomando consciência da relação de seu corpo no tempo e no espaço. A partir de então, começa a perceber as relações de ordem, de seqüência, de sucessão, duração e de alternância dos objetos e de suas ações. A partir daí, percebe que o momento do tempo (o instante, o momento exato, a simultaneidade e a sucessão) podendo assim, organizar e coordenar a sua relação com o tempo, conquistando uma boa parcela da orientação temporal.


Falta-lhe ainda a outra parte restante que conseguirá através das representações mentais, quando passar a brincar com o “faz  de conta”, ou seja, quando aprender a simbolizar. Só então, terá a capacidade de associar os objetos e acontecimentos ao tempo e fazer as generalizações. Mais tarde fará a transposição as atividades escolares principalmente para a leitura, a escrita e cálculos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

ALINHAVOS


Olá, pessoal!

Trago para vocês mais uma sugestão de atividades que pode ser realizada com crianças com e sem deficiência. São os alinhavos.

Normalmente, os alinhavos são feitos com placas de madeira, desenhadas e perfuradas no contorno dos desenhos. No entanto, pode-se fazê-los com papelão ou papel cartão. Para alinhavar usam-se cordões de amarrar tênis comprados por alguns centavos em qualquer loja de armarinhos. Estes cordões também podem ser improvisados com barbante, fita ou outro fio grosso qualquer. Devem ter um nó grosso (maior que a perfuração) numa ponta e, na outra, deve ser passada algumas camadas de cola branca, para que fiquem bem firmes. As figuras devem ser interessantes e significativas para as crianças.

Os alinhavos trabalham a coordenação motora fina, a preensão, o sentido de direção, noções de por cima e por baixo, dentro e fora, a atenção e a concentração e a coordenação viso-motora (olhar o que se está fazendo) etc,

Esta atividade pode ser uma auxiliar na alfabetização e numeração quando se usa letra e/ou  número para serem alinhavados. As figuras dos alinhavos também servem como auxiliar da escrita quando as usamos para nomeações, formações de frases, pequenas produções de textos.

Crianças com deficiência intelectual, autistas ou com problemas motores encontram alguma dificuldade no início. mas depois, melhoram com a repetição da atividade, a compreensão da organização do trabalho e da vontade que possuem de melhorar sua condição. Por isso, as figuras devem ser simples e com linhas retas. Com o tempo, vai se incluindo aos poucos, as formas arredondadas.

Os alinhavos que mostro, foram realizados por uma adolescente com malformação cerebelar, baixa visão, rarefação pigmentar e nistagmo patológico. O trabalho mostra vários momentos da atividade e o progresso conquistado com a atividade.

 No inicio, a garota unia os pontos aleatóriamente.
 6 meses depois, já apresentava uma compreensão melhor do trabalho
 e pode-se notar um grande progresso.
Ao final do ano, seu trabalho já estava perfeito.

O trabalho de alinhavo com essa garota também serviu para o conhecimento de partes das vestimentas como (bainha, barra, cós, gola, decote etc), para o ensino do asseio pessoal e do cuidado com o vestuário, conversas sobre a vaidade feminina, sexualidade, etc.

QUEM TRABALHA COM INCLUSÃO DEVE SER PACIENTE E DAR TEMPO AO TEMPO.