terça-feira, 14 de outubro de 2014

FORMAÇÃO DE FRASES: um novo desafio

Durante um tempo as crianças trabalharam a formação de frases com uma figura ou palavra e já sabem muito bem como formá-las. 

Está na hora de lançar um novo desafio. Use agora duas figuras. As crianças deverão usá-las na mesma frase. No começo, é preferível que as figuras estejam relacionadas e que sejam bem óbvias. Por exemplo:

 



Trabalhe assim por mais algum tempo até que se perceba certa facilidadeÁ medida que entendem como tudo funciona, desafie-as mais um pouco. As figuras devem apresentar uma relação menos clara que as anteriores, embora possam manter uma relação.

 


Trabalha-se mais algum tempo. Por fim, três figuras que podem estar ou não claramente relacionadas.

 

 

Estes pequenos desafios fazem com que as crianças desenvolvam um pensamento mais lógico e mais variado, colocando em ação as áreas cerebrais que trabalham com as funções superiores. Estes desafios também trazem a possibilidade de trabalhar uma parte gramática, como as formas verbais no plural, a concordância e a ampliação de frases.

As crianças gostam destes desafios e se sentem empolgadas porque veem as frases ficarem "mais compridas", como dizem.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

FASES REGRESSIVAS


Trabalhar com deficientes intelectuais é assim: você trabalha um conteúdo, a criança repete várias vezes um item desse conteúdo. Ensina-se outro item e ela repete outras tantas vezes. Tudo parece ir muito bem porque a criança está avançando em seus conhecimentos. 

Mas, trabalhar com deficientes tem lá suas surpresas também. Um belo dia, a criança chega e não lembra nada do que foi ensinado. Confunde letras e números. Ás vezes, nem reconhece as letras que fazem parte do seu próprio nome. E o que sabia antes, já não sabe mais. Nestes casos, é preciso recomeçar tudo novamente. 

Por que isto acontece? Todo deficiente intelectual apresenta fases regressivas, como afirma Vitor da Fonseca. Porque? Ninguém sabe. Quanto tempo leva nessas fases? Varia de pessoa para pessoa, podendo durar algumas semanas ou levar meses.

Vocês devem ter percebido que, de uns tempos para cá, deixei de postar atividades de alfabetização. Foi justamente por causa desta fase regressiva. Uma fase que durou seis (6) meses e foi a mais longa que já presenciei.

Durante esse tempo, retomei todo o alfabeto comparando as letras com sonoridade semelhante e as operações fundamentais. E não postei porque seria repetitivo e desinteressante para vocês. Finalmente, está saindo dessa fase. Já tenho notado progressos faz algumas semanas.

Portanto, professores e pais fiquem atentos. Não é má vontade da criança. Simplesmente, ela não consegue se lembrar do que aprendeu.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

CRIANÇAS QUE NÃO GOSTAM DE LER

RESPOSTA AO LEITOR




Uma mãe me escreveu pedindo orientação porque seu filho não gosta de ler. E aqui vai a resposta.

Nem sempre a criança que "não pega" um livro para ler  é "preguiçosa" ou realmente "não gosta" de ler. Isto porque algumas situações podem atrapalhar o desejo de ler.

A primeira é não ver seus pais lendo seja um jornal, revista ou livros. E se os pais não leem é porque a leitura não é uma atividade importante. Lembre-se de que as crianças aprendem pela imitação dos adultos.

A segunda é ler por obrigação. Ler tem que ser prazeroso. Ler porque os pais querem ou para fazer prova é horrível e muito chato. E mesmo que a história seja maravilhosa, não dá vontade de ler.

A terceira situação é ter que ler logo depois que chegou da escola ou de fazer a tarefa de casa. Algumas tarefas escolares realmente são cansativas e provocam um desgaste grande de energia e as crianças ficam cansadas.
  
A quarta são os livros que não combinam com a idade mental da criança. Embora tenha 10 / 11 anos, mas se o comportamento é de 8 / 9 anos, os livros para a faixa da idade deles ou maior  não combinam. Muitas crianças escolhem livros pela capa e não pelo assunto ou pelo autor.

A quinta situação é a maneira como essa leitura é acompanhada pelos pais. Na maioria das vezes, a criança fica num dos cômodos da casa e os pais em outro. Não participam da magia da leitura. E a criança finge que lê e os pais ficam satisfeitos.

A sexta situação pode estar ligada com dificuldades de leitura. Ele ter uma leitura lenta, confundir letras, pular de uma linha para outra sem perceber, desconhecer palavras. E  aí, a compreensão do texto fica prejudicada

Para estimular a leitura, faça o seguinte:

a) Escolha livros adequados para o seu filho. Não o que está na moda.

b) Comece com livros de poucas páginas (máximo de 20). Vá aumentando aos poucos.

c) Leia o livro antes de oferecer a eles. Assim, você poderá conversar com ele sobre a história.

d) Para começar, 15 minutos diários são suficientes. Depois, vá aumentando 5 minutos por semana  sem que ele perceba. Haja naturalmente.


e) Não o deixe sozinho na hora da leitura. Participe da leitura, lendo alguns trechos para ele e ele para você em voz alta. Assim, você perceberá as dificuldades de leitura que possa apresentar e ajudá-lo sem broncas, recriminações e impaciência.

f) Se aparecer alguma palavra mais difícil ou que fuja do vocabulário que estão acostumados a usar, consulte um dicionário. Haja naturalmente, como se fosse um costume. Você estará ensinando como ele deverá agir quando você não estiver por perto.

g) Não precisa terminar o livro num único dia. Mas sempre que parar, escolha uma situação que o deixe em suspense e querendo saber o vai acontecer na próxima página. Guarde o livro com você para que fique mais curioso.

h) Pergunte se ele gostou, o que entendeu, sobre personagens e suas atitudes, e o que ele faria se estivesse no lugar do personagem. Sempre de acordo com a história, é claro. Você perceberá se ele compreendeu ou não a história, ajudará a se expressar oralmente, a falar o que pensa com confiança de que não haverá críticas, broncas, nem notas.

E em pouco tempo, ele estará gostando de ler.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

OS ARAMADOS

RECURSO DIDÁTICO


Olá pessoal!

Hoje trouxe para vocês um recurso didático muito legal. As crianças adoram e ficam doidinhas com eles. Trata-se dos ARAMADOS.


Os aramados, como o nome diz, é feito de arame grosso e encapado com plástico colorido e preso numa placa de madeira. Ele possui umas pecinhas de madeira bem coloridas e que correm de um lado para o outro do arame. 


Vários são os tipos de aramados: os ondulados, triangulares, entrelaçados e os acrobáticos. podem ser grandes ou pequenos e são encontrados em lojas especializadas de materiais didáticos. Infelizmente, não é um material barato. Mas é bastante durável.
ondulado                               espiral


triangular                          entrelaçados

acrobáticos


Esse recurso  pedagógico é, para  as  crianças, um brinquedo  divertido. Mas, são excelentes  para  o  desenvolvimento  da  coordenação  motora,  viso-motora,  da percepção visual, organização espaço-temporal e para a aprendizagem de cores e solução de  problemas  práticos. Ainda  exercita os  músculos dos dedinhos e das mãos

Como se trabalha com eles? Fácil.




1- deixe a criança explorá-lo a vontade por um tempo. 




2- desafie a criança a passar as pecinhas de um lado para outro usando apenas uma das mãos. 

3- e quando terminar, peça que volte as peças para a posição inicial com a outra mão.



4- a solução de problemas é trabalhada quando tem que passar as peças pelos fios entrelaçados com uma só mão.



Feito isso, elogie e deixe-a brincar novamente. Repita a operação num outro dia e com outros modelos.

Este recurso pode ser trabalhado com deficientes ou não e em qualquer idade.


Espero que gostem da sugestão.

domingo, 14 de setembro de 2014

AS HABILIDADES MOTORAS

Responda a esta questão: Você pensa em que movimentos deve fazer para realizar as tarefas abaixo?
 ou 

Com certeza, você respondeu que não. Na verdade, ninguém pensa nesses movimentos. Simplesmente, faz automaticamente. Por que isto acontece?

Ficar em pé garante a todos os seres humanos uma imensa gama de possibilidades de ação e de locomoção. Obtemos uma liberdade que nos permite explorar o corpo e o ambiente de todas as maneiras possíveis e imaginárias.


Observando os movimentos realizados por um bebê podemos entender melhor essa liberdade. Na fase deitado, o bebê é totalmente dependente. Ao sentar, seu ângulo de visão muda e os objetos do ambiente passam a despertar mais sua atenção, razão pela qual dá início a um trabalho de exploração dos objetos próximos. Ao engatinhar, o ângulo visual muda novamente e com mais familiaridade da locomoção permite a exploração de objetos mais distantes.


Mas, ao ficar em pé, tudo muda mais ainda. Já não precisa dos braços para apoiar o corpo. As pernas obedecem aos comandos cerebrais e a locomoção se torna mais fácil. O ângulo de visão se adapta à nova realidade permitindo uma nova exploração dos objetos próximos e distantes, ir até eles e voltar ao ponto de partida. E a palavra mágica é APRENDER.

O bebê aprende que seu corpo é flexível e explora isso. Abaixa, levantar, sobe, desce, esbarra nos objetos e aprende a desviar deles. Explora ainda diferentes visões de mundo: deita-se de costas, de barriga, de lado, rola pelo chão, olha por entre as pernas e de outras formas bastante engraçadinhas. Além de enxergar o mundo de modos diferentes está ampliando os conhecimentos do seu campo de visão também.


Ao manipular objetos aprende que nem todos os objetos são iguais, nem tem a mesma textura, nem a mesma forma, nem o mesmo peso. E aprende a usar a força muscular e a distância adequada para cada objeto. Por meio dos ruídos, aprende a distinguir as distâncias entre os objetos e seu corpo. É a audição presente.

Andar é uma aprendizagem que implica numa série de movimentos orientados, posicionados e equilibrados. 

Todas as aprendizagens começam tímidas, desajeitadas, inseguras e sempre estão sujeitas a erros. Os erros do bebê resultam em quedas. Por não temê-las, logo se levantam e retomam o movimento. E aqui entra uma outra palavra mágica: REPETIÇÃO. Andar, cair e levantar é um jogo divertido para o bebê.

A repetição de um movimento acelera o aprendizado e aprimora os comandos dos movimentos. Chamamos a isto de hábito. Esse aprimoramento ainda não é totalmente isento de erros. Repeti-los continuadamente é necessário e importante. É quando entra a última palavra mágica: a PRÁTICA.  Com o tempo e a repetição, o hábito se transforma em habilidade: a prática.

A prática significa que as funções cerebrais, vestibulares e motoras já conseguem dar respostas imediatas e eficientes mediante a visão de um objeto. Os movimentos seguem uma sequência prevista e organizada. Por isso, não precisamos pensar no que fazer. Isto não acontece apenas com os bebês, mas com todas as pessoas e o tempo todo. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PINTANDO COM ESPÁTULA

OLÁ, MINHA GENTE!

Depois de alguns dias sem postar por questões pessoais, hoje trago para vocês mais uma novidade: pintura com espátula.

Para realizá-la com crianças de qualquer idade, deficientes ou não, você vai precisar de faquinhas plásticas de bolo e tinta guache ou acrílica.

Para traçar um linha reta basta carregar a ponta da faca com um pouco de tinta e depositá-la no papel e com movimentos de vai e vem se direciona a reta.


Faz-se o mesmo para traçar linhas curvas.


Aprendido esses movimentos básicos, podemos passar para a segunda fase: o "arrasto". Realiza-se o movimento feito para a reta e puxa-se a faquinha, ainda com tinta, para baixo ou para cima de leve. Com muita pressão a tinta não desliza.
 


Com o "arrasto" de várias cores formamos lindas e diferentes pinturas, como esta:

Sem lavar a faca ao passar de uma cor para outra, ou uma cor sobre a outra, as crianças notam que as cores se misturam e ganham novas tonalidades. 

Depois desta etapa, as crianças podem começar a preencher desenhos simples e sem muita dificuldade como formas geométricas ou flores. Para isso, basta depositar a tinta e arrastar  de leve seguindo o risco.


Para os maiores que já aprenderam bem os movimentos e conseguem criar, podem fazer flores como estas ou outras de sua vontade.


Com isto estamos trabalhando a coordenação motora, a preensão, o controle da mão, a desinibição da pintura, estimulando a criatividade e a imaginação.

Esta é mais uma sugestão para um trabalho diferenciado em casa ou na sala de aula.

Espero que gostem.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

DESENVOLVIMENTO MOTOR: um trabalho de equipe


Para que um bebê saia da posição deitado (horizontalidade) dos primeiros meses e fique em pé (verticalidade), posição própria da espécie humana, necessita de outros processos que se desenvolvem em paralelo e em conjunto com o desenvolvimento do sistema motor.



Na parte estrutural temos o sistema ósseo, o sistema muscular e o sistema nervoso.
O sistema ósseo constitui o alicerce do corpo humano. O esqueleto é quem nos permite a posição ereta e vertical. Por isso, precisam ser rijos e fortes. As células que os compõem precisam absorver o cálcio contido nos alimentos. Quando isto não acontece ficam frágeis e quebradiços e podem atrasar ou impedir o desenvolvimento motor.

Os músculos recheiam o corpo e são os grandes responsáveis pelos movimentos. Presos aos ossos por meio de nervos, tendões, cartilagens e articulações devem exercer plenamente sua função tônica, ou seja, serem capazes de contrair e relaxar quando preciso. São eles também os grandes responsáveis pela posição vertical e pelo equilíbrio ao andar (modulação anti-gravídica). Do trabalho dos músculos dependem a harmonia, a automatização e a voluntariedade dos movimentos.

Para que se tenha ideia da importância dos músculos, o corpo humano possui 639 pares deles. Desse total, 47 pares destinam-se ás funções neurovegetativas que garantem a sobrevivência dos seres. Os 582 pares restantes são responsáveis pelo equilíbrio nas diversas posturas que os corpos assumem, na ação e na coordenação dos movimentos para que sejam leves, harmoniosos e coordenados. Qualquer problema relacionado a eles, os movimentos se tornam endurecidos e descoordenados.

Nervos, tendões, capilares nervosos, cartilagens e articulações compõem o sistema de enervação muscular. Eles partem do Sistema Nervoso Central e entram na musculatura levando informações e trazendo respostas cerebrais (sensibilidade corporal) para que os movimentos se realizem.


Depende ainda do sistema circulatório. Ossos, músculos e enervações devem receber boa quantidade de sangue constantemente, pois este é o meio de oxigenação e alimentação das células que os compõem.

Mas, toda esta estrutura depende ainda da participação de outros sistemas que devem ser desenvolvidos em paralelo. O tato que, espalhado por todo o corpo através da pele, nos coloca em contato com o mundo exterior. Sua função é a de receber estímulos e enviar informações ao cérebro. O tato é responsável pela orientação, localização, identificação e discriminação do corpo nos diferentes ambientes. Da visão depende a excitação ou a inibição dos movimentos diante de um obstáculo, da sequência dos movimentos, da identificação e da discriminação do corpo com relação aos objetos do ambiente. A audição também exerce um papel importante, garantindo o equilíbrio do corpo além da orientação, localização, identificação e discriminação do ambiente através dos sons.


Do sistema vestibular (comandado pelo cérebro) depende a orientação e por endireitar o corpo garante nos diferentes movimentos que realizamos garantindo a verticalidade e o equilíbrio. Ele também é responsável pelos movimentos realizados pelos olhos.


As conquistas motoras, elencadas no artigo anterior, dependem deste trabalho em equipe. Dessa forma, qualquer atraso de cada uma das etapas, dão indício de que algo não vai bem e merece investigação. São muitos os sistemas a serem investigados e quanto mais precoce for a identificação da causa (ou das causas) desse atraso, menores serão os efeitos sobre o sistema motor.