sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

PARALISIA CEREBRAL E OS AVANÇOS MATEMÁTICOS


Muitas pessoas me perguntam porque, ao trabalhar  as operações fundamentais com deficientes intelectuais ou com Paralisia Cerebral, eu não uso diretamente a calculadora? A resposta é simples: quero que eles entendam todo o processo. E agora eu pergunto: De que vale saber manejar bem uma calculadora e não entender o que acontece quando, por exemplo, somamos valores que dão mais que 10 unidades,  dezenas ou centenas? Como entender o que acontece quando tiramos um número maior de outro menor se, eles não conseguem ver o que se passa dentro de uma calculadora para chegar a um certo resultado?

Por isso, trabalho antes toda essa parte para depois, se for necessário, usar a calculadora. Com isto, não desenvolvemos só os conteúdos, mas principalmente o raciocínio e a inteligência.

ADIÇÃO SIMPLES COM DEZENAS


Em contas deste tipo, o garoto monta com saquinhos (dezenas) e tampinhas soltas (unidades) os valores a serem somados, junta as unidades primeiro e depois as dezenas, conta e eu marco com lápis para ele não esquecer. Espalho as respostas e ele encontra o numeral procurado. E ele repete estes passos em cada operação a ser realizada.

A SUBTRAÇÃO

Enquanto fixamos os passos das adições com dezenas simples, começamos a trabalhar a segunda operação fundamental: a subtração de unidades.


Neste caso, ele monta os primeiros algarismos com as tampinhas soltas e tira as quantidades que vierem depois. Conta e escolhe o algarismo da resposta.

Quando já estiver craque, verticalizo as subtrações. E ele repete o processo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

COORDENAÇÃO MOTORA FINA E A PARALISIA CEREBRAL

Como prometi, mais alguns exercícios de coordenação motora para vocês. Agora com linhas curvas e circulares, a grande dificuldade do garoto com quem trabalho.

 








quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

PARALISIA CEREBRAL E A COORDENAÇÃO MOTORA


A coordenação motora de crianças e jovens geralmente é muito precária.Por isso, sempre é necessário que se trabalhe este item seja em casa, na escola ou nos atendimentos psicopedagógicos.

E em quanto o garoto que atendo continua em férias, posto aqui o que tenho trabalhado com ele além da alfabetização em Língua Portuguesa e em Matemática. A maior dificuldade deste garoto são as linhas curvas, porque as retas ele as faz muito bem quando os espasmos deixam.  Podemos observar isso, nas fotos abaixo

perfeito

 

com espasmos

 

Mediante estes resultados, optei por trabalhar as linhas em zig-zag, cujos movimentos são os mesmos usados na escrita de alguns números e letras. Iniciei com linhas inclinadas isoladas para a direita e em seguida juntando as da esquerda.

 perfeito

                                                                com espasmos



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

PARALISIA CEREBRAL E A ADIÇÃO

Tudo depende da capacidade intelectual e motora da criança ou jovem em atendimento. Alguns conteúdos escolares necessitam de processos mais longos (com mais repetições) outros menos dependendo das limitações daquele que aprende.
No caso do garoto com quem trabalho, suas respostas positivas têm sido mais rápidas que o esperado. Por isso, os avanços. Mas cada professor ou pais devem seguir de acordo com as possibilidades do seu aluno ou filho(a). O que mostro aqui são sugestões de trabalho que podem ser realizados e com sucesso. Ok? Então vamos a mais uma etapa.

OPERAÇÃO FUNDAMENTAL: ADIÇÃO


Só para lembrar o que já mostrei aqui, iniciamos com as contagens de pequenos conjuntos de quantidades para que ele contasse e identificasse o valor numérico e colasse a resposta. Para quem pegou este texto pela primeira vez, este garoto não consegue escrever. O objetivo disso era saber se ele contava corretamente.


Com respostas positivas partimos para a etapa seguinte: agrupar dois conjuntos de quantidades por meio da contagem, identificação do valor numérico e colagem do resultado. O objetivo era verificar a noção de juntar, agrupar, somar. Nem precisei explicar porque ele começou a fazer por conta própria. Trabalhamos assim por um tempo.

Como ele já tinha a noção de juntar, partimos para a etapa seguinte. A contagem usando os dedos das mãos. Mas não deu certo, porque suas dificuldades são grandes. Então, parti para outra etapa: substituir as figuras por valores numéricos. Para realizar as contagens usei um material alternativo: tampinhas de refrigerante ou de caixas de leite.

Ele preparava as quantidades, juntava, contava, identificava o valor numérico e colava o resultado. 



 

Repetimos esse processo em algumas oportunidades. 

Em seguida, trabalhamos problemas com adição. O objetivo era verificar se havia entendido a noção. Li o primeiro problema para ele porque ainda não conhece todas as letras e perguntei se ele achava que eu havia comido mais ou menos doces.

- Mais, é claro! - foi sua resposta. E aí partimos para a identificação da conta (+ e -) como opções e vocês já conhecem o restante. Fiz o mesmo com o segundo problema.


No final perguntei se ele havia gostado dos problemas. Seus olhos marejaram e ele disse que “nunca havia feito problemas na escola”. E que todos os professores e as auxiliares que ficavam a seu lado (por direito legal) achavam que “ele era burro e que não sabia de nada”. Também me emocionei, tive vontade de chorar, mas engoli e mudei de conversa. Avisei-o que, no nosso próximo encontro, haveriam outras novidades.

E dito e feito. No encontro seguinte, o último do ano, apresentei –lhe as contas na vertical. Por enquanto, só nas unidades e com resultados maiores e menores que 10.


E como na vez anterior, as tampinhas ajudaram bastante.

FORMAÇÃO DOS NÚMEROS

Em seguida, para fixar a numeração, trabalhamos a formação dos números com as duas primeiras dezenas. O objetivo é o entendimento da mudança do número na casa das dezenas. Fiz o primeiro usando um material montessoriano chamado “VISÃO DE CONJUNTO”. 

Depois fez o restante com um pouco de ajuda, principalmente, quando entrou a segunda dezena. Mas, com certeza, logo chegará lá.

Agora ele está em férias. Assim que voltarmos aos trabalhos, continuaremos experimentando novas formas de trabalho. 

AGUARDEM!

sábado, 31 de dezembro de 2016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

É NATAL!

Chega dezembro e com ele vem o Natal. No ar há uma atmosfera que envolve a todos. As lojas, ruas e casas se enfeitam para a grande festa.

E o povo se anima à medida que o Natal se aproxima. A correria é grande. Lojas apinhadas de gente que tem um único intuito: encontrar o presente ideal para cada familiar ou amigo. Depois, o mesmo acontece para escolher os quitutes da ceia. 


E chega o dia da festa. Num canto da sala, sob a árvore enfeitada, algumas caixas com presentes. Dentro delas, um mimo aguardado que trará a felicidade e a alegria de quem oferta e de quem recebe.

Que neste NATAL possamos encontrar em cada caixa: muito amor, respeito, solidariedade e paz.


FELIZ NATAL!

sábado, 17 de dezembro de 2016

PARALISIA CEREBRAL E A MATEMÁTICA (II)

Na postagem anterior, vimos que a paralisia cerebral pode impedir os movimentos, mas não impede a criança ou jovem de aprender, mesmo que seja, aquilo que é básico, ou o mínimo como se costuma dizer. O importante é que essa criança ou jovem tenha a oportunidade de aprender de acordo com suas possibilidades.


Paramos na apresentação da segunda série numérica, ou seja, do 20 ao 29. Dessa forma, apresento a mesma série, com o objetivo de retomar o assunto e fixá-la na memória. 

Após a leitura dos numerais de 20 a 29, lembro que 2 saquinhos de tampinha formam o 20. E sigo acrescentando uma unidade até que se completem 29, para que ele tenha noção da quantidade que acabou de ler. Em seguida, começamos os exercícios no caderno.


VIZINHOS DO NÚMERO 

Neste exercício, uniremos dois exercícios já feitos anteriormente: encontrar o que vem “antes” e o que vem “depois”, mas em um só exercício. Antes converso com ele sobre os vizinhos de sua casa e objetos que estão próximos a nós, como forma de tornar a teoria o mais concreto possível. Entendido o termo “vizinho”, vamos ao exercício. Como é novidade para ele, permite que se oriente olhando a série que está sendo estudada. 

E espalhando os numerais sobre a mesa, ele escolhe apontando os números e depois cola-os no lugar correto.

NOÇÃO DE NÚMERO MAIOR

Preparando o assunto que vem a seguir, trabalho com ele o número maior e para que entenda, voltamos com as tampinhas. Mostro duas quantidades quaisquer e pergunto: Qual delas tem mais tampinhas? E ele aponta. Pergunto por que ele escolheu aquela quantidade? E ele responde: porque tem mais. Elogio e digo: Quem tem mais é “maior”. Pergunto novamente: E quem tem menos? Ele aponta e diz: Quem tem menos é menor. Elogio seu raciocínio.

Mostro o exercício e peço que faça uma marca no maior.

E depois de marcado elogio novamente.


ORDEM CRESCENTE

O primeiro passo é fazê-lo entender o que quero. Mostro a ele uma torre de poucas peças. Ela tem a forma quadrada. E peço que ele a monte. Em quanto isso, pergunto se quando ele era bem pequeno, bebê ainda, se ele tinha o tamanho que tem hoje?
Ele riu e disse que não, que ele era pequeno. Insisto e pergunto: E por que você está do tamanho que tem hoje? Ele ri novamente e responde: - porque eu cresci. Estava aí, a palavra que eu queria ouvir.

Retomo então a questão: Então, começamos pequenos e terminamos grandes. E peço que arrume sobre a mesa, começando do pequeno para o grande.



Depois de pronta, digo: quando colocamos os objetos numa ordem que vai do pequeno para o grande, como você fez aqui, dizemos que essa arrumação está em “ORDEM CRESCENTE”, porque cada peça fica um pouco maior do que a que vem antes dela. Então, vai do pequeno para o grande.Como segundo passo, colar peças na ordem crescente.

  

O resultado final foi este:

Feito isso, mostro alguns numerais, todos fora de ordem e digo a ele que se podemos colocar objetos na ordem crescente, também podemos colocar os numerais. E peço que ele cole os numerais também na ordem crescente. E vejam como ele fez direitinho.

Aguardem novas postagens sobre o assunto.