terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Conversa de adultos 11- DOS 7 AOS 10 ANOS

Não, não quero apressar o passo, aumentando o período de idade. O que ocorre é que depois de um novo período de um frenético desenvolvimento, começa um novo período intenso de novas experiências e descobertas. Por isso, é natural que haja um tempo de calmaria. Este é, portanto, um período de desenvolvimento mais lento, mais demorado. Uma etapa diferente, mais complexa e mais importante que os períodos anteriores.



Até os 7 anos, as crianças passaram por várias fases: a dos reflexos, a do preparo da posição vertical dos seres humanos (com a firmeza da coluna vertebral, sentar, engatinhar, ficar em pé), os primeiros passos com apoio, o andar sozinha, correr, salta etc. A criança já estava pronta para tudo? 

Claro que não. 


Seu filho precisou que você o ensinasse a andar mais rápido, correr, pedalar a bicicleta, saltar de várias alturas e distâncias, segurar uma colher, levar a comida à boca, banhar-se, vestir-se etc. Quantas coisas vocês o ensinaram e ele aprendeu! Ele precisava de repetição e vocês exigiram dele em cada gesto e em cada movimento, para que tudo o que fora ensinado e aprendido se tornasse num “hábito”. E agora seu filho já é capaz de realizar muitas coisas porque seus músculos respondem corretamente, porque ele aprendeu a usá-los em cada movimento realizado. Isso é o suficiente para a vida inteira? 

Não, claro que não. 

E por não ser suficiente é que, dos 7 aos 10 anos, tem início uma nova fase de novos aprendizados. Nela outras áreas entram em jogo, fazendo com que seu filho chegue a alçar voos bem maiores e atingindo distâncias muito mais longínquas. Entre essas áreas estão as diferentes “atividades cerebrais”, mais conhecidas pelo nome de “intelecto”. 

E o que é o intelecto? 

O intelecto é formado por uma série de atividades cerebrais, ligadas entre si, que planejam, coordenam e realizam tudo o que seu filho faz. Por exemplo, os movimentos, a fala, o entendimento das coisas e os aprendizados são apenas algumas, dentre muitas outras funções voluntárias e involuntárias. 


Por meio dessas funções, as crianças aprendem a conhecer seus limites físicos e motores e decidirem sobre a autonomia de quererem permanecer como estão ou de melhorá-los. São as atividades cerebrais que levam seu filho a descobrir e conhecer a “si mesmo” e “suas capacidades” sem que as pessoas precisem dizer a ele, quais são essas capacidades. Lembra-se quando os pais dizem: - Vai que você consegue? Chegará o dia que seu filho lembrará dessas palavras e agirá por conta própria.


São ainda essas mesmas atividades cerebrais que fazem seu filho “entender que tudo, absolutamente tudo que está atrelado ao “afeto”.  Não, não se trata do “afeto”  se refere ao que ele sente pelos familiares, amigos e pessoas especiais, ou do que continua muito importante e necessária para sua vida e desenvolvimento. Mas de um eles sentem a seu respeito. Mas do afeto que sente por “si mesmo”, que se traduz como autoconfiança, auto segurança, autoestima e sentido de autonomia. 


É a descoberta e a compreensão  dessas afeto pessoal que garantem a ele, a compreensão do seu "mundo interior" com relação ao "mundo externo", onde se conscientiza que é um ser numa multidão de outros seres iguais que se adequam nesses dois mundos (interna e externamente), fazendo com que resulte na individualidade, personalidade, linguagem e socialização que se formará como seres únicos e diferenciados dos outros. E esta fase também coincide com o início da escolarização.



Por esta conscientização é individual (e você não pode ajudar) e muito complexa. Por isso, seu filho necessita de um tempo maior. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Conversa de adultos 10- A FASE DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS

As crianças de 5 a 6 anos, após descobrirem a linha de chão, começa uma nova fase de experimentações conhecida como “fase de composição”. A característica desta fase é desenhar diversos objetos em torno de uma figura humana. 
A linha verde no final da página é a linha de chão.

Segundo Lowenfeld, enquanto as crianças estão desenhando e colocando as figuras no papel, elas vão revivendo situações reais ou imaginadas. Isto porque, quando a criança desenha, vai estabelecendo uma espécie de julgamento do que deve ou não ser colocado ali. 

Observe como todas as coisas estão sobre a linha verde (linha de chão)

A partir desta fase, as crianças já podem começar a contar histórias orais sobre seus desenhos. E nenhuma história é mais importante do que aquelas que elas criam através de seus desenhos. 

A construção de histórias das crianças de 5 anos é diferente das histórias construídas pelas crianças de 6 anos completos. As construções orais das crianças de 5 anos são mais uma “nomeação” do que foi desenhado, como por exemplo: - “Desenhei uma casa, um carro e uma árvore”. Já uma criança de 6 anos, a construção oral é mais ou menos assim: - “O dono do carro parou perto da árvore, para ficar mais perto da casa, porque estava chovendo”. Perceberam a diferença? Nesta história já se pode identificar o começo, o meio e o fim da história. Há uma construção com um encadeamento de ideias que se ligam e dão o entendimento, porque os objetos desenhados vão tendo seu lugar no tempo e no espaço de acordo com o que foi vivido ou imaginado. 

E aqui, pais e professores, vocês podem ajudar e muito. Quando perceberem a linha de chão nos desenhos infantis, comecem a conversar com as crianças. Por exemplo: Suponha que ela tenha feito este desenho: 


Faça o seguinte: 

1- Sempre elogie o trabalho realizado e não corrija os erros cometidos em seus desenhos. Isto lhe trará confiança e poderá experimentar o que quiser. 

2- Pergunte que desenhos ela fez. E ela deve dizer tudo o que fez. 

3- Aponte para a casa (por exemplo) e pergunte: Quem mora aqui? Provavelmente, a criança apontará uma das figuras humanas (ou as duas). De acordo com as respostas vá fazendo outras perguntas, como por ex: eles moram na mesma casa? Em que andar? Como é a casa deles? Porque eles estão fora da casa deles? E por aí vai. Numa outra vez, num outro desenho, escolha um outro elemento que não seja a moradia. 

4- Antes de terminarem a atividade, faça um resumo da história contada. Aos poucos, a criança vai percebendo que ela consegue contar uma história com começo, meio e fim. 

5- Agradeça e elogie a história contada. Isto é um incentivo, não custa nada e a criança se motiva a criar novas histórias e a querer conta-las para você. 

No começo, as respostas parecem serem tiradas a saca-rolha. Mas com a repetição, as coisas vão melhorando até que passam a contar suas histórias espontaneamente. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Conversa de adultos 9 – OS DESENHOS E AS CORES


Dos 5 aos 6 anos, as mãos já estão mais hábeis, inclusive no traçado dos desenhos. Mas ainda podem cometer alguns erros.

 1- PODEM ERRAR NAS CORES DOS OBJETOS: O Zezinho quer fazer um desenho “do pai e seu carro”, como um presente a ele. Zezinho quer reproduzir o pai e o carro bem bonito de forma que agrade o pai. Por isso, deposita mais atenção nessas figuras. E dá um colorido caprichado, porém, colore um “céu amarelo” para terminar de compor a cena.



Zezinho estava preocupado em fazer um desenho bonito “do pai e o carro do pai” e para o progenitor, uma coisa muito importante para a pequena criança. O pai era o foco principal, alguém a quem amava muito e queria agradar, colocando aí toda a sua atenção. O céu era apenas um complemento, um dado secundário e de menor importância. O menino usou o amarelo, como poderia ter usado outra cor qualquer. Em crianças de 5 a 6 anos, o grau de envolvimento emocional é grande e os erros cor-objeto podem ocorrer como um fato natural.

Á medida que as crianças se aproximam do 6º ano, as relações dos objetos com suas formas, tamanhos e cores vão acontecendo espontaneamente. Mas o “envolvimento emocional” entre as relações com os objetos está registrado nos seus desenhos. E outros erros podem ocorrer, como por exemplo, os “erros de proporções”.

Imaginem:-  Normalmente, Laurinha parece um furacão. Faz mil coisas o tempo todo e não para quieta um só instante. Hoje, no entanto, Laurinha acordou com uma chata e irritante dor de cabeça. Apesar de ter tomado remédio, a dor custava a passar. 


Mesmo assim, Laurinha que adora desenhar e colorir, pegou um papel e começou a desenhar uma figura humana. A figura tinha braços e pernas no lugar e um vestido cobria um corpo compatível com o tamanho dos braços. No entanto, a cabeça era o dobro do tamanho do restante do corpo.


O Juquinha desenhou uma porção de figuras: casa, árvore, bola, gato e uma figura humana feminina. Desenhou os primeiros em tamanho pequeno. A figura humana, no entanto, era muito grande. Ao falar sobre seu desenho, ele falou da casa em que vive, da árvore que havia no quintal, da bola que era seu brinquedo preferido e o gato de estimação. Ao falar da figura feminina, ele disse ser a “mãe”.

Como se vê, nos relatos de Laurinha e de Juquinha, eles tinham motivos importantes para desenharem suas figuras de “forma desproporcional”: Laurinha, por uma dor que a incomodava e Juquinha, mostrando a importância da mãe em sua vida. Há algo de anormal nisto? Não, claro que não. Se isso acontecer com os desenhos de seus filhos, procurem saber o motivo antes de fazer julgamentos e sem ficar mostrando o correto.



Gente, tem coisas que precisamos ensinar às crianças. Outras coisas, ela precisa aprender sozinha. Tem que adquirir experiências por conta própria. As cores e as proporções são assim. Não adianta influenciar. Ela precisa dessa experimentação para a formar sua futura personalidade. A experimentação estimula a capacidade inventiva e torna a criança mais flexível e ajustável aos obstáculos que a vida impõe. São condições humanas que não podem ser compradas na lojinha da esquina.

domingo, 3 de novembro de 2019

Conversa de adultos 8 - OS PROGRESSOS DA FIGURA HUMANA

No final dos quatro anos, as figuras humanas desenhadas já são mais estruturadas. Já se pode perceber as três partes que compõe o corpo humano: a cabeça, o corpo e os membros.
Na cabeça aparecem os olhos e a boca, as orelhas e um projeto dos cabelos. É uma consciência mais aprimorado do que a criança percebe do seu corpo: os olhos com o qual vê as coisas, a boca com a qual se alimenta e os ouvido com os quais ouve os sons.
O corpo ainda está grudado a cabeça, porque ainda não o percebe com clareza. As pernas e braços ganham relevância e já se posicionam nos lugares quase corretos. Mas ainda desproporcionais: ora muito curtos, ora muito compridos. Outros elementos podem aparecer e só mostram o nível de consciência da criança que desenha a figura.

Aos 6 anos, as figuras já são mais completas. Embora o corpo ainda se apresenta grudado na cabeça, os braços e pernas há são mais proporcionais, aparecimento de pés e mãos. Os cabelos já mostram um certo movimento e está melhor organizado e mais farto. Algumas crianças mais precoces, tentam mostrar figuras em movimento. No entanto, esta conscientização depende da forma como essa criança foi estimulada positivamente para realizar suas experimentações.


Por volta dos 6 anos é a época em que os desenhos das crianças começam uma nova fase. É a “fase de criação dos esquemas”. O esquema é uma forma básica, um jeito fácil de que as crianças desenvolvem para desenhar o que querem ou o que precisam. 

E existe esquema para tudo: para flor, casa, carro, figura humana. Esses esquemas servem de base para o desenho de outros objetos. Ex: uma casa pode virar um castelo, um prédio ou uma mansão. Um cão pode se transformar num gato, numa onça ou num leão. Uma árvore comum pode ganhar frutos ou novos galhos e perder folhas. Pode ser uma árvore comum, num pinheiro, numa araucária etc. Um pato se transforma num lindo cisne, num gavião ou numa ave voando no céu.


Uma outra aquisição importante dessa idade é a “linha de chão”. É quando ela percebe que tudo fica sobre uma base e que nada fica flutuando no espaço. Para mostrar que ela atingiu essa consciência ela pode: a) traçar uma linha e colocar as figuras em cima. b) pode desenhar bem rente a uma das bordas da folha. c) desenhar as figuras sobre uma linha imaginária com as figuras todas na mesma direção.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Conversa de adultos 7 – DOS 5 AOS 6 ANOS


Aos 5 anos, as crianças mostram um rápido desenvolvimento muscular, apresenta grande atividade motora e um controle maior dos movimentos. Já conseguem escovar os dentes, pentear os cabelos sozinhas e vestir-se com pouca ajuda. Aos 6 anos, já podem ser definidas como destras ou canhotas. São capazes de se vestirem e calçarem os sapatos sozinhas (e podem começar a aprender a amarrá-los). Fazem sua higiene com autonomia e podem manifestar certas dores localizadas, como dores de cabeça ou de estômago (embora mostrem a barriga).


Quanto ao desenvolvimento intelectual, aos 5 anos, já apresentam um vocabulário com cerca de 1.500 a 2.000 palavras; manifesta interesse pela linguagem, fala intensamente e sobre vários assuntos de seu interesse; compreende ordens com frases negativas. Articula bem vogais e consoantes e constrói frases estruturadas, apresenta uma curiosidade incrível e faz muitas perguntas. Diferencia fantasia e realidade, compreende conceitos de número (mais, menos, maior, menor...); de espaço (dentro, fora, debaixo, em cima, atrás, na frente de ou em frente de...) e de tamanho (grande, pequeno, médio). Compreende que os desenhos que vê ou que faz, representam os objetos reais, e começa a reconhecer alguns padrões encontrados nos objetos como: objetos redondos ou quadrados, objetos macios, animais etc.

HISTÓRIAS: um mundo mágico

Aos 6 anos, fala fluentemente, usa corretamente o plural, pronomes e tempos verbais (presente e passado) embora se atrapalhe um pouco com o futuro). Adora contar casos e histórias e tem apreço por ouvir a leitura de histórias; apresenta boa memorização para histórias e consegue repeti-las. Sabem seguir instruções e aceita supervisão nas tarefas a elas destinadas. Conhece as cores pelo nome, já existe uma cor de preferência e uma de repulsa. Conhece e reconhece os números de 1 a 9 pelo símbolo, e consegue contar até um pouco mais que 10. Agrupam e ordenam objetos por tamanho, cor, formas, identificam os objetos maiores e menores.

Há um princípio de entendimento dos conceitos de “antes, depois, em cima, embaixo, dentro e fora de alguma coisa”. Começa a entender também os conceitos de tempo: ontem, hoje e amanhã. Por isso, as confusões devem ser compreendidas e as correções feitas sem gozações. Adora conversar durante as refeições.


Socialmente, aos 5 anos, gosta de brincar com outras crianças de sua idade, mas podem ser muito seletivas em alguns casos. Adora imitar os adultos, inclusive usar suas roupas e outros pertences. E capaz de realizar partilhas e respeitar a vez do outro. Aos 6, a mãe ainda é a figura importante em sua vida, por isso, seu maior medo é separar-se dela. Adora copiar o que os adultos fazem, principalmente, o que a mãe faz. Brincam com meninos e meninas ou com grupos deles, mas prefere os do mesmo sexo. Seu comportamento está mais calmo, não é mais tão exigente nas relações com os amigos. Também brinca sozinho e não precisa de supervisão. Sabe esperar a vez e compartilhar suas coisas e lanche. Tem curiosidade para saber de onde vêm os bebês. E está numa fase de conformismo com as coisas ao seu redor, no entanto, é crítica com aqueles que não apresentam o mesmo comportamento que o seu.

Emocionalmente, aos 5 anos, os pesadelos são comuns nesta idade. Pode ter ou não amigos imaginários por tem uma grande capacidade de fantasiar. Constantemente, testa o poder (autoridade) e os limites dos outros (pais, principalmente) com comportamentos desafiantes e de oposição (teimosia), mas depois, fica envergonhada com a atitude tomada. Confia em si mesma.  Aos 6 anos, podem apresentar alguns medos criados pela própria imaginação, como: do escuro, de cair, de cães ou de dano corporal. Esses medos precisam ser desfeitos logo para que não fiquem para o resto da vida. Cansada, nervosa ou chateada, poderá roer as unhas, piscar repetidamente os olhos, fungar e precisam ser corrigidos com atitudes delicadas pelos adultos, caso contrário se agravam. Apresentam maior sensibilidade com relação às necessidades e sentimentos dos outros. É mais solícita e tem bom coração. No entanto, quando são obrigadas a comer algo que não gostam ou não querem, são capazes de simular ou provocar vômitos.

Moralmente, dos 5 aos 6 anos, já têm consciência de certo e errado, preocupa-se em fazer o que é certo. Por sentirem vergonha dos que fazem, podem jogar a culpa nos outros pelos seus próprios erros, pois assumir a culpa pelos seus atos ainda é difícil.

COMO AJUDÁ-LOS AINDA MAIS?

Seus filhos são capazes de realizar tarefas que exijam um controle do corpo cada vez mais preciso. E você pode ajudar sim, e de uma maneira muito legal: brincando com ele e o desafiando.

E desfiar uma criança não é assim tão difícil, não é? Basta dizer que você faz uma coisa que ele não faz.  Mostre e espere que ele faça. E ele fará com a melhor boa vontade. E mais, ele vai te surpreender.

Desenvolva o sistema motor:



1- SALTANDO DISTÂNCIAS MAIORES – Em distâncias maiores não dá para saltar com os dois pés juntos. É preciso que uma das pernas vá na frente da outra, para que a de trás possa dar o impulso. Dessa forma, aumente um pouquinho por vez, sempre que sentir que ficou fácil para a criança. Porém, tome cuidado para não ultrapassar a largura da passada da criança. E sempre que conseguir superar o desafio proposto, elogie e faça festa.


2- TRABALHE O EQUILÍBRIO – andar sobre linha traçada no chão ou em corda, ripa, etc.


3- FORMAS DE ANDAR: andar para a frente e para trás, de lado (afastando um pé e unir com o outro), andar cruzado na frente (perna direita cruzando na frente da esquerda e depois ao contrário) e na ponta dos pés. Estas formas de andar podem ser trabalhadas com música (como coreografia) no desenvolvimento do ritmo. Este é um desafio bem legal e que as crianças gostam muito.

4- BRINQUE E DESAFIE SEU FILHO a andar nas pontas dos pés, a imitar os animais utilizando todo o corpo, como por exemplo, rastejando como uma cobra, saltando agachado como um sapo, etc. E depois podem usar isso com música, para trabalharem o ritmo.

5-  AGARRAR E LANÇAR a bola com a mão.

Desenvolva o senso de responsabilidade:

1- HABITUE seus filhos a organizarem os próprios pertences (roupas, sapatos, brinquedos e outros).


2- PEÇA AJUDE para seu(s) filho(s) nas tarefas da casa até que vire rotina. É essa rotina quem exercita a coordenação motora, como: dobrar peças de roupa, guardar objetos na gaveta, secar a louça, recolher um lixo, varrer o quintal etc. Se forem mais de um filho, faça rodizio das tarefas a cada semana ou conforme o combinado.

3- RECOMPENSE estas atividades com um lanche gostoso, um doce da preferência dele(s), uma coisa que ele goste de fazer (pintar, desenhar, brincar com um amigo ou outra coisa que eles gostem).

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Conversa de adultos 7 - AS CRIANÇAS E AS CORES (dos 3 aos 4 anos)

Desde que as crianças passam pegar um lápis e papel para rabiscar, sua preocupação maior são as marcas que fazem. Os instrumentos que usam são ocasionais e dependem do momento. Diante de uma poça d’água ou tinta podem usar a mão toda, um ou mais dedos. As marcas também podem ocorrer em outros locais: parede, móvel, sofá, brinquedo, etc. O que importa para as crianças de tenra idade são as marcas que deixam e não onde ou com o que são feitas.

Quando a criança procura de lápis e papel, é porque ela já fez uma porção de testes e outras tantas observações, até compreender que alguns instrumentos são usados naquilo que os adultos chamam de “papel”. E se é um lápis preto, colorido ou caneta, não importa para ela. Ela usa o que está a seu alcance.


A partir do terceiro ano de vida, as cores começam a despertar sua atenção. E nova série de experiências, testes e observações são realizadas. E os adultos podem e devem observar essas experiências e os progressos que a criança faz.

1- A criança pega um lápis colorido, não importa a cor e desenha tudo: sol, lua, estrela mato, flores, jardim, casa, figuras humanas etc., mesmo que estas coisas não se pareçam com o real. Isto porque seus conhecimentos ainda não atingiram esse patamar. No dia seguinte, desenha as mesmas coisas com outra cor. E assim vai experimentando uma a uma todas as cores, de sua caixa de lápis.


E se os adultos tentarem impor uma cor para que ela desenhe, ela desiste de fazê-lo. Por isso, não devemos corrigir, ajudar ou fazer por ela. A criança aprende a desenhar sozinha, por meio de suas próprias experiências e pelas observações que faz. Aprende por tentativas que dão certo e pelas que dão errado e pela repetição dessas experiências, para que se transformem em hábitos automatizados. E isto, “ninguém pode fazer por ela”.


2- Nesta fase as cores não têm significado. São apenas experiências e aprendizado. Por isso, se espanta ao desenhar com branco num papel branco. Por isto, é bom que deixemos algumas folhas coloridas no “cantinho de desenhar”.

3- Por volta do quarto ano, por já ter explorado bastante as as várias cores de sua caixa de lápis, as crianças passam para uma segunda fase de experiências: a integração de cores num mesmo desenho.


E novamente se encanta. As possibilidades de combinação de cores são infinitas. No início, começam com duas cores diferentes. E a cada produção vão juntando duas cores escuras, claras, uma escura e outra clara e, assim construindo novas experiências e fazendo novas observações. Os mais avançados, podem experimentar mais que 3 ou 4 cores num único trabalho.


Mas ainda não existem cores “preferenciais”. Ela gosta de todas, porque as combinações trazem sensações visuais que lhe agradam ou que não lhe agradam. Essas sensações ainda não são bem definidas pela criança como eu gosto desta ou eu não gosto desta cor. Por isso, se nesta idade a criança diz que gosta do roxo, do azul ou do vermelho é porque o adulto a está influenciando de alguma forma.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Conversa de adultos 6 - OS DESENHOS INFANTIS DOS 3 AOS 4 ANOS


A mão já está firme e pode segurar um lápis tranquilamente e na posição correta.  Aos 2 anos inicia o traçado dos círculos e próximo aos 3 anos já os faz com maior precisão.

a) A FASE DOS QUADRADOS



Seis meses após o surgimento dos círculos, as crianças começam a testar as formas quadrangulares (de 4 lados). Chamamos de FASE DOS QUADRADOS. E também devem serem traçado com mais precisão por volta dos 2 anos a 2 anos e 6 meses. A partir dessa idade, tudo o que a criança tentar desenhar ela o faz com círculos e quadrados.

b) O DESENHO DA FIGURA HUMANA


É nessa idade que tentam desenhar a figura humana. É uma fase importante. A figura é estranha, composta de um círculo irradiado. É a FASE GIRINO ou o princípio da figura humana no desenho. Isto porque a percepção de seu próprio corpo ainda não está totalmente desperta.

Alguns meses mais a frente, essa figura ganha olhos e boca grandes, mostrando que a percepção de seu corpo avançou um pouco. Afinal é pelos olhos que veem e observam as coisas e pessoas, e a boca, por onde entram os alimentos.


Os raios em torno do círculo diminuem para 4 que servem como braços e pernas e em cujas extremidades são desenhados pequenos círculos que interpretamos como mãos e pés. Mas ainda não entendem a importância dessas partes. Algumas crianças colocam alguns traços no alto do círculo que interpretamos como “cabelos”, que representa um sentido de organização perceptual mais apurado.


Não é o momento de corrigir ou mostrar falhas no desenho delas. Elas não entenderão o que você diz ou quer que ela faça. Apenas elogie e incentive a fazer outros. O importante é verificarmos se as pernas estão alojadas no lugar adequado. Na figura acima, a criança também mostra os pés (pequenos círculos), o que também é importante para ela.

Se observarem com mais atenção, vocês podem atentar que os olhos já apresentam a íris, diferente das imagens anteriores que aparece apenas o local dos olhos. Este é um outro bom sinal de desenvolvimento dessa criança.

Para as crianças consideradas sem deficiência e que chegaram a esta idade ou estão em fases com atraso, volte ao trabalho de percepção do corpo lá dos tempos do primeiro aniversário. Retome-a com mais ênfase fazendo a criança a nomear e a apalpar as partes do corpo pedidas por você.

Há outros exercícios que podem ajudar bastante, tais como:
a) usar músicas infantis em que se nomeiam e se apontam as partes do corpo que estão sendo cantadas.
b) usar o banho, mas desta vez, nomear para ela passar a esponja e lavar.
c) usar quebra-cabeças com poucas peças e cujo tema seja figuras humanas.
d) chame a atenção para as figuras humanas na hora da história, pedindo que a criança aponte e/ou fale onde estão ou como são: os pés, as mãos, a cabeça, o corpo, o tamanho dos braços e pernas, de onde eles saem no corpo dos personagens.

Próximo aos 4 anos, a criança já desenha a figura humana mais parecida com o real. A cabeça diminui muito de tamanho e se separa do corpo. Ganha olhos, boca, orelhas e cabelos nomeados pela própria criança.

Em contrapartida, o corpo cresce exageradamente. É sinal de uma nova etapa do desenvolvimento e da percepção de seu próprio corpo. Evidentemente, é uma percepção externa do corpo. Ao nomear as partes do tronco confunde estômago com barriga e isso é normal pela proximidade da localização.

A criança sabe que tem braços, mas não importância a eles ainda. Sabe que ficam próximos à cabeça e os coloca próximos a ela, dando o observador a impressão que saem do pescoço. São apenas projeções e possuem mais a aparência de mãos. Destoam em comparação às pernas que continuam longas, podendo ou não dar ideia de movimento.

Obs: A impressão de movimento não é uma regra definitiva, pois depende da maturidade e da percepção de cada criança.

A partir deste momento, as fases duram menos tempo que as anteriores. E em breve espaço de tempo, os braços vão para uma localização mais adequada, se alongam e terminam num círculo radiado, representando a mão e os dedos. No início são mais de cinco dedos, mas aos poucos vão acertando.