segunda-feira, 9 de maio de 2016

AS TABUADAS

As tabuadas merecem um capítulo á parte. Todos sabemos que elas são importantes para a resolução dos cálculos de multiplicação e da divisão e, para agilizar as tarefas. No entanto, no Brasil e em alguns outros países ditos “mais modernos” proíbe-se que as crianças as decore. Alguns teóricos justificam que é melhor “compreender” do que “decorar”, pois isto é coisa do passado.
Concordo que as crianças precisam compreender a razão da existência das tabuadas, ou seja, que devam adquirir o pensamento multiplicativo. Mas sabemos que esse pensamento não acontece de uma hora para outra e, nas últimas décadas, encontramos adolescentes que chegam ao Ensino Médio sem sabê-las, incluindo-se a do dois.
Para aprender as tabuadas e as relações entre elas não basta que o professor diga ou explique. É preciso que a criança as descubra por si só. Porém, olhar as tabuadas desde a infância cria por sua vez a “dependência do famoso livrinho de tabuadas” comprado por alguns centavos na papelaria mais próxima. 
Os teóricos dizem esta dependência não ocorre, mas não é o que se vê na prática. Que o aprendizado do pensamento multiplicativo deve ser conquistado com num contexto vivenciado pelos educandos e que começa no início do Ensino Fundamental e só se completa ao atingirem o pensamento formal, que segundo Piaget, ocorre por volta dos 10 ou 11 anos de idade. E não é isto que se vê.
Fui em busca de sugestões: A primeira, encontrei numa tese de mestrado, que compartilha da ideia dos teóricos sobre contextualizar o pensamento multiplicativo através de situações-problemas. Tinham vários temas como:  quantidades, preços, rodas etc. Estas situações-problemas foram aplicadas em crianças dos 3º e 4ºs anos de escolas públicas e particulares. Retirei de lá esta situações-problemas, como exemplo:
a)   Numa viela haviam 5 casas. Em cada casa moram 2 coelhos. Cada coelho vai ganhar duas cenouras. Calcule a quantidade de cenouras que precisamos ter para que cada coelho ganhe duas cenouras?

Segundo a pesquisa, a autora esperava que as crianças chegassem a conclusão de que 4 x 4 = 16. No entanto, surpreendeu-se com a maioria que, após o desenho efeito, efetuou a contagem para obter a resposta. E isto significava que as crianças não fizeram o cálculo, nem o relacionaram com a operação de multiplicar. E portanto, ainda não tinham conquistado o pensamento multiplicativo. Verifiquei por curiosidade outros trabalhos de mestrado e TCCs de pós-graduações sobre o tema e as conclusões foram idênticas. Não é no início da idade formal que o pensamento multiplicativo começa ou nossas crianças não estão chegando a esse tipo de pensamento.
Fui então em busca do que se está fazendo hoje em dia nas escolas em geral. Pesquisei vários blogs de professoras de vários estados brasileiros e achei algumas sugestões:
b)   TABELAS MULTIPLICATIVAS  
  Os alunos preenchem os espaços em branco com os resultados da multiplicação de um número da coluna por todos os outros da linha. Podem ir completando aos poucos até ficar completa ou tudo de uma vez. Depois, quando precisar, é só consultar. Na verdade, é uma tabuada tradicional com uma cara nova. E um novo nome também: “tabela”.
c)    ÁBACO
O ábaco é um excelente auxiliar para contagens e dos primeiros cálculos. Usando o ábaco a criança repete a mesma quantidade em um número de vezes determinado. Ao final, faz a contagem e coloca a resposta.
d)   TABUADA CONCRETA


Compõem-se de um tabuleiro com determinado número de concavidades e dentro a criança coloca objetos pequenos na quantidade pedida e num determinado número de vezes. Para saber o resultado, é só contar as pecinhas colocadas.
e)     TABUADA NOS DEDOS
É muito interessante este jogo feito com os dedos da mão. Na verdade, é mais um truque divertido para que acertem as contas.
f)     JOGUINHOS NO COMPUTADOR.


Na tela aparece um cálculo a ser realizado e embaixo três respostas, sendo uma única a correta. Para mudar para outro cálculo basta acertar a resposta. Caso erre, volta ao início. Esta é uma aprendizagem por ensaio e erro e que a criança vai passando de fase porque decora as respostas corretas.
Pelo que vi estas sugestões são estratégias que, numa forma discreta ou bem mais prazerosa, visam a “decoração” das tabuadas. E onde fica o pensamento multiplicativo?
Acredito que ninguém precise ficar com vergonha ou se ser chamado de retrógrada se pedirmos que as crianças estudem e saibam as tabuadas. E já que a maioria dos brasileiros adoram coisas de fora do país, é bom saber que na maioria dos países europeus se cobra as tabuadas decoradas. E que, esses mesmos países, ocupam os primeiros lugares no Ranking Mundial da Educação, enquanto nós, com ideias mais “modernas e avançadas”, estamos em septuagésimo oitavo lugar (78º) lugar. Não é “estranha” essa colocação?
Compreendendo ou decorando as tabuadas, cognitivamente elas fazem parte das funções executivas cerebrais e localizadas no lobo frontal, do mesmo modo como adições, subtrações, multiplicações e divisões. São elas que acionam outras áreas cerebrais (já vistas em postagens anteriores) permitindo que possamos realizar os cálculos além da memória curta e de longo prazo. Seja lá como for, a criança adquire o pensamento multiplicativo no desenrolar do período formal e não no início dele.

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